Dia dos Professores

Nesse dia dos professores, relutei um pouco entre escrever ou não, mas já perceberam o resultado, certo?

Essa data, via de regra, serve para alguns programas televisivos fazerem homenagens, promoverem algumas lágrimas de emoção, mas e depois? Amanhã, dia 16 de outubro, como estarão os professores ao retomarem suas rotinas?

As homenagens são válidas, são bonitas, mas na prática, não servem para muita coisa. Em pouco mais de uma década lecionando, já vi e ouvi muitas coisas que me marcaram, tanto positiva, quanto negativamente.

É muito triste ver como os governos e a própria sociedade tratam os professores. Uma das coisas que me marcaram negativamente, foi ouvir de um diretor de faculdade, que via de regra, professores são os que não deram certo em nada e aí resolveram virar professor. Já ouvi isso de outras pessoas também.

Torcemos para o futuro do país, mas como acreditar nesse futuro, se os agentes transformadores são tidos como fracassados? Qual seria esse futuro, senão, fatalmente o fracasso?

É muito comum a culpa recair sobre o Estado, que naturalmente, tem sim muita responsabilidade sobre o caos que se encontra nossa Educação, mas a sociedade, como um todo, também tem. Nossa sociedade, em boa parte,  não valoriza o profissional que é o responsável por formar todos os demais profissionais!

Essa fala, ouvida várias vezes, me marcou sim, tanto por expressar os sentimentos de parte da sociedade, quanto das próprias instituições de ensino, mas também marcou por expressar a ignorância de quem as pronuncia, afinal, se os professores são fracassados, o que seriam essas pessoas, senão também um completo fracasso?

Menosprezar os professores é menosprezar a si mesmo, no entanto, esses seres supremos pronunciam suas sentenças como se já tivessem nascido prontos.

É natural que existam maus profissionais também na área de educação, ela não é imune, como qualquer outra, mas também toda generalização é estúpida e só escancara a ignorância de quem a pronuncia.

Já fomos massacrados e menosprezados por governadores, ministros de Estado, instituições e pela própria sociedade, mas resistimos e sabe por quê? Porque, assim como já ironizaram um governador e um ministro da educação, que o professor tem que trabalhar por amor, porque se quiser ganhar dinheiro, tem que ir para outra área, realmente fazemos nosso trabalho por amor!

É claro que a justa remuneração dignifica o trabalho, mas não é só isso. O que nos move e nos motiva é o sentimento de transformação, o sentimento de querer deixar um mundo melhor para os que depois vierem.

Recentemente, uma peça publicitária, de uma instituição de ensino gigantesca, gerou revolta e, posteriormente, um pedido de desculpas, ao insinuar que as pessoas poderiam ter uma formação docente para aumentar a renda, para fazer “um bico”.

Particularmente, não acredito muito nessa história de lecionar por dinheiro, pois se o objetivo maior fosse esse, era melhor se candidatar a um cargo de deputado ou senador, quiçá presidente, pois esses não precisam estudar, fazer especializações e muito menos enfrentar salas de aula com mais de cem alunos para ganhar mensalmente o que um político ganha só com o reembolso de cafezinho ou o auxílio paletó!

O que nos move vai muito além do dinheiro. O que nos deixa realizados pessoal e profissionalmente, não são malas recheadas de dólares, mas sim, quando um ex-aluno encontra com você, anos depois e te agradece, fala que você o inspirou e que suas aulas, além do conteúdo didático, o ajudaram em suas vidas. Quando a relação aluno-professor sai dos limites da sala de aula e se torna uma amizade e uma relação de confiança, quando um dia, do nada, você recebe uma mensagem de carinho e de gratidão. Sim, é isso que faz tudo valer à pena!

Mantenho a esperança de que um dia a valorização da Educação e do Professor extrapole os discursos vazios das campanhas eleitorais, mantenho a esperança de que a Educação é a única saída para o caos em que nos encontramos mergulhados e continuarei a fazer a minha parte, minúscula que seja, no esforço contínuo de transformar o mundo em que vivemos.

Podemos até carregar o rótulo de fracassados, por parte de alguns, mas ao deitar a cabeça no travesseiro, teremos a consciência de que o nosso trabalho é honesto e de que a grande contravenção que cometemos, é a de levantar a voz contra um sistema podre e falido e a de tentar construir um mundo mais digno.

Parabéns, professores! Minha eterna gratidão a todos os grandes mestres que tive e a todos os que ainda terei, vocês ajudaram a construir um pouco daquilo que sou e ainda serei.

 




Educação como única solução possível

Que a situação atual está longe de ser boa, creio que não seja dúvida para ninguém, mas como mudar esse cenário nefasto? Como pensar num futuro menos sombrio? Será que tem jeito?

Tem sim, mas não é uma solução fácil, essa mudança não se dará por um decreto ou por uma medida provisória. A solução para esse caos é única e, embora seja uma medida a médio e longo prazo, é a única possível. Estou falando da Educação.

O que vou expor a seguir é tão somente o meu ponto de vista, que não é somente meu, é claro, mas é aquilo que acredito, é minha convicção.

Nossa Constituição, que em teoria é perfeita, diz no Artigo 205, que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. ”

Para mim toda a Constituição poderia ser resumida nesse artigo, pois se somente ele fosse aplicado plenamente, não teríamos praticamente nenhum dos estúpidos problemas que nos atingem, a começar pelo deplorável Congresso Nacional e o tacanho Chefe de Estado que nos dirige, muito menos nossa Suprema Corte, que é uma vergonha e uma afronta a própria Constituição.

Um povo educado é perigoso, pois segundo a definição da própria Constituição, toda pessoa educada é plenamente desenvolvida, preparada para exercer a cidadania e qualificada para o trabalho.

Vamos detalhar um pouco cada um desses pontos: um cidadão plenamente desenvolvido não aceitaria, de forma alguma, as condições sub-humanas a que milhares de brasileiros estão submetidos.

Esmiuçando esse conceito do ser humano plenamente desenvolvido, vou me amparar no psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow, que criou uma teoria amplamente estudada no mundo todo, chamada comumente de Pirâmide das Necessidades de Maslow. Nesse estudo, Maslow classifica as necessidades humanas em cinco categorias, sendo elas: as necessidades fisiológicas, necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidade de status ou estima e, por último, a necessidade de autorrealização.

Não vou me estender em cada uma das etapas, mas resumindo, elas vão das realizações das necessidades mais primitivas do ser humano, como as necessidades físicas, como fome, por exemplo, até o estágio pleno, onde o indivíduo tem o controle das suas ações, da sua independência e da sua capacidade de fazer aquilo que gosta e no qual se realiza.

Acho que essa breve explicação da teoria de Maslow é mais que suficiente para chegarmos à conclusão de que não atingimos o desenvolvimento pleno, aliás, estamos muito longe disso.

Indo para o segundo item, que é o preparo para o exercício da cidadania. Eu acredito que seria impossível e mesmo contraditório, afirmar que a pessoa está preparada para exercer sua cidadania se ele sequer conseguiu atingir as necessidades básicas.  O exercício da cidadania implica nos direitos e deveres civis, ou seja, aquilo que nos compete diretamente. São exemplos simples de cidadania: não jogar lixo na rua, respeitar as leis de trânsito, mas também o respeito aos direitos do outro, no zelo pelo bem comum, entre tantos outros. Creio que também seja desnecessário me alongar nesse item.

Falando do último item, que aborda a qualificação para o trabalho, vou apenas citar que o Brasil possui algo em torno de 14 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever. Esse número é superior a toda população de Portugal, por exemplo. A propósito, esse é o mesmo número que temos de desempregados. Não estou dizendo que todos os analfabetos estão desempregados, mas é óbvio que existe uma relação direta entre esses indicativos sociais.

Temos pessoas altamente qualificadas e desempregadas, mas é natural que para a população de baixa escolaridade, esse índice é muito mais cruel, pois para estes normalmente estão disponíveis os trabalhos mais simples e manuais, trabalhos estes que estão cada vez mais sendo executados por máquinas.

E não, a culpa não é das máquinas, mas da baixa qualificação das pessoas. Todo país desenvolvido investe maciçamente em educação, em qualificação, em pesquisa e na produção do conhecimento. O que vemos em nosso país? Escolas sucateadas, faculdades sem recursos para manter sequer as atividades básicas, corte de verbas em pesquisas e inovações e segue a lista sem fim do descaso do Estado para com o item que deveria ser a prioridade máxima desse país!

O governo promove o sucateamento descarado do ensino e, ao mesmo tempo, vemos redes de faculdades particulares promovendo a segunda graduação, na modalidade de licenciatura, como uma oportunidade de segunda renda, ou seja, a profissão de professor se transformou num bico! É assim que tratamos o que temos de mais importante, como um bico!

A realidade é bem essa mesmo e a coisa é tão crítica que os próprios alunos costumam fazer a clássica pergunta: “Professor, mas você só dá aula ou também trabalha? ”. Perdi as contas de quantas vezes ouvi isso. O problema também não é do aluno, mas sim, da nossa própria sociedade, que sequer mais considera a docência como uma profissão digna, uma profissão como qualquer outra.

Nossa realidade é triste, é crítica e, racionalmente falando, está longe de uma solução rápida, pois volto e insisto, a única solução concreta para mudar esse cenário é um investimento sério em Educação, começando pela valorização dos professores, resgatando o orgulho perdido pela atividade docente.

A Educação tem o poder de diminuir as desigualdades sociais, ao proporcionar condições de igualdade no mercado de trabalho. A Educação acaba com a dependência do Estado, pois dá a cada cidadão condições de buscar seu próprio meio de sobrevivência e de realização pessoal.

 Podemos traçar um paralelo até mesmo com um ensinamento bíblico, pois a Educação se assemelha da máxima de “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Não sou contra o assistencialismo, se a pessoa está passando fome, ela tem o direito de ter o que comer e, nesse aspecto, os programas sociais tem sua importância, mas não se pode criar uma nova modalidade de escravidão com os benefícios sociais, pois isso é muito mais cruel do que os antigos troncos!

A Lei Áurea libertou-nos da escravidão física, já a Educação vem nos libertar da escravidão moral e emocional, vem dar a cada cidadão o direito de fazer seu próprio caminho. A liberdade sem o conhecimento não é plena, pois você pode até cortar as correntes que prendem o corpo ao tronco, mas as amarras da alma ainda continuam lá.

Entendeu porque o Governo não tem interesse em investir em Educação? Ela é perigosa, porque ela liberta. Um povo pensante é a arma que nenhum Governo corrupto quer enfrentar!

Que País é Esse?- Legião Urbana




Educar

Educar é amar
Educar é sentir
Educar é deixar partir
Partir não por não se importar
Partir por libertar das velhas crenças rumo ao novo
Educar é buscar o inusitado, sem ser insultado por teorias questionar
Sem medo de errar, sem medo de estagnar, apenas questionar
Questionar a vida, questionar o próprio saber
Questionar é viver
Porque questionar não é se rebelar, é se libertar, é desabrochar
Professor, educador, tutor, mestre ou doutor, seja lá o que for
Mas por onde for, semeie o ardor inquietador do pensador
A inquietação que leva a reflexão, a paixão de saber cada vez mais
Saber é crer
Crer que sempre há mais o que aprender, viver, espairecer
Quem somente aprende a se conter, bom aprendiz não pode ser
Rebele-se, revele-se, jamais baixe o nariz
Não por petulância, mas por refutar a ignorância
Por isso deixe de implicância e veja a importância
Não deixe a desejar, aprenda educar
Não tem como errar
Basta se emocionar
Se importar
Amar




Desafios da Educação no Brasil

Agora ela volta para a modinha, todo candidato que se preza adora falar em Educação e ela é sempre uma das principais bandeiras defendidas, apontada como salvação, eleita como prioridade absoluta, pena que tudo isso só dure até o resultado das urnas.

Quais são os principais desafios da Educação no Brasil? São muitos, em vários aspectos, mas acredito que o principal deles é acabar com esse “pacto da mediocridade”. Sim, ele existe, de forma velada, praticamente um tabu, mas ele é uma realidade e qualquer professor sabe disso, basta ter atuado em qualquer segmento de ensino, principalmente no privado, para ver que isso não é uma lenda, mas sim a dura e intragável “política” que rege a grande maioria das Instituições.

Mas o que é, afinal, esse pacto? É muito simples, basta olhar para todo nosso sistema de ensino para compreendê-lo. Nossos jovens saem das salas de aula com um despreparo gigantesco, novamente, salvo raríssimas exceções, mas a grande maioria é exatamente isso. Formamos, todos os anos, incontáveis analfabetos funcionais e falamos que isso é Educação. Perante aos órgãos de controle, melhoramos, pois demos oportunidades a todos, o acesso à Educação está mais democrático, o que é fato, mas a qual preço?

De que adianta um diploma sem conhecimento? Nada. Já ouvi, ao longo da minha carreira, colocações absurdas, do tipo “os alunos estão aqui para comprar o diploma, nós estamos aqui para vender e espero que os professores não atrapalhem essa negociação”. É triste, é duro ler algo do tipo, mas pior ainda é saber que essa é uma prática comum, a prática da indústria da educação, que produz mão de obra em série para o mercado, mão de obra essa, por sua vez, muito mal qualificada.

Precisamos de um maciço investimento em Educação, mas um investimento real e não somente em alguns equipamentos que ficarão defasados em pouco tempo, precisamos da qualificação humana, da formação profissional e também da tecnologia, pois quando esses dois fatores se juntam, é inevitável uma situação: o país se desenvolve! É praticamente impossível pensar no desenvolvimento de um país sem pensar no seu desenvolvimento tecnológico, pois a alta tecnologia demanda mão de obra altamente qualificada, que por sua vez, demanda um ensino de muita qualidade que, como resultado óbvio, irá produzir mais tecnologia e, dessa forma, entramos num círculo virtuoso e a consequência natural será o progresso.

E se você é daqueles que pensa que a tecnologia vai acabar com o emprego, melhor repensar seus conceitos também, pois esse é um temor que existe há séculos. O que aconteceu na Revolução Industrial, senão exatamente isso? Qual era o temor da época? O de que as máquinas iriam substituir a mão de obra e o desemprego seria gigantesco. Vamos partir da lógica inversa, ainda sequer temos toda essa tecnologia, ao menos em nosso país, e nosso índice de desemprego é um dos maiores da história. Culpa da tecnologia? Não, culpa da baixa e precária qualidade de Ensino, culpa desse pacto da mediocridade.

Quais notícias vemos constantemente? A de que faltam profissionais qualificados! Se formamos tantas pessoas por ano e se esse sistema de ensino funcionasse, concordam que não teríamos tanta falta de qualificação? Algo está errado, algo não funciona nisso tudo e todos nós estamos pagando um preço muito alto para sustentar essa farsa gigantesca. Quase 12 milhões de desempregados sentem na pele o reflexo dessa farsa.

É óbvio que existem muitos fatores que contribuem para a atual situação calamitosa, que existe sim e pare com esse mantra de que não tem crise, pois isso não vai resolver o problema dos 12 milhões de desempregados. Outro grande problema nosso, sempre negar fatos! Como ignorar uma cifra dessa magnitude? Delírio? Enfim, uma área que não nos interessa nesse texto.

O fato público e notório: nosso sistema de Ensino é falido e não funciona! Assim como segurança, saúde, mas hoje estamos falando do Ensino. Enquanto a Educação for pauta somente de campanhas políticas, nunca sairemos do lamaçal que nos encontramos, continuaremos afogados em nossa própria incompetência e omissão. Começamos e entrar em colapso quando começamos a dizer aos nossos alunos que eles não poderiam ser traumatizados com correções, quando começamos a tirar do professor a autonomia e a autoridade em sala de aula, quando começamos a vitimizar os coitadinhos que são perseguidos por professores cruéis. Uma situação curiosa: quando um técnico esportivo cobra pesado do seu atleta e ele somente está preparando a pessoa para ser um atleta de alto rendimento, um campeão, mas ai do professor se ousar cobrar alguma coisa na sala de aula, é carrasco, não tem metodologia, não sabe ensinar e blá, blá, blá.

Lembra do pacto da mediocridade? Fizeram você praticá-lo, talvez até sem perceber, mas o trabalho foi bem feito. Sabe aquele papo de que o professor não pode corrigir o aluno porque isso pode gerar traumas? Só uma pergunta, como você está vivo até hoje? Todo ser humano saudável deve saber lidar com frustrações, elas fazem parte da nossa vida, você nunca vai conseguir não passar por nenhuma, a menos que nasça e morra dentro de uma bolha de vidro.  Nos frustramos na vida pessoal, profissional, mas sobrevivemos, pois é isso que acontece com qualquer pessoa mentalmente saudável! Acredite, as correções dos professores são as que menos trauma causam numa pessoa, quem dera todos os problemas da humanidade fossem esses.

A falta de habilidade em lidar com situações frustrantes marcou uma geração e sei que serei criticado aqui novamente, mas a tão famosa geração Y faz parte dessa geração que não sabe ouvir um NÃO, não consegue lidar com uma contrariedade, não entende questões simples de hierarquia, pois acha que tudo pode, que tudo lhe é permitido e devido e que ela não deve explicações a ninguém, pelo contrário, que o mundo lhe deve reverências e desculpas. Pobres mortais…

A geração Y tem qualidades sim, mas também precisa baixar um pouco a bola! É fato que possuem uma habilidade natural para lidar com o novo e a criatividade, mas respeito é algo que não sai de moda nunca. As empresas têm regras, a sociedade tem regras e acredite, essa não é uma geração iluminada e que está isenta e imune a tudo isso, essa foi uma grande mentira que contaram e que, na minha opinião, vai causar um trauma muito maior do que a correção do professor, do que uma chamadinha de atenção de vez em quando.

Como usar todo o potencial dessa geração? Fazendo-os acreditar que eles têm sim um poder nas mãos, mas não o poder de fazer todos se curvarem em reverência, mas sim o poder de uma transformação criativa, pois isso a geração Y tem muito, mas é pouco explorada. Fazendo agora uma ponte entre educação e a nova geração, vejo que estamos trabalhando com abismos, muitos professores e instituições ainda ensinando da forma como se fazia há séculos e pessoas com um alto rendimento e uma criatividade muito grande, mas que naturalmente, não se encaixam no mesmo lugar.

Repensando a Educação e suas metodologias, já passou da hora do sistema de ensino se preocupar somente em formar mão de obra, pois isso é linha de produção e tudo o que é feito em linha de produção, pode ser feito e substituído por máquinas. Talvez isso justifique o medo de muitos, de ser substituídos por máquinas e, sem dúvidas, acabarão sendo mesmo, caso não mudem a forma de agir. Ao menos por enquanto, o que nenhuma máquina consegue substituir é capacidade criativa e é nesse ponto que temos que agir. Ao invés de formar linha de produção, vamos investir no novo, na criação, na alta capacidade que está nas mãos dessa geração que tem tamanha facilidade.

Como fazer isso? Bom seria se houvessem respostas simples e fáceis, tudo isso faz parte de uma reestruturação de base, mas um bom começo seria todo aluno ser estimulado, desde muito cedo, a ser empreendedor. A geração Y e as que virão terão cada vez mais dificuldades de se adaptar a esse modelo, talvez porque realmente elas não sejam feitas para esse modelo, mas se não soubermos direcionar essa energia criativa, teremos somente cada vez mais conflitos. Projetos de Empresa Jr, na minha opinião, deveriam fazer parte dos Projetos Pedagógicos de toda Instituição de Ensino Técnico, Tecnológico e Superior, além de ser matéria obrigatória no ensino fundamental e médio, pois essa é a maneira de começarmos a reescrever a forma de ensinar e aprender, que não será mais a linha de produção, mas a da criação de ideias, das inovações e é somente com isso que sairemos do atual estado letárgico, pois fazendo sempre as mesmas coisas, teremos sempre os mesmos resultados e isso já sabemos que não funciona.

A tarefa não é simples, não é rápida, mas precisa ser iniciada em algum momento. O sistema não funciona? Concordo, mas podemos nos rebelar e começar a estudar em grupos organizados, em organizações sociais, religiosas, pois o conhecimento está aí, vivemos a Era da Informação, temos praticamente tudo ao nosso alcance, basta buscarmos, portanto, ao invés de se lamentar, revolte-se contra o sistema falido e estude, estude cada vez mais e mais. Cartazes, faixas, panelinhas batendo, passeatas, tudo isso fica bonitinho para a mídia, mas a verdadeira revolução é silenciosa, ocorre entre você e um livro e, nesse caso, ninguém tem como te impedir.

 

Créditos da imagem do cabeçalho: http://aspireblog.org/higher-ed/will-innovation-shake-higher-education/

 

 

 




Vamos falar sobre golpe?

A mais nova modinha ou como preferem alguns, a palavra de ordem da moda é “Não vai ter golpe!”. Aproveitando a modinha, vamos falar sobre golpe?

Também não sou a favor a nenhum golpe, mas a nenhum e não somente ao que me convém. Ontem, felizmente, não ouvi a defesa da presidente Dilma (um pequeno parêntes, jamais escreverei “presidenta”, pois sou alfabetizado o suficiente para saber que essa palavra não existe), pois se tivesse ouvido, certamente minha úlcera já teria corroído o estômago todo, mas li, afinal, querendo ou não, preciso me informar sobre o que acontece. A fala do Ministro José Eduardo Cardoso, embora forte e efusiva, é um tanto quanto vazia, mais sustentada pelo grito do palanque eleitoral do que fundamentada em argumentos legais, que a propósito, era o que ele deveria fazer, afinal, não estamos em campanha, pelo menos não ainda.

Mas vamos voltar ao golpe, pois esse é o objetivo desse texto, ou textão, como alguns também gostam de chamar qualquer texto que contenha mais de duas linhas, enfim, prefiro escrever para quem sabe ler. O nobre ministro fala que um processo de Impeachment seria o equivalente a rasgar a Constituição. Forte, contundente fala e me fez pensar em quantas vezes nossa constituição já foi rasgada e, no entanto, nunca mereceu um discurso inflamado dele. Alguns fatos meramente ilustrativos:

Toda vez que vejo pessoas morrendo em filas ou corredores de hospitais, por falta de atendimento ou medicações básicas, falta de luvas e máscaras para médicos e enfermeiros, falta de antibióticos que custariam centavos, mas que não estão disponíveis, também nesses casos tenho certeza de que a Constituição foi rasgada, afinal, o Artigo 196 da nossa Constituição, diz claramente que: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Nesse caso, nobre Ministro, cada vez que um brasileiro morre por omissão do Estado, nossa Constituição é rasgada!

Vamos para a Educação. Todos os dias vemos cenas lamentáveis sobre o descaso com a Educação e não falo dos Estados mais ricos da Federação, não, afinal, por aqui, por pior que seja, estamos no paraíso, falo dos Estados esquecidos e relegados a própria sorte, onde os que querem estudar tem que fazer longas caminhadas para chegar até a sala de aula, onde encontram carteiras aos pedaços, lousas improvisadas em pedaços de madeiras e professores sem a mínima formação necessária para exercer o papel de educador. O Artigo 205 da nossa Constituição também deixa claro que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Nesse caso, excelentíssimo senhor Ministro, nossa Constituição também foi rasgada!

Agora vamos para a Segurança, fechando assim, as três grandes áreas que são de responsabilidade do Estado. Todos os dias, sem exceção, vemos pessoas sendo assaltadas, mortas covardemente por bandidos, pais de família que deixam os seus sem qualquer tipo de sustento, crianças que são mortas por balas perdidas, entre tantas outras atrocidades que, infelizmente, já passaram a fazer parte do nosso cotidiano e, pior ainda, praticamente aceitas como naturais, pois de tanto que acontecem, já nem causam mais tanto espanto. Voltando a nossa Constituição, o Artigo 144, diz: “A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Policiais Civis,  Policiais Militares e Corpo de Bombeiros Militares”. Diante disso, Vossa Excelência pode claramente notar que, cotidianamente, nossa Constituição também é rasgada!

Em outros pequenos exemplos, também vejo que a Constituição é rasgada quando sou obrigado a trafegar por estradas intransitáveis, quando sou obrigado a recolher impostos para manter a conservação delas, mas que esse dinheiro vai para outras finalidades e não para as quais eu paguei. Acredito que essa Constituição é rasgada mais ainda quando preciso de um atendimento médico, não o encontro pelo SUS, pago por um convênio e, mesmo assim, pagando duas vezes pelo mesmo serviço, não tenho o atendimento adequado. Só para constar, pagar duas vezes pelo mesmo serviço também é inconstitucional.

Eu poderia passar dias escrevendo exemplos de desrespeito, exemplos que não deixam dúvidas de que a nossa Constituição já foi rasgada e incinerada há muito tempo, mas é desnecessário, seria massante demais e nada resolveria. A minha indignação, Vossa Excelência, é que em nenhuma dessas vezes eu ouvi um discurso da Advocacia Geral da União em defesa do povo, aliás, sequer uma breve nota, quanto menos um discurso inflamado!

Diante disso, chego a conclusão óbvia de que a AGU só serve para defender, ferrenhamente, aos interesses de quem lhes convém, que certamente não é o caso do povo!

Você que fica com esse discurso de “Não vai ter golpe”, pare e pense um pouco, deixe de ser papagaio de gaiola! Que golpe? Eu sei que isso não existe somente agora, sempre existiu (e temo, sempre existirá), mas se queremos realmente que uma mudança profunda aconteça, uma hora ela tem que começar e que seja agora. Se diante de tudo isso você continua defendendo esse partido e/ou político, ou qualquer outro que seja e que não faça cumprir os preceitos acima descritos, dentre todos os outros que são garantias Constitucionais, na minha opinião você não defende a democracia coisa nenhuma, você defende qualquer outra coisa, menos a democracia! Não acho que a “culpa” seja somente da Dilma, isso é ridículo, mas também não acho que ela seja o ser mais puro do Planeta. Se nossos políticos tivessem um mínimo de decência, todos deveriam entregar seus cargos e convocar novas eleições, pois isso seria um gesto nobre, de  representantes que ainda pensam nos seus representados e não somente nos seus interesses próprios. Não é o povo quem se dobra ao seu Governo, é o Governo que se dobra para seu povo, isso é princípio básico da Democracia, que tanto gostam de espalhar. Nosso regime é Democrático e não Monárquico, portanto, não temos que venerar um Rei ou Rainha de forma incondicional, suas ações podem e devem ser contestadas sim, afinal, o poder está nas mãos do povo e na hora em que o povo julgar que estes representantes não mais servem os objetivos pelos quais foram eleitos, podem sim ser colocados para fora e isso não é golpe, isso é garantia da Constituição e do Regime Democrático! Democracia é o regime do povo e para o povo e não sou eu que defini ou inventei isso. Se você é contra isso, então não fale que defende a Democracia, fale que você não concorda com a Democracia e que defende a Monarquia, por exemplo.

Quer defender a Democracia e a Constituição, pois que seja para todos, independente de partido, em todas as situações e não somente quando lhe convém, pois a isso também costumo chamar de hipocrisia. Acho risível a situação de que quase todos cobram atitudes, cobram punições, mas não para aqueles que eu defendo, quero que sejam punidos, mas só os outros, os do meu partido não! Acordem, afinal, quando um partido, seja qual for, se tornar maior que o interesse comum do cidadão e da nação que ele representa é sinal de que essa nação está profundamente doente. É o que penso sobre o atual momento.