O Brasil mostra sua cara

O Brasil está mostrando sua cara, sem Photoshop, sem filtros, sem nada e vou te falar, não tem Yvo Pitanguy que resolva!

O momento que vivemos não tem precedentes e, ao dizer essa frase agora, tenho medo pois há alguns anos escrevi exatamente isso, achando que estava vivendo o pior momento que daria para se viver. Piorou!

Meu medo é daqui a alguns anos escrever esse mesmo parágrafo novamente e, quer saber, tenho certeza que isso vai acontecer, pois o fundo do poço parece um lugar que o Brasil não faz ideia de onde fique.

A fala de que “o Brasil não é para amadores” define muito bem nosso momento. Não é mesmo, o Brasil é um país difícil de se explicar, vivemos de extremos, de situações que fazem inveja a qualquer escritor de ficção. Aliás, competir com a realidade brasileira é para poucos.

Últimos exemplos: temos um diretor da CIRETRAN que tem a Carteira de Habilitação cassada, pois tem mais de 120 pontos e, para os que não sabem, 20 pontos são suficientes para você perder a sua. Isso mesmo, em tese, ele perdeu a CNH seis vezes.

Continuando, nossa indicada para Ministra do Trabalho poderia representar bem o Ministério do Trabalho Escravo, mas esqueci que no Brasil não temos mais trabalho escravo. Eu explico: não é que o trabalho escravo não exista, mas acabaram com a Lei que definia o que era trabalho escravo, então, ao menos em tese também, ele deixou de existir. Mas nossa aspirante a Ministra já foi condenada por não cumprir as leis trabalhistas, já foi julgada, condenada, mas não pagou.

Nosso Ministro da Secretaria do Governo é o verdadeiro capacho de mafioso, puxa-saco da pior espécie, um ser (não dá para usar humano, limito a denominação a um ser) que não sabe o que são valores éticos, que acha super normal o Governo usar a chantagem para conseguir o que quer. Claro que ele não usa a palavra chantagem.

Um dos nossos Ministros do Supremo resolveu escrever sua própria Constituição e Código Penal. O que existia não lhe agradava, então, ele resolveu que seguiria o que melhor lhe conviesse e assim o fez e ainda continuará fazendo. Seus critérios são mais duvidosos do que suas relações pessoais e profissionais, suas empresas são financiadas por investigados e condenados, mas isso não quer dizer nada e, segundo ele, não influencia o seu julgamento.

Vamos falar um pouco do nosso presidente. Mas vamos falar o quê? Um rato do Congresso, cobra criada ao longo de décadas de corrupção, que conhece todos os esgotos que levam ao trono. Sim, esse poderia ser seu resumo biográfico.

Só não concordo com a tese de que não foi eleito, porque foi, graças a ambição e sede de poder de um partido que traiu suas bases e raízes mais profundas, tudo isso movido pela ganância do sem limite. O preço foi caro, quem se alia com o diabo sabe bem que uma hora sua alma será levada. A conta chegou e o diabo levou.

Nada disso é novidade para nenhum brasileiro, pelo menos, não deveria ser. O Brasil está podre, em todas as esferas do poder. O Brasil já não é mais um paciente com câncer em metástase, o Brasil  já é um cadáver em decomposição.

O que está apodrecendo a céu aberto é a ética, a moral, os valores que regem uma sociedade justa. Apodrece o caráter, a índole!

Eu já não sei se a apatia em que o brasileiro se encontra é o resultado de um instinto de defesa, onde a pessoa se fecha à realidade para poder sobreviver ou se é conivência, aceitação. Ambas são preocupantes.

Assistimos, no reconforto do nosso lar, ao desmanche do país. Assistimos ao roubo não somente de bilhões e bilhões de dólares, mais que isso, assistimos ao roubo de várias gerações futuras, mas isso parece não nos importar.

Sabe o que importa? A bunda da Anitta no biquíni de fita isolante, a lacração da Pablo Vittar, a vitória do Corinthians, a falta de mundial do Palmeiras. No momento, o que importa já é o Carnaval, esquece o resto porque é festa!

Isso me dá uma raiva e chego a pensar que o brasileiro fez por merecer essa lama que temos até o pescoço! Como pode uma nação com mais de 200 milhões de pessoas ficar calada diante desse quadro surreal?

Discutir política por aqui se resume a trocar ofensas pelas redes sociais, principalmente entre as tribos dos coxinhas e mortadelas, da esquerda caviar e dos conservadores hipócritas.

Esse ano, para coroar a situação, temos eleições. Surgem os salvadores da pátria, que já foram de caçadores de marajás a pai dos pobres, mas que na minha opinião, nada mais são do que hipócritas e oportunistas, pois se houvesse interesse em fazer algo, já deveriam ter feito, afinal, alguns estão vivendo às custas do povo há décadas!

Mas o brasileiro, que adora ser enganado e iludido, fala em renovação! Como renovar, meu Deus?! Renovar elegendo merdas que já estão no poder há décadas? Não sei quem vive num universo paralelo: eu que não acredito em nada ou aquele que acredita em tudo, mas certamente, na mesma dimensão não estamos.

Minha visão é extremamente cética e ao melhor estilo Tomé, pago para ver! Pago com a certeza de que não tirarei um centavo do bolso, pois nada vai mudar. Aliás, pode até mudar sim, mas para a pior. A melhoria não depende só do Governo, depende de todos e pelos exemplos que vemos diariamente, sinto muito, mas não sou tão otimista.

Estamos no início do ano e já começamos a ver o bom e velho truque do mascaramento dos índices. Tática conhecida no meio político, principalmente em anos eleitorais. Quero ver esse discurso e essa estabilidade depois do dia 02 de outubro!

Ao longo desse ano evitarei ao máximo entrar em discussões políticas, até porque, não tenho mais a mínima paciência para manter uma discussão educada com pessoas desprovidas de bom senso e cegos defensores de ladrões. Bandido para mim é bandido, independente de sigla partidária e não tenho bandido de estimação!

O Brasil mostrou sua cara, que é a cara da corrupção, da falta de vergonha, da falta de caráter e de ética, a cara do jeitinho safo que só enterrou essa nação no esgoto. Não precisa vir com discursos, não estou generalizando, sei que existem boas pessoas, mas vamos ser racionais, se a grande maioria fosse ética ao invés de oportunista, o cenário global seria outro!

Continuar negando que precisamos de mudanças profundas, estruturais e culturais é um excelente caminho para continuarmos mergulhados nesse mar de dejetos. E aí, o que vai ser para hoje?

 

Prof. Belini – 11/01/2018

 




A vida é feita de tempos diferentes

Existe o tempo de mudar o mundo, existe o tempo de fazer acontecer, existe o tempo de viver a vida num único dia, existe o tempo em que achamos que o fim nunca vai chegar para nós e isso nos torna, praticamente, imortais.

Mas também existe o tempo em que o próprio tempo vai passando e vamos percebendo coisas antes impensáveis, existe o tempo em que experimentamos novas realidades, o tempo em que passamos a ver coisas tão simples, que de tão simples que são, nos encantam e nos questionamos como nunca antes tínhamos prestado atenção.

Um dia você acorda e percebe que o tempo passou, que seu corpo não é mais o mesmo, mas que mais que o seu corpo, a sua alma não é mais a mesma. Inicialmente, isso assusta, mas depois você vai percebendo que não tem tempo para essas bobagens de medo.

Nesse dia, você começa a entender o significado daquela frase que sempre ouviu, de que “a vida é muito curta”, assim como a frase “viva como se hoje fosse seu último dia” faz todo o sentido, até porque, você percebe que ele pode ser mesmo, pois aquela certeza da imortalidade já passou.

Os medos vão mudando de lugar, deixam de pertencer ao futuro e passam a pertencer ao passado, afinal, você já não tem mais certeza de nada. Será que as escolhas feitas foram as certas?

Então você se dá conta que essas perguntas também já não fazem muito sentido, afinal, certo ou errado para quem? A única pergunta que agora importa é se você pode viver bem com suas escolhas? Chego à conclusão que posso, elas foram as melhores que eu poderia ter feito e é isso o que vale.

Nesse novo despertar, você também aprende que o que menos importa são as opiniões e críticas alheias. Todos são especialistas em resolver tudo, menos a própria vida, então, que pensem o que bem entender. A opinião do outro é do outro, não sua, você pode até aceitar, mas por sua escolha e nunca por imposição.

Você percebe que seus maiores problemas aconteceram quando, de alguma forma, você viveu mais a vida do outro do que a sua. Família é oportunidade de crescimento, amizades são chances de nos tornarmos seres humanos melhores, bons amores são dádivas que recebemos, mas nenhuma pessoa tem o direito de pedir para que você abra mão da sua vida para viver a dela.

Essa forma diferente de ver e viver a vida não te dá o direito de desrespeitar ninguém, mas acima de tudo, te dá o dever de não se desrespeitar!

Chega o tempo em que você se dá conta de que não fez muita coisa que falou que iria fazer, mas isso também não é relevante, porque aquela prepotência de achar que tinha a missão de mudar o mundo, também já passou.

Nunca haverá tempo para mudar o outro, talvez seja essa a percepção que nos falte em boa parte da nossa vida. O tempo que me foi dado, só serve para mim. Nossa missão nunca será mudar o outro, mas a nós mesmos.

O tempo vai nos dando a sabedoria para distinguir entre o que podemos fazer e o que o outro espera de nós. Nosso único compromisso é com o que podemos fazer.

Não digo que o tempo nos faz egoístas, afinal, entre as coisas que posso fazer está a possibilidade de querer um mundo melhor e isso pode ser um objetivo, mas lembre-se, ajude, faça tudo o que puder, mas cobre o resultado somente de você mesmo, o outro se tornará melhor se ele quiser e isso não é um problema seu.  

O tempo não é meu, não é seu, não é de ninguém, o tempo é da vida. Ela dita o ritmo, cabe a nós, aprendermos a respeitar esse tempo.

Com o tempo vamos aprendendo que não adianta ter felicidade, é importante ser feliz. O ter reside em algo temporário, transitório, já o ser é atemporal e infinito.  

O tempo entre a chegada e a partida é tão curto que vamos aprendendo que ter razão não muda nada, o importante é ter paz e aprender a sorrir, principalmente o sorriso da alma, o sorriso que reflete nossa luz interna e ilumina não somente nossos passos, mas de todos aqueles que estão ao nosso redor e isso, sem dúvida, é algo que todos podemos fazer sem depender ou exigir nada de ninguém.

Tocando em Frente – Almir Sater




Não olhe para trás com rancor

Aprender a se desapegar do passado não é uma tarefa fácil e talvez você saiba disso. E, quando falo do passado, não estou somente falando de alguns anos, estou falando de gerações, de séculos, de milênios. Às vezes, sequer o tempo cura.

Exagero? Veja alguns exemplos e tire suas próprias conclusões. Até hoje, passados mais de dois mil anos do início da Era Cristã, as religiões ainda usam princípios de antes de Cristo, para continuar brigando e promovendo “Guerras Santas”.

Num passado nem tão distante, temos o nazismo e todos os seus horrores e, ainda assim, novamente a humanidade está às voltas com ele, ganhando novos simpatizantes a cada dia. Mais insana ainda é a discussão se o nazismo é de direita ou esquerda, como se discutir essa dualidade fosse resolver ou justificar alguma coisa.

Poderia citar muitos outros exemplos, mas não é o caso, afinal, meu objetivo hoje é falar sobre os sentimentos que nutrimos pelo passado. Tudo o que acontece em nossas vidas tem um objetivo, nosso passado não pode se transformar num objeto de punição ou tortura, mas de aprendizado.

Também não estou falando de autoajuda ou de religião, dizendo que você tem que perdoar senão vai para o inferno, afinal, se esse for o argumento, só prova que o passado, de alguma forma, ainda permanece com suas amarras, se escondendo atrás de velhos dogmas.

Não se trata de esquecer ou perdoar o passado, mas sim, do que podemos aprender com ele. Cada situação vivida deixará marcas, boas ou ruins, mas deixará sua impressão em nossa alma.

Como o passado deixou sua impressão, dificilmente será esquecido por nós e, acredito, talvez o objetivo seja esse mesmo, não ser esquecido, pois se esquecêssemos, correríamos o risco de incorrer sempre nas mesmas coisas.

O passado é para nossa alma a mesma coisa que uma cicatriz é para o nosso corpo, sempre nos contará uma história e, mesmo uma cicatriz, pode trazer boas recordações. O passado também é assim, ainda que não seja tão bom, pode nos trazer bons aprendizados. A nossa maneira de olhar para essas marcas é que fará a diferença.

Aprender a olhar o passado sem raivas ou rancores, esse é um dos maiores desafios que podemos nos impor. Guardar rancor é a mesma coisa que guardar ácido sulfúrico, requer muito cuidado, pois ao menor contato vai causar estrago.

Vivemos tempos difíceis, a raiva, o descontrole, o ódio e outros sentimentos menos nobres imperam e tomam conta do dia-a-dia, no entanto, a cada amanhecer temos a chance de nos libertamos dos rancores que nos acorrentam ao passado e a fazer uma história diferente. Qual a sua escolha?

Don’t Look Back in Anger – Oasis




Educação como única solução possível

Que a situação atual está longe de ser boa, creio que não seja dúvida para ninguém, mas como mudar esse cenário nefasto? Como pensar num futuro menos sombrio? Será que tem jeito?

Tem sim, mas não é uma solução fácil, essa mudança não se dará por um decreto ou por uma medida provisória. A solução para esse caos é única e, embora seja uma medida a médio e longo prazo, é a única possível. Estou falando da Educação.

O que vou expor a seguir é tão somente o meu ponto de vista, que não é somente meu, é claro, mas é aquilo que acredito, é minha convicção.

Nossa Constituição, que em teoria é perfeita, diz no Artigo 205, que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. ”

Para mim toda a Constituição poderia ser resumida nesse artigo, pois se somente ele fosse aplicado plenamente, não teríamos praticamente nenhum dos estúpidos problemas que nos atingem, a começar pelo deplorável Congresso Nacional e o tacanho Chefe de Estado que nos dirige, muito menos nossa Suprema Corte, que é uma vergonha e uma afronta a própria Constituição.

Um povo educado é perigoso, pois segundo a definição da própria Constituição, toda pessoa educada é plenamente desenvolvida, preparada para exercer a cidadania e qualificada para o trabalho.

Vamos detalhar um pouco cada um desses pontos: um cidadão plenamente desenvolvido não aceitaria, de forma alguma, as condições sub-humanas a que milhares de brasileiros estão submetidos.

Esmiuçando esse conceito do ser humano plenamente desenvolvido, vou me amparar no psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow, que criou uma teoria amplamente estudada no mundo todo, chamada comumente de Pirâmide das Necessidades de Maslow. Nesse estudo, Maslow classifica as necessidades humanas em cinco categorias, sendo elas: as necessidades fisiológicas, necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidade de status ou estima e, por último, a necessidade de autorrealização.

Não vou me estender em cada uma das etapas, mas resumindo, elas vão das realizações das necessidades mais primitivas do ser humano, como as necessidades físicas, como fome, por exemplo, até o estágio pleno, onde o indivíduo tem o controle das suas ações, da sua independência e da sua capacidade de fazer aquilo que gosta e no qual se realiza.

Acho que essa breve explicação da teoria de Maslow é mais que suficiente para chegarmos à conclusão de que não atingimos o desenvolvimento pleno, aliás, estamos muito longe disso.

Indo para o segundo item, que é o preparo para o exercício da cidadania. Eu acredito que seria impossível e mesmo contraditório, afirmar que a pessoa está preparada para exercer sua cidadania se ele sequer conseguiu atingir as necessidades básicas.  O exercício da cidadania implica nos direitos e deveres civis, ou seja, aquilo que nos compete diretamente. São exemplos simples de cidadania: não jogar lixo na rua, respeitar as leis de trânsito, mas também o respeito aos direitos do outro, no zelo pelo bem comum, entre tantos outros. Creio que também seja desnecessário me alongar nesse item.

Falando do último item, que aborda a qualificação para o trabalho, vou apenas citar que o Brasil possui algo em torno de 14 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever. Esse número é superior a toda população de Portugal, por exemplo. A propósito, esse é o mesmo número que temos de desempregados. Não estou dizendo que todos os analfabetos estão desempregados, mas é óbvio que existe uma relação direta entre esses indicativos sociais.

Temos pessoas altamente qualificadas e desempregadas, mas é natural que para a população de baixa escolaridade, esse índice é muito mais cruel, pois para estes normalmente estão disponíveis os trabalhos mais simples e manuais, trabalhos estes que estão cada vez mais sendo executados por máquinas.

E não, a culpa não é das máquinas, mas da baixa qualificação das pessoas. Todo país desenvolvido investe maciçamente em educação, em qualificação, em pesquisa e na produção do conhecimento. O que vemos em nosso país? Escolas sucateadas, faculdades sem recursos para manter sequer as atividades básicas, corte de verbas em pesquisas e inovações e segue a lista sem fim do descaso do Estado para com o item que deveria ser a prioridade máxima desse país!

O governo promove o sucateamento descarado do ensino e, ao mesmo tempo, vemos redes de faculdades particulares promovendo a segunda graduação, na modalidade de licenciatura, como uma oportunidade de segunda renda, ou seja, a profissão de professor se transformou num bico! É assim que tratamos o que temos de mais importante, como um bico!

A realidade é bem essa mesmo e a coisa é tão crítica que os próprios alunos costumam fazer a clássica pergunta: “Professor, mas você só dá aula ou também trabalha? ”. Perdi as contas de quantas vezes ouvi isso. O problema também não é do aluno, mas sim, da nossa própria sociedade, que sequer mais considera a docência como uma profissão digna, uma profissão como qualquer outra.

Nossa realidade é triste, é crítica e, racionalmente falando, está longe de uma solução rápida, pois volto e insisto, a única solução concreta para mudar esse cenário é um investimento sério em Educação, começando pela valorização dos professores, resgatando o orgulho perdido pela atividade docente.

A Educação tem o poder de diminuir as desigualdades sociais, ao proporcionar condições de igualdade no mercado de trabalho. A Educação acaba com a dependência do Estado, pois dá a cada cidadão condições de buscar seu próprio meio de sobrevivência e de realização pessoal.

 Podemos traçar um paralelo até mesmo com um ensinamento bíblico, pois a Educação se assemelha da máxima de “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Não sou contra o assistencialismo, se a pessoa está passando fome, ela tem o direito de ter o que comer e, nesse aspecto, os programas sociais tem sua importância, mas não se pode criar uma nova modalidade de escravidão com os benefícios sociais, pois isso é muito mais cruel do que os antigos troncos!

A Lei Áurea libertou-nos da escravidão física, já a Educação vem nos libertar da escravidão moral e emocional, vem dar a cada cidadão o direito de fazer seu próprio caminho. A liberdade sem o conhecimento não é plena, pois você pode até cortar as correntes que prendem o corpo ao tronco, mas as amarras da alma ainda continuam lá.

Entendeu porque o Governo não tem interesse em investir em Educação? Ela é perigosa, porque ela liberta. Um povo pensante é a arma que nenhum Governo corrupto quer enfrentar!

Que País é Esse?- Legião Urbana




Brasil: ame-o E deixe-o

Não, eu não escrevi errado, quis dizer exatamente isso mesmo: Brasil: ame-o E deixe-o. 

Essa frase ficou famosa na época da ditadura militar brasileira e, originalmente, era escrita como “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Fiz uma pequena adaptação para o momento atual e sim, também estou ciente que vou gerar algumas polêmicas.

Cada um tem o direito de pensar da forma como quiser, ninguém é obrigado a concordar comigo, assim como, também posso não concordar com sua opinião, portanto, você fica com a sua e eu com a minha, mas hoje é exatamente isso o que penso: viver no Brasil está impossível!

O nível de deterioração ética e moral é insustentável, nossos REPRESENTANTES políticos são fétidos, seres que nem sei a forma possível de classificá-los. Nossa “Justiça” funciona de acordo com o saldo bancário do acusado, sendo esse o único requisito “legal” considerado nas sentenças.

Uma análise, ainda que superficial da nossa realidade, é capaz de deprimir até o maior dos otimistas. A sede pelo poder transformou-se num jogo mortal, sem regras, sem princípios, sem ética, sem qualquer moral e vale tudo para alcançar o objetivo maior, que é o poder a qualquer custo.

Não existe mais pudor, os bastidores sórdidos são escancarados de forma trivial, como se fossem normais e, talvez, realmente estejamos vivendo esse momento perverso, da aceitação e da naturalização do que é errado.

Ao que me parece, a sociedade brasileira está mudando seu conceito sobre o certo ou errado, pois assim como a “Justiça” subverteu o conceito do que é a própria justiça, mediante o saldo bancário do acusado, a sociedade passou a aceitar como o certo ou errado um ato, analisando simplesmente qual foi o partido político que praticou esse ato, pouco importando se o ato em si é correto ou não.

Falo isso há muito tempo, ao meu ver, o maior problema do país não são os políticos, mas sim, os próprios brasileiros, que estão corrompendo princípios de acordo com a satisfação do bem pessoal, em detrimento do bem coletivo, que é o princípio básico para uma sociedade justa e equilibrada.

Perdi a fé em ver esse país melhor não porque culpe os políticos, mas porque vejo o próprio povo defendendo o indefensável e não vou entrar no mérito de nenhum caso específico, pois não é meu objetivo aqui. Sei que existe uma parcela significativa de brasileiros que é honesta, que trabalha duro, mas infelizmente, essa parcela está sendo sufocada por uma onda de oportunistas!

A partir do momento em que a sociedade toma a defesa do seu algoz, o que podemos esperar dessa sociedade? Eu, particularmente, já não espero mais nada.

A sociedade não quer mudanças, longe disso e basta ver as perspectivas para as eleições do próximo ano. Discursos desprovidos de qualquer fundamentação, cegueira seletiva e todos os demais sinais de patologias sociais, é só o que podemos observar, em todos os níveis.

Daria para escrever um livro sobre todos os aspectos que me levaram a construir esse pensamento, mas é desnecessário, pois não quero convencer ninguém, até porque, ainda que quisesse, não conseguiria, então, é totalmente dispensável gastar palavras com isso.

O que penso hoje é exatamente isso: Brasil, ame-o sim, afinal é o país onde nascemos, um país rico e bonito por natureza, mas que está acometido por uma doença que ainda o fará sofrer muito, talvez, até causando a sua morte, uma morte lenta e agonizante! É impossível não amar o próprio lar, pensar em deixá-lo causa tristeza sim, mas hoje penso que isso tornou-se uma questão de sobrevivência!

Se você tem chances de se mudar, se mude. Sabe aquele ditado popular: “os incomodados que se retirem”. Pois é, aplica-se perfeitamente. Para muitos, essa situação vexatória é conveniente, portanto, fica fácil acusar quem pensa de forma diferente, mas não se importe com isso.

Deixar o seu país, o seu lar, está longe de ser um gesto de covardia, pelo contrário, exige muita coragem, pois é deixar para trás toda uma história, uma vida, mas é também seguir um sonho, um desejo de vida melhor. Antes de criticar, lembre-se que você mesmo pode ser descendente de imigrantes, que chegaram ao Brasil fugindo de situações difíceis mundo à fora.

Quando você se sente um estranho dentro da sua própria casa, esse é o maior sinal de que chegou a hora de se mudar. Pode ser um recuo estratégico ou uma mudança definitiva, mas pondere o que vale mais: sua vida ou a opinião dos outros?

Não é errado lutar pela felicidade, não é errado querer conquistar bens de forma lícita, não é errado querer ter paz! Dificuldades existirão em todos os lugares, basta você ponderar o que você pode suportar e o que não pode.

Mas isso não pode ser conquistado aqui? Você não pode lutar pelo seu país? Talvez essa seja sua pergunta e respondo que pode sim, mas é necessário que a maioria da sociedade queira isso e hoje essa maioria não quer. Dispenso os discursos patrióticos e, principalmente, os hipócritas, vamos ser objetivos: a sociedade brasileira, na sua grande maioria, não luta por justiça, luta pelo direito de se beneficiar!

Amo meu país, nunca deixarei de amá-lo, mas chegamos naquele ponto de cortar o cordão umbilical e cada um seguir seu caminho. A vida é feita de escolhas e cada um deve saber o que é melhor para si. Admiro os que ficam e continuam acreditando, admiro os que partem e vão buscar sua felicidade, só nunca admirarei a grande maioria que é indiferente, pois a indiferença é uma das coisas mais maléficas dessa vida!

A busca da felicidade sempre deve ser o Norte das nossas vidas, portanto, não tenha medo do que você tiver que fazer para conquistá-la, apenas veja se para conquistar a sua felicidade, você não está destruindo a felicidade de outros, como fazem os gananciosos pelo poder que hoje vemos aos montes, que não se importam em matar a própria sociedade para satisfazer sua sede pelo poder e pelo dinheiro.

Se a sua consciência está tranquila, faça o que tiver que ser feito e vá buscar sua felicidade e cada um que fale o que bem entender, muitos já falam mesmo, que ao menos tenham um motivo, ainda que seja a inveja da sua coragem.