Tristezas da Alma

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Existem momentos e situações em nossas vidas que mexem com nossos sentimentos mais íntimos, provocando dores e tristezas que vão além da nossa capacidade de expressão. Entramos num estado melancólico, sofrido, doido mesmo, que muitas pessoas alheias simplesmente não entendem, julgam como sendo fraqueza, falta de amor próprio, falta de religião e uma série de outras coisas, mas afirmo, tudo isso não passa de discurso pronto e chavões que são repetidos, sem qualquer tipo de entendimento do outro.

Penso que existem muitos fatores que podem despertar esse tipo de tristeza e de dor, como por exemplo, o sentimento da perda. Todos os dias perdemos coisas, sejam amores, pais, filhos, amigos, empregos e tantas outras perdas que nos são impostas, mas dentro de todas essas, talvez uma das que mais cause dor é a perda da fé no ser humano, perceber que vivemos num mundo de aparências, superficial e perceber que as pessoas não se importam, perceber que vivemos por viver, sempre buscando algo que nunca atingiremos, percebendo que por maior que seja sua dor o outro simplesmente não se importa, não te escuta.

As pessoas, de uma forma geral, estão cada vez mais egoístas, menos preocupadas com os outros e mais preocupadas com os seus prazeres, ainda que seja as custas do sofrimento dos outros, mas importa o que eu sinto, meus momentos de prazer. O que é o outro?

Há uma dor muito grande quando você percebe que não vale a pena lutar. Existe todo um discurso bonito de que sempre vale à pena, que ninguém agrada todo mundo e isso é fato, mas a sensação de impotência cansa, frustra e dá uma dor muito grande, a dor na alma, que não será curada com analgésicos e tão pouco com antidepressivos. Essa dor aparece quando você descobre que por mais que você se esforce, seu esforço não vai mudar praticamente nada, nem mesmo as pessoas que lhe são mais próximas, a família, aqueles que, por definição, deveriam ser seu porto seguro, a sua fonte de segurança, mas que no fundo, continuam representando um mero jogo de interesses pessoais, a dita satisfação dos prazeres, da lei da vantagem ou dos “espertos”, como muitos gostam de chamar e isso fica muito evidente no cotidiano, nos pequenos gestos ou na falta desses gestos, coisas simples, mas que não são feitas.

Conviver com pessoas boçais, sem educação, que não tem o mínimo de respeito a nada e nem por ninguém e que só te procuram quando precisam de algo, também são fatores que trazem essa dor. Fico pensando se algum dia o ser humano vai deixar de dizer tanto  “EU” e falar um pouco mais  “NÓS”, pois quando EU estou bem, sou um só, mas quando NÓS estamos bem, somos pelo menos dois e quanto mais pessoas felizes e em paz, melhor o mundo.

Muitos esperam por milagres e, sinceramente, não acredito neles, pois acreditar no milagre é deixar para outra pessoa ou energia, ou  o que quer que seja, aja por você e isso é fácil. Quer uma verdadeira mudança, mude você, aprenda a respeitar, a ouvir, a ter educação, trate a todos com a educação que gostaria de ser tratado, pois é muito simples cobrar que o mundo te trate com um rei, mas e quando é a sua vez?

É tão comum as pessoas falarem o famoso “se precisar me ligue”, mas será que realmente estão dispostas a ouvir ou isso é uma mera convenção social? Isso também é tão facilmente percebido no dia a dia, pois no fundo ninguém quer ouvir nada e quem nunca pensou “pronto, lá vem o chato reclamar de novo”. Dói muito quando você achava que poderia contar com alguém, mas descobre que realmente não é bem assim, que você pode até contar, desde que…

Dói quando você precisa falar, mas ninguém quer te escutar e quando digo escutar, é escutar mesmo, não é argumentar, criticar, é ouvir, deixar vir à tona os problemas e angústias que lhe sufocam, que te tiram o sono, a vontade conviver com outras pessoas, entre tantas outras coisas. É tão  comum as pessoas lhe dizerem para ser forte, você é forte, você tem que ser forte. Para que? Para só suportar a dor e os problemas dos outros? De vez em quando é bom ser um pouco fraco, querer um pouco de atenção, afinal, essas são características humanas e viver com uma capa de super herói o tempo todo também causa muitas dores.

Existe um dito popular que diz que “crescer dói”. Talvez seja isso, essa dor da alma possa ser um sinal de crescimento, pois penso que quando você começa a questionar seus próprios valores, suas convicções mais íntimas, seus medos, você começa a crescer, a sair da letargia, mas que dói, dói.

Por muitos anos compactuei do pensamento de que as pessoas que buscam o isolamento, um estilo de vida mais recluso estão apenas fugindo, fugindo do mundo, fugindo de si mesmas e penso que isso, de fato, possa ser verdade, mas qual é a vantagem de entrar numa guerra sabendo que ela é perdida? Será que não seria melhor fugir do mundo sim, mas se preservar um pouco e conseguir viver em paz, pelo menos, consigo mesmo? Mudei minha perspectiva, afinal, o que perde aquele que foge desse mundo cada vez mais irracional? Perde a oportunidade de viver com pessoas egoístas, que não respeitam leis, que só querem levar vantagem, que se acham os donos do mundo? Penso que perder isso, na verdade, é um grande ganho.

Chego a me divertir com aqueles que acreditam que o mundo vai acabar, pois para mim o mundo acaba um pouco todo dia. Toda vez que você não respeita alguém, o mundo desse alguém acabou um pouquinho, toda vez que você gera sofrimento, o mundo desse alguém que está sofrendo está acabando um pouco e assim seguimos nossas vidas. Deus, Força Divida, Energia Cósmica ou o nome que se queira dar, não precisa criar mais nada para acabar com o mundo, pois ao criar o homem ele já determinou o fim do mundo, pois qual energia poderia ser mais destrutiva e qual arma poderia ser mais mortal que o próprio homem? Ah, não concorda, posso lhe perguntar em qual mundo você vive então? Certamente não é o mesmo em que eu vivo. Qual outra espécie mata seus pares por ganância? Que outra espécie tira proveito da fome e da miséria dos outros? Que outa espécie se enriquece ilicitamente tirando dinheiro da saúde, educação e de serviços essenciais à subsistência dos seus próximos? Não consigo pensar em nenhuma outra que não seja o ser humano, mas caso você saiba, me avise.

Sei que nem todo mundo se enquadra no que escrevi, pois felizmente, ainda existem alguns bons exemplares de seres humanos, mas são tão poucos que ficam sufocados em meio a tantos seres desprezíveis e é uma verdadeira sorte poder encontrar-se com alguns desses poucos. Claro, tenho alguns desses seres iluminados, ou extraterrestres em meu caminho, mas são cada vez mais raros, tais quais, verdadeiras pedras preciosas.

Não digo que tudo o que escrevi seja a absoluta verdade e sim, somente o que estou sentindo nesse momento, afinal, qual é a verdade? O que é certo e o que é errado? Fraqueza? Pode ser, porque não, mas antes de sair falando velhos chavões, pense se você realmente acredita no que está dizendo ou se apenas está tentando ser social, pois palavras vazias também em nada ajudam.

Legião Urbana – Ventos no Litoral

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