O silêncio

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Eu gosto do silêncio, embora faça algumas décadas que não consiga ter sua companhia, mas sinto sua falta, sua presença me é agradável.

Tem horas que acredito que as pessoas falam demais, fazem barulho demais e, como já diz o poeta: “fala demais por não ter nada a dizer”. Sou uma pessoa introspectiva, sempre fui e tenho certeza, sempre serei, falo pouco e algumas vezes até sou cobrado por isso, mas é meu jeito. É bem verdade que o silêncio externo nem sempre reflete a calma interior e, em algumas situações, o silêncio externo ocorre tão somente por não encontrar uma forma de expressar as tempestades internas.

Recorro as palavras, as palavras têm esse dom, são silenciosas, são delicadas, embora duras, gritam de forma silenciosa e foi a maneira como me encontrei. Ao contrário do barulho, que chega a qualquer um, as palavras chegam a quem realmente contigo se importa, pois é necessário que o outro tenha um gesto de desprendimento e, voluntariamente, dedique alguns minutos do dia a você, coisa que nem sempre é possível com o verbo, pois embora a pessoa te ouça, nem sempre ela te escuta. Sou um admirador incondicional das palavras.

Acredito que pessoas barulhentas são aquelas que não encontraram outras formas para gritar o que lhes vai a alma e lançam mãos do recurso que tem, afinal, de uma forma ou de outra, sempre encontraremos um jeito de expressar aquilo que sentimos, alguns gritando, outros escrevendo, outros agredindo e, dessa forma, a vida segue.

Prefiro o silêncio, o barulho me incomoda, me inquieta e na minha opinião é a pior forma de expressão, pois entre tantos barulhos, há muitos ruídos de comunicação e todos falam e ninguém se entende. Se puder dar uma dica, não que minha verdade tenha que ser seguida, mas ouça mais, silencie, minimize os sons externos e ouça mais seu eu, não fuja dele, pois normalmente o que se quer com tanto barulho é abafar os gritos da nossa própria alma, mas isso é impossível, pois eles não estão nos nossos ouvidos, estão na nossa mente e não há barulho que abafe isso. A única coisa que consegue abafar nossos gritos internos é o silêncio da mente.

Tenho saudade de ouvir o barulho dos pássaros, dos grilos, da chuva no telhado numa noite qualquer, enfim, tenho saudades do barulho da vida na sua forma mais simples e natural, tenho saudades de ouvir o universo que em mim habita. Coisas que acabam, na correria do dia-a-dia, ficando de lado, até que venha uma doença e te traga de volta à realidade…

Sons da Natureza – Para relaxar um pouco..

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