WhatsApp – What’s up?

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O dia 22 de Fevereiro de 2014 foi marcado por um fato bastante curioso, característico e que me levou a pensar algumas coisas: o aplicativo WhatsApp parou de funcionar, por aproximadamente quatro horas.
Caberia aqui uma pergunta: qual a importância desse fato? Para mim, sinceramente, nenhuma, mas devido a onda de reclamações, protestos, angústias e desesperos visualizados em perfis de redes sociais, notícias em grandes portais de notícia, entre outros, vejo que o fato tomou uma proporção maior que a que eu imaginava.
Diante disso, volto a minha pergunta que é o título desse texto: WhatsApp – What’s up? O que está acontecendo? O que está acontecendo com as pessoas? O que está acontecendo com a humanidade?
Fico preocupado, pois a sensação que tive, ao ler tantos comentários e matérias, que uma hecatombe estava em vias de acontecer, o mundo estava entrando em pane, as pessoas não sabiam o que fazer, estavam, como elas mesmo se definiram “chateadas”, “apreensivas”, “com raiva” e tudo isso, para minha perplexidade, porque um software parou de funcionar por quatro horas!


Como profissional da área de tecnologia de informação, naturalmente sou usuário de muitos meios de comunicação online, acho-os importantes, facilitam nossa vida e nem vou discutir isso, agora, se um serviço pára por quatro horas e isso gera um verdadeiro desastre na sua vida, me desculpe, mas vá buscar um terapeuta com a máxima urgência, pois seu caso, acredite, é gravíssimo.
Eu tento, mas não consigo entender e penso que nem quero entender essa tamanha dependência e neurose que se criou a cerca dos recursos tecnológicos. Seu serviço de mensagens online parou de funcionar? Ótimo, aproveite para erguer a cabeça e perceber que existem alguns humanos a sua volta, alguns ao seu lado e, acredite, você pode se comunicar com ele usando apenas sua boca ou gestos. Já experimentou aquela sensação de apertar a mão de um amigo? Dar um abraço? Olhar para as pessoas ao seu lado, fazer uma rodinha e começar a conversar? Sabe aquelas conversas na salinha do café da empresa ou aquelas de corredor enquanto cada um se encaminha para seu local de trabalho? Isso mesmo, essas coisas ainda são passíveis de serem feitas. Deixa eu te contar outra grande descoberta e invenção da humanidade: o telefone. É, ele também serve para se comunicar com alguém que está um pouco mais distante e hoje nem é mais tão caro, você pode falar com a pessoa por horas e horas e não gastar praticamente nada.
Mas em tudo isso, o que mais me deixa espantado, é que as pessoas estão nesse desespero tamanho porque não conseguem se comunicar com pessoas que estão, no máximo, a alguns quarteirões de distância, dentro da mesma cidade, muitas vezes, na mesma rua, isso se não dentro da mesma casa. O que aconteceu com o ser humano que o fez perder totalmente o interesse pelo contato físico? O que o fez perder o interesse por uma boa conversa com um amigo, aquelas de olho no olho, aquelas em que você, ao final, dá um abraço bem apertado, se despede e vai embora pensando em como foi bom rever aquela pessoa?
Embora não seja psicólogo, arrisco alguns palpites sobre o assunto: no mundo virtual é tudo mais simples, você pode mandar um monte de risos para o seu amigo, como se estivesse alegre, quando na verdade está chorando. Você pode mandar abraços, mas no fundo, tem medo do contato humano, pois sabe que se estivesse com ele, pessoalmente, iria demonstrar suas fraquezas e, a impressão que tenho, é que cada vez menos a sociedade tolera fraquezas, você pode dizer que tudo está bem, quando um olho no olho demonstraria que as coisas estão longe de estar bem. Em resumo, evitamos o contato humano, pois temos medo da exposição, no mundo virtual fica tudo muito mais fácil, tudo é muito bonito, todos são extremamente bons, tem sentimentos nobres, mas e no mundo real é assim que você é também?
Termino esse texto com a mesma colocação que o iniciei: se você entrou em desespero ontem, procure com urgência, mas com muita urgência, um bom profissional da psicologia, pois você tem assuntos muito sérios a serem tratados e isso não é crítica não, é apenas uma tentativa de fazê-lo ver que algo de muito sério está ocorrendo com você mesmo. Não precisa me xingar e nem me mandar cuidar da própria vida, tenho consciência disso e já estou em terapia há um bom tempo e, talvez, seja ela mesma que me ajudou a ver isso que hoje aqui escrevi.

Legião Urbana – O mundo anda tão complicado


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