O problema está na Religião?

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Essa é a primeira vez que escrevo falando sobre a Religião, normalmente procuro não abordar o tema, pois entendo que é polêmico, de foro privado e cada um acredita naquilo que bem entender, portanto, vejo que não há muito que discutir e prometo não discutir, apenas externar o que penso.

Começo dizendo que atualmente não frequento religião alguma, no entanto, não me considero ateu, pelo menos não até hoje. Minha formação foi dentro da religião católica, pois meus pais são de família tradicionalmente católica, crença que frequentei assiduamente por muito tempo, da qual guardo coisas boas em meu coração e, pela qual, até hoje, tenho respeito, embora, naturalmente, não concorde com tudo o que pregam. Depois, fui procurar o Espiritismo, crença que também frequentei por anos e anos, que me trouxe uma explicação racional para muitos questionamentos que eu trazia e que preencheu muitos dos vazios existenciais que eu possuía. O que me levou a sair de ambas? Acredito que o mesmo fator: as pessoas. Vejo que a religião, em essência, não é o problema, pelo contrário, mas as pessoas as deturpam tanto que elas acabam se tornando cansativas e, por livre opção, hoje me reservo o direito de acreditar naquilo que eu quiser, sem alguém me dizendo o que posso ou o que não posso fazer. Não estou falando como crítica, antes que já venham jogar pedras, falo o meu ponto de vista e você não tem obrigação nenhuma de concordar comigo, mas se tiver paciência, continue a leitura.

Entendo Deus como um ser realmente superior, uma força maior, uma energia cósmica, um ser de luz e dê a Ele o nome que quiser, pois nomes não significam nada, pelo menos não para mim. Gosto de pensar em Deus não como uma pessoa amarga, rancorosa, que fica do alto do seu trono julgando a todos o tempo inteiro, pois acho que seria muito chato e, convenhamos, seria antagônico, pois todas as religiões não pregam que Deus é perfeito e também que foi Ele quem tudo criou? Acompanhe meu raciocínio: se ele criou tudo e precisa ficar julgando a cada um de nós pelo que fazemos, significa que ele nos criou com defeito, portanto, toda sua criação não é perfeita e, por consequência, Deus também não é perfeito! Não tenho nenhum problema em pensar dessa forma, o Deus é meu e eu penso como quiser. Sim, o Deus é meu, pois cada um faz o que quer com Ele, então, também faço, questão de igualdade de direitos.

Mas calma, não estou blasfemando, pois realmente não acho que Deus é imperfeito, apenas estou pensando e questionando, tentando achar respostas minhas e não respostas que alguém deu por mim. Certo ou errado, prefiro eu mesmo obter minhas respostas, pelo menos se eu errar, responderei por aquilo que eu acredito e não por algo que alguém me fez acreditar. A própria Bíblia diz que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, mas o que vejo no dia a dia é uma inversão, a impressão que tenho é que Deus foi criado à imagem e semelhança dos humanos, pois ele possui todas as nossas imperfeições, tais como: raiva, cólera, intolerância, imparcialidade, entre tantos outros defeitos, tipicamente humanos.

Outra máxima que todos adoram: Deus é amor! E o que é o amor? Devo amar somente os que pensam como eu penso? Devo amar somente os que professam da mesma crença que eu professo? Devo amar só os brancos? Só os heterossexuais? Isso não seria um critério bem deturpado da outra máxima, “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Já que todos gostam de pegar trechos da Bíblia para se justificar das suas escolhas, resolvi fazer o mesmo.

Pelo que me lembro da Bíblia, das minhas lições da época de catequese, Jesus sempre condenou a hipocrisia, andava entre pessoas de todos os tipos, não  fez qualquer discriminação por crença, raça, opção ou comportamento sexual ou de qualquer outro tipo, pelo contrário, sempre os acolheu e os protegeu, tanto é verdade que o ápice do seu momento derradeiro foi entre dois ladrões condenados. Sim, isso mesmo,  ele não escolheu morrer entre clérigos, religiosos ou qualquer outro, ele morreu entre ladrões condenados. Quero crer que isso foi uma atitude significante e creio que ele quis deixar, talvez, uma última mensagem a humanidade, que a meu ver é a do perdão, a da simplicidade, a do não julgamento, a da tolerância.

O que quero dizer e o que penso é que a religião, a Bíblia ou qualquer outro ensinamento não pode ser a desculpa para esconder nossas imperfeições, sejam elas quais forem e o que observo nos últimos tempos é que a religião se tornou um instrumento de intolerância, de crueldade, de selvageria e de crucificação por qualquer motivo. Você pode não concordar e nem precisa, mas pelo menos pense. Será que o Deus bondoso está feliz com todo o rancor que Ele anda sondando nos corações dos seus filhos?  Será que Ele realmente vai ficar do alto do seu trono somente nos condenando ou absolvendo? Quero acreditar que Deus é mais do que esse ser mesquinho, raivoso e preconceituoso em que o transformaram, porque se Ele for só isso, então estou mudando meu status para “Ateu”.

Eu vejo pessoas o tempo todo copiando pedaços de trechos sagrados para justificar suas atitudes, mas copiar ou citar não diz nada, pelo menos para mim. Sabe o que acho que importa? O que está em seu coração! Quando alguém te fizer uma pergunta ou um questionamento, não responda com uma citação da Bíblia, responda com o que seu coração acha, pois isso vai mostrar os sentimentos que lá dentro se encontram, que pelo que ando observando, pelo menos para a grande maioria, é tão somente a raiva, o ódio disfarçado por muitos discursos hipócritas, mas tirando o véu, só vão sobrar o ódio e a raiva, sentimentos que entendo, são totalmente contraditórios ao que eu entendo como Deus.

Eu realmente acredito que o problema não é a religião, como muitos pregam, pois a religião é tão somente o instrumento, culpar a religião pela intolerância, seria mais ou menos como culpar uma faca por um assassinato. Novamente, o problema é que o ser humano se distanciou do verdadeiro amor e criou a religião à moda da casa, ou seja, cada um montou a sua, impondo seus pontos de vista e deu uma maquiada com a imagem de Deus. Por qual motivo precisamos de tantas crenças se o ensinamento é único? Aliás, por que precisamos de uma crença se qualquer um pode ler e entender o que está escrito? Porque nem todos querem pensar, talvez seja uma resposta e, novamente, não é uma crítica, é o meu ponto de vista, por isso, se você teve paciência para ler até aqui, independente da sua religião, pense por si próprio, não tenha vergonha ou medo de questionar seus sentimentos e ações, Deus não vai te punir por isso, aliás, por nada, quem pune são os homens e nossas próprias consciências, nada mais.

Resolvi escrever esse texto diante das últimas polêmicas, mas não pela polêmica em si, mas por uma angústia que me consome há muito tempo, por uma angústia em ver que as pessoas ainda estão arraigadas a conceitos milenares, escritos numa época em que a barbárie tomava conta da humanidade e, diante disso, temos duas situações: ou aceitamos que está na hora de rever alguns conceitos ou aceitamos que ainda continuamos na barbárie.

Observo uma insegurança muito grande nos argumentos, medo, até desespero mesmo, pois quando você começa a questionar muito, alguns apelam, partem para as ofensas pessoais e, para mim, isso só demonstra que os argumentos acabaram e só sobrou o medo, a dúvida e, portanto, a agressão, como forma de disfarçar esses sentimentos. Não estou incentivando o fim das religiões, não estou dizendo que sua religião é melhor ou pior, nada disso, só estou dizendo que religião alguma tem o direito de fazer com que você não pense e não tenha suas próprias conclusões, mas isso é só o que eu penso e você é livre para pensar o que quiser e vou respeitar, mesmo não concordando, mas vou respeitar, coisa que vejo e afirmo categoricamente, muitos ditos cristãos não o fazem. Respeito não é concordância, é simplesmente ouvir outro ponto de vista diferente do seu e, se você sequer consegue ouvir, sequer consegue pensar em nada diferente daquilo que você tem como convicção, cuidado, esse é um pequeno passo para o caminho da grande intolerância que estamos assistindo todos os dias, que todos nós queremos mudar, mas que poucos realmente mudam.

Não concorda? Direito seu e isso não é só para esse texto, é para qualquer situação da vida, mas lembre-se, as outras pessoas também tem o mesmo direito que lhe foi concedido, ou seja, o de não concordar com o SEU ponto de vista, que para você pode ser o melhor, o mais perfeito, o único, talvez, mas é SÓ o seu ponto de vista e, talvez para mim, ele também não faça sentido algum, assim como esse meu texto, para você, pode não significar nada ou até ser um completo absurdo.

As pessoas criaram um Deus tão distante, tão inalcançável e creio que essa seja uma das causas de tantas angústias, pois o ser humano precisa da religiosidade, que nada tem a ver com religião, precisamos de significados, de símbolos, de algo que nos remeta ao superior. Já parou para pensar que Deus pode estar ai ao seu lado? Se ele se manifesta em toda sua criação, ele também está naquela pessoa que você pode estar xingando, condenando e até utilizando o próprio nome de Deus para fazer isso. Só pense nisso, um pouquinho só.

Sou daqueles que não consegue se calar diante de uma injustiça, defendo meus ideais, mas nem por isso saio ofendendo, mas também não sou tão elevado ao ponto de dar a outra face como resposta, não cheguei a esse nível de evolução, portanto, se quiser discutir baseado em fatos e argumentos, senta ai vamos conversar, talvez até pessoalmente, porque não? Agora, se vier ofender, chamar de ignorante, estúpido e outros adjetivos que já li, desculpa mas não tenho paciência para você e nem acho que tenho que ter. Discutimos ideias, pontos de vista, divergências de opiniões, pois isso é saudável, mas nunca ofensas! Vá cuidar dos seus medos e depois voltamos a conversar.

Termino com uma frase que expressa bem minha forma de pensar, talvez resuma muito daquilo que escrevi: não tenho medo das dúvidas, tenho medo das certezas!

 

 

 

 

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