Onde nos perdemos?

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Já começo dizendo que não faço ideia da resposta, não tenho pretensão de saber, mas penso que vale uma reflexão sobre o assunto.

Não tenho dúvida nenhuma de que vivenciamos um momento histórico: o momento onde a estupidez supera o bom senso, um momento onde o mau caratismo é venerado e o correto é chato. Não falo da onda do “politicamente correto” que impera, que também é um saco, mas sim, do senso comum da moral e da ética, que se perdeu. Fico, muitas vezes, me questionando onde tudo isso começou e, pior ainda, como deixamos as coisas chegarem a esse ponto? Mas dá para piorar, além de termos deixado chegar ao ponto que chegou, o que vamos fazer para sair disso? Novamente, não tenho respostas simples, sequer sei se tenho respostas, apenas conjecturas.

Umberto Eco, grande escritor e intelectual italiano, infelizmente falecido recentemente, tem uma frase memorável: “O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. Ok, pode ser que eu seja somente mais um desses idiotas, mas as coisas que lemos ultimamente nos fazem questionar o processo de evolução da humanidade. Sempre penso que se a pessoa que escreveu tamanha imbecilidade foi o espermatozoide mais esperto, tenho medo de pensar no que seria o mais lerdo. Já escrevi um texto sobre isso, portanto, não vou repeti-lo aqui, apenas como contextualização.

O fato é que, com a facilidade de divulgar informações, a veracidade delas tornou-se totalmente irrelevante, tanto faz se a informação é verdadeira ou falsa, o importante é replicá-la, até porque, “uma mentira contada muitas vezes, se torna verdade”, frase essa dita por Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Adolf Hitler.

Para que serve toda informação que temos? A grande maioria para nada! Uma informação só é relevante e útil quando se transforma em conhecimento, que pode ser entendido como a aplicação prática, a interiorização dessa informação e a sua transformação em algo relevante. Fato esse que não vemos, ao menos, na grande maioria das situações do cotidiano.

Hoje qualquer imbecil emite uma opinião estúpida e, em questão de pouco tempo, essa estupidez ganha um alcance imprevisível. Na verdade, a impressão é que, quanto mais estúpido for, melhor, mais divulgado será. Quando o assunto é sério, ninguém lê, é chato, é “textão”, como esse, por exemplo.

Algumas palavras viraram mantra, são repetidas sem qualquer valor, pois são empregadas porque são palavras da moda, como o empoderamento, por exemplo. O que é empoderar alguém? Defina o termo, viva o termo, dê condições ao indivíduo para que ele sinta esse poder! Falar por falar é bonito, é da moda, te deixa cult, mas ser cult nesse antro de idiotice que vivemos, talvez não signifique muita coisa.

Na minha míope visão, a solução para todos os problemas que vivemos atualmente está longe de ser simples e rápida, precisa antes de qualquer modismo patético, passar por um longo, conciso e eficiente processo de Educação, que jamais ocorrerá pela repetição de mantras em redes sociais, que jamais se concretizará por dancinhas de protesto. Investindo muito em Educação hoje, na melhor das hipóteses, a curto prazo, teremos resultados positivos em 50 anos. Qualquer previsão mais otimista é, na verdade, utópica, demagógica ou meramente política.

Mas, no movimento contrário a esse processo conciso de Educação, o que vemos? Uma geração de alienados. Sim, não tenho qualquer receio de expor minha opinião e você pode não concordar com ela, mas as últimas “manifestações políticas” deixam isso claro. Pessoas protestando sem sequer saber contra quem ou contra o quê! É modinha, só isso, e como toda modinha, passa e o velho padrão se reestabelece. Qual é o velho padrão? A política do “sou vítima”, o “governo não me ajuda” e muitos outros clichês que se perpetuaram e viraram religião.

Quem me conhece sabe o quanto critico nossas políticas públicas, o quanto elas são ineficientes, mas também não engulo esse papo de vitimismo social. Não aceita sua posição social? Ótimo, dou a maior força e sou o primeiro a te apoiar para que você se rebele e lute pelos seus direitos, mas não através de esmolas sociais, você não merece esmolas do governo, você merece uma educação de qualidade, que atenda a todos, indiscriminadamente, que lhe dê condições para ser quem você quiser ser e, tão somente assim, você será livre e terá o que é seu!

O que me deixa muito preocupado é que estamos criando uma geração de dependentes. Dependentes sociais, emocionais e financeiros. Como esperar que a situação mude? Precisamos abolir urgentemente essa cultura da esmola. Entenda, uma coisa é uma ajuda momentânea, numa situação excepcional e nunca serei contra isso, mas manter o indivíduo preso a uma vida de assistencialismo é uma das maiores crueldades que se pode fazer com a liberdade de uma pessoa, pois você aprisiona os seus sonhos, os seus objetivos, a sua vida e isso é extremamente perverso e cruel, no entanto, bastante viável quando se pensa em populismo político.

Começo esse meu textão, que poucos vão ler, questionando onde nos perdemos. Certamente quando deixamos de ver a Educação como prioridade absoluta. Do mesmo jeito que investindo maciçamente em educação, só teremos resultado a médio e longo prazo, o movimento contrário também acontece. Quando a deixamos de lado, com o passar do tempo, as gerações vão se empobrecendo em conhecimento, em habilidades pessoais e técnicas, em resumo, vão se tornando ignorantes, no sentido mais literal possível. É isso que vemos todos os dias e, caso tenha alguma dúvida, abra qualquer notícia da Internet e veja os comentários feitos pelos leitores.

Como também falei, pelo menos, do meu ponto de vista, não existe uma resposta ou solução simples e, talvez, o primeiro passo para uma grande mudança seja parar de acreditar em populismo partidário, em aceitar que o processo é longo e penoso, portanto, quanto antes iniciado, melhor.

 

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