Dia dos Professores – O que comemorar?

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O Dia dos Professores é mais ou menos como o Natal, onde todos ficam mais emotivos, sabem que precisam promover mais o amor, a paz, a fraternidade etc e tal. No dia dos professores não é muito diferente, é aquele dia ou semana onde todos os canais de comunicação fazem homenagens, os professores recebem malas diretas das editoras, alguns políticos fazem discursos ressaltando o papel e a importância do professor para o país, mas é isso, é só isso, pois no dia 16 de outubro, ninguém mais lembra.

Vou ressaltar aqui a Educação como um todo, pois o professor é um dos agentes desse processo tão sofrido e relegado. Recentemente, para comemorarmos o dia dos professores, o Estado de São Paulo anunciou o fechamento de inúmeras escolas e, num relatório ainda deste ano, divulgado pela  Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ocupa a 60º posição entre os 76 países listados. Das seis metas mundiais para a Educação, definidas pela UNESCO, há quinze anos, cumprimos duas e assim caminhamos.

Existe outra situação que faz com que os professores sejam lembrados fora do dia 15 de outubro, que é quando eles resolvem fazer greve. Pronto, todo mundo volta a lembrar desse personagem, principalmente os alunos prejudicados pela ausência de aulas, os pais revoltados porque os filhos não podem estudar, a mídia fazendo o jogo do equilíbrio, alegando que os professores são desvalorizados, mas que os alunos não podem ser prejudicados e aquele velho discurso de sempre. O que acho extremamente curioso é que todos os revoltados pela falta de aula, via de regra, só ficam revoltados quando os professores estão em greve, pois quando estão em sala de aula, os professores tornam-se invisíveis, imperceptíveis aos olhos da grande maioria, que acham que todas as aulas são chatas, que o professor não tem didática e mais blá, blá, blá. Acabou a greve? Nossa, não é que aquela vontade absurda de estudar também passou! Acho que vou faltar hoje!

Quero chamar a atenção para uma questão muito mais profunda, não vou entrar nos detalhes didáticos e metodológicos, mas é um fato que se existe uma profissão desvalorizada e estigmatizada é a do professor. Quer um exemplo? O velho ditado de que “quem sabe, faz e quem não sabe, vai dar aula”. Partimos do pressuposto de que a pessoa que escolheu ser professor, só o é porque não teve competência para outra coisa e nem venha dizer que não é assim porque é, ouvimos isso a vida toda. Mais um exemplo para reforçar? Eu tenho. Em sala de aula, que atire o primeiro giz o professor que nunca ouviu a pergunta: “professor, o senhor também trabalha ou só da aula?”. Quer dizer, dar aula não é trabalho? Ser professor não é profissão?

Um fato que também me deixa curioso são os técnicos de futebol que são chamados de professores, mas os professores são chamados de tios e tias e alguns outros adjetivos menos dignos. Quer mesmo ser chamado de professor? Comece tentando viver com o salário de um! Não estou dizendo que o salário de um técnico não seja justo, não me compete julgar isso, mas para fazer valer sua vontade de ser professor, viva como um exemplar da espécie. Não vale citar os super salários de uma meia dúzia de professores de Federais e Estaduais, pois eles não representam nem 0,000001% da categoria.

Existem professores despreparados? Claro que sim, como em qualquer profissão. Nesse ponto também chamo a atenção para o que a indústria da educação faz. Não escrevi errado, é indústria mesmo, pois a produção de diplomas em massa nunca foi tão grande, assemelhando-se a uma linha de produção que daria inveja a qualquer Fordista ou Taylorista. Como esperar grandes qualificações com o salário ofertado aos professores? Como esperar qualidade numa sala com 150 alunos? Segundo as máquinas de fazer diploma isso é culpa do professor, que não se adequou ou desenvolveu um meio de lidar com sua turma, que não tem uma didática interessante para prender a atenção dos 150 queridos alunos que estão sufocados dentro de uma sala de aula mal ventilada. Esses professores, com frequência, são chamados de preguiçosos, de não vestirem a camisa da empresa e o são, assim chamados, pela alta gestão desses antros “educacionais”.

E antes que já comece a conversa de que a culpa também é só da política, pode parar. Comece fazendo sua parte, vá para a escola ou faculdade para realmente aprender, deixe as brincadeiras tolas para outro momento, assuma seu papel no processo de educação, pois não sei se já te falaram, mas você também é responsável pelo seu aprendizado.

As homenagens podem até ser bonitinhas, mas você já ouviu a famosa frase “bonitinha, mas ordinária”? É a própria situação, pode ser bonitinho, simpático, mas não servem para absolutamente nada, portanto, chega de discurso e frases sem sentido ou, que sejam, frases de efeito, precisamos é do real efeito da Educação, pois é ela e tão somente ela, que realmente vai transformar e mudar esse país.

Aos colegas de profissão, coragem e determinação, pois é isso que nos move, a esperança de um futuro melhor, ainda que pareça tão distante da realidade, mas é o que nos impulsiona a superar todas as dificuldades e ir para a sala de aula com a vontade de fazer a diferença, de promover a transformação, que seja de um único aluno, mas já terá valido à pena.

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