Que tempos são esses?

Reconheço meu pessimismo, de fato, não sou daqueles que primeiramente vê o copo meio cheio, mas nos últimos tempos, talvez mais uma vez sendo pessimista, penso que quem consegue sempre ver o copo meio cheio, deve sofrer de alguma patologia, porque não é possível manter o alto astral e uma visão linda do mundo, diante aos absurdos que vivenciamos todos os dias.

Dessa vez resolvi mudar um pouco o foco do meu texto e, ao invés de ficar falando dos problemas que nos atingem, vou focar nas causas, aos menos teorizando sobre algumas, pois é claro, esse é um assunto amplo e, portanto, não seria possível de abordá-lo na sua plenitude.

Certa vez, Martin Luther King, disse uma frase que entraria para a história. Essa frase já foi dita em muitos contextos, mesmo antes dele, mas não é o caso discutir a autoria e sim, seu significado. Disse ele que “o que me preocupa não é o grito dos maus,  mas o silêncio dos bons”. Não sei quanto a vocês, mas a mim essa frase causa dores de estômago. É isso, o que nós, que nos consideramos pessoas de bem, estamos fazendo frente aos absurdos que presenciamos todos os dias?

Por favor, vamos deixar as desculpas de lado, vamos refletir friamente sobre a situação. Não quero julgar ninguém, pelo contrário, tudo o que vou abordar, estou pensando em mim mesmo. Mas, volto a pergunta: o que temos feito para inibir todo o mal que nos atinge?

Infelizmente, em grande parte das vezes, estamos exatamente na mesma condição da frase de Martin, ou seja, estamos em silêncio, no mais sepulcral dos silêncios, estamos nos omitindo e pronto, como se isso resolvesse, afinal, não é comigo. Será que não, mesmo?

Não vou levantar a bandeira dos super-humanos, mas também, não vamos para o outro extremo. Não precisamos resolver os problemas do mundo, isso seria impossível, mas ficar calado também é outro grande problema. É o silêncio que incomoda, é a omissão que chega a ser perturbadora.

Na mesma proporção que vamos nos calando, vamos dando voz a uma geração de imbecis, a uma leva de corruptos que vão se apropriando do poder, pois vamos deixando. Eles roubam e o que fazemos? Muito pouco, senão nada. Há um certo murmurinho inicial, mas passa logo, então, vale à pena aguentar um pouco, pois eles sabem, vai ser por pouco tempo.

A população está cada vez mais massacrada, altas cargas tributárias e juros que consomem não somente o dinheiro, mas também a dignidade do trabalhar honesto. Qual a reação? A mesma, quase nenhuma! Vamos ouvindo dicas de economistas, que vão nos ensinando a abrir mão disso, a economizar naquilo e a sustentar o grande elefante branco! Abrir mão de supérfluos pode ser válido, quando é para você, não para manter a máquina da corrupção a todo vapor, pois é somente isso que fazemos.

Numa semana ouvimos que os preços dos combustíveis vão baixar, mas logo na outra, sem um único centavo a menos, ao contrário, ouvimos que os preços vão subir! Num dia ouvimos que as Concessionárias de Energia Elétrica cobraram, por um erro de cálculo, bilhões a mais dos consumidores, mas nenhuma menção a devolução desses bilhões é feita e, parcos dias após, temos aumento na bandeira tarifária. Nossa reação? A mesma de um cadáver em decomposição!

Voltando ao foco dessa discussão, nossa capacidade de reação tem sido irrisória. Dizemos que somos um povo pacífico, mas eu definiria de outra forma, somos um povo letárgico, catatônico, sem a menor capacidade de reação, ainda que seja para nos defender em nossas garantias Constitucionais mínimas.

Uma das coisas que me irrita profundamente, ao ver matérias sobre esses absurdos, é quando existem entrevistados que soltam o “Ah, mas fazer o quê, né? Temos que apertar mais um pouco, nos adaptarmos! ”. Minha pergunta é até quando vamos conseguir apertar mais? Penso que já chegamos muito perto da gangrena e não sei mais o que falta espremer!

Fico me questionando que tempos são esses, onde damos tanto espaço aos ladrões dos nossos sonhos, das nossas garantias mínimas de sobrevivência e nos calamos. Penso que isso ainda seja o reflexo de um período ditatorial, onde fomos condicionados a não reclamar e minha ponta de esperança é que isso um dia passe.

O jornalista Vladimir Herzog, certa vez também disse uma frase que, nos dias atuais, ainda faz todo o sentido. Disse ele que “Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados. ”

Não sei o que fizeram com essa nossa capacidade, mas fizeram bem feito! Se indignar nas redes sociais não ajuda nada, ao menos, não somente nela, especialmente se for para somente criticar o capitalismo, mas usando o seu iPhone de última geração. Isso não é indignação, é hipocrisia, coisa bem distinta.  

Falamos tanto em defender a democracia, fato que acho importantíssimo, mas chego a duvidar que, sequer, entendemos o que significa democracia, pois certamente não é defender o direito de um grupo ou outro nos usurpar! Defender a Democracia, antes que qualquer discurso partidário, é defender o direito do povo e não de alguns vermes corruptos, escolhidos a dedo.

Outro termo muito em alta é o empoderamento. Tudo agora é uma questão de empoderamento, que novamente, não discordo, mas que tal se todos se empoderassem das garantias legais que nos são conferidas pela Constituição e, além disso, fizéssemos com que elas fossem cumpridas?! Nunca vai existir empoderamento sem as garantias mínimas de sobrevivência, sem o respeito aos direitos básicos de qualquer cidadão, isso é tão somente mais um delírio. Somente haverá verdadeiro empoderamento, quando o povo de bem, que são muitos, aprenderem a fazer valer seu direito democrático e a não mais permitirem que pequenos grupos de canalhas, usando títulos de representantes do povo, somente ajam em benefício próprio.

Estou cansado desses discursos vazios, desses modismos patéticos, de achar que “gritos de ordem” vão resolver alguma coisa. Estamos no exato caminho em que queriam que estivéssemos, trilhando exatamente os passos que nos foram definidos, através de décadas de silêncio e subjugação, estamos sendo idiotizados, cada dia mais, por mentes ardilosas e asquerosas,  que se apoderaram dos veículos de comunicação em massa, basta ver a quantidade de zumbis reproduzindo, imbecilmente, coisas que sequer sabem o que significam.

Que tempos são esses? Não sei dizer, mas sei que ele já durou muito mais do que deveria e meu medo fica ainda maior quando penso que poderemos ficar nessa letargia por longos e longos anos.




Deus é brasileiro (coisa nenhuma!)

Essa é uma fala comum por aqui e normalmente é dita com orgulho. Chato que sou, desmistificarei esse mito e darei argumentos para mostrar que Deus nunca foi brasileiro.

Se Deus fosse brasileiro o mundo não teria sido criado até hoje. Isso mesmo, ainda estaríamos fazendo a licitação dos materiais, que custariam 200 vezes mais caro que o normal, não seriam entregues no prazo e, quando entregues, teriam uma qualidade muito inferior ao contratado, ou seja, quando Deus estivesse lá pela quinta-feira, tudo o que foi construído entre a segunda e  a quarta-feira já teria desmoronado. Diante disso, seria aberto um procedimento administrativo para verificar o processo de compra, que ficaria alguns séculos analisando documentos e pedindo laudos para chegar a conclusão que a culpa não era de ninguém.

As empreiteiras contratadas para o processo de construção do mundo iriam abandonar a criação pelo meio do caminho, alegando que precisavam de mais uns dez mil aditivos de contrato. O dinheiro seria liberado, mas nunca chegaria ao seu destino final, ao contrário, seria desviado para paraísos inter espaciais. O Ministério Público Celestial abriria um processo para averiguar se houve má utilização e gestão das verbas celestiais, mas nunca chegaria a um acordo, pois Deus iria afirmar que tudo foi feito dentro do estipulado, mas que alguns imprevistos aconteceram e a criação poderia sofrer alguns milênios de atraso, entretanto a culpa era do Diabo, que por sua vez iria negar tudo, afinal essa herança maldita não tinha nada a ver com ele. O Instituto Infernal soltaria uma nota dizendo que não sabia de nada sobre esse assunto e que tudo isso era intriga da oposição! Mas espera ai, a oposição não seria o próprio Diabo?! Enfim, deixa para lá.

Seria marcado um evento para a inauguração do Mundo, mas no dia estipulado haveria apenas cerca de 5% das obras concluídas e Deus falaria do legado da construção do Mundo, que alguns esforços teriam que ser feitos, mas que isso traria muitos benefícios para todos, mas que isso demandaria  mais alguns trilhões para que as obras pudessem ser concluídas. Os ingressos para a inauguração do mundo seriam superfaturados e só a elite iria participar, mas fariam protestos contra a burguesia para aparecer no Bom dia Céu e no Jornal do Paraíso.

Mas fica uma dúvida, todos esses ditos “adicionais de contrato” não são obrigatórios e, portanto, já não deveriam estar incluídos no projeto original? Claro que não! O projeto inicial não contemplava  que seria necessário água para o mundo e, para isso, teria que ser feita uma transposição de algum outro lugar que também ainda não existia, mas essa obra seria indispensável para que a água chegasse até aqui. Obras e mais obras ligando nada a lugar nenhum teriam que ser feitas em caráter emergencial, sem licitação, desviando mais alguns bilhões e atrasando a entrega final em mais alguns séculos. Deus então faria disso sua promessa de campanha e ficaria mais alguns milênios investindo trilhões nessa obra que também nunca seria concluída, mas que todos acreditariam ser a única alternativa viável para resolver o problema.

Nesse jogo de empurra-empurra, o Diabo acusaria Deus de não ter cumprido a Lei de Responsabilidade Celestial e Deus, por sua vez, abriria um processo na Comissão de Ética contra o Diabo, por quebra de decoro celestial.  Os assessores do Diabo entrariam com “putilhões” de recursos na Comissão, adiando por mais alguns bilhões de anos o andamento do processo. Depois de tanto tempo, ninguém mais se lembraria qual por qual motivo o processo tinha sido aberto e ele seria arquivado por falta de provas. Mas e o mundo, quando terminaria de ser criado? Quem se importa com isso!?

Com todas as obras paralisadas, superfaturadas, verbas desviadas e nada concluído, Deus sairia de férias no final da quinta-feira, ao invés de somente sair no sábado, que seria o dia de descanso, mas aproveitaria para dar uma esticadinha e o mundo continuaria de pernas para o ar.

Depois do recesso, ele voltaria animado para terminar tudo e fazer as coisas funcionarem e então, daria uns tapas aqui e ali, jogaria umas sujeiras aqui e acolá e pronto, eis que o mundo se fez, bem verdade que nas coxas, mas estava feito.

Chegado o momento da criação do ser humano, ele iria começar a selecionar as características importantes para as pessoas, tais como: caráter, ética, amor, respeito, humildade, inteligência, mas como os recursos financeiros estavam escassos devido a todos os desvios, ele teria que fazer alguns cortes de orçamento no processo da criação humana também. Sem saber exatamente o que fazer, ele cortaria algumas coisas que aparentemente não trariam graves consequências como, por exemplo, o caráter, a ética, o respeito, a humildade e a inteligência.

– Mas isso não era tudo o que eles tinham?

– Hummm, verdade, mas enfim, é o que dá para fazer com os recursos disponíveis, então, é o que temos para hoje. Posteriormente, eles poderiam ingressar no Programa Bolsa Celestial e pedir essas características, que já seriam inerentes à condição humana e fundamentais para sua existência,  na forma de benefícios sociais que naturalmente, se transformariam numa nova fonte de desvio de verbas, mas seria a bandeira do programa de Deus, que se orgulharia de beneficiar seus filhos com esses benefícios, mas só para lembrar, esses benefícios eram características da própria constituição humana, só que agora custam mais um pouco…

Claro que não entendo Deus dessa forma e esse texto foi só uma forma de tentar abordar um assunto sério de forma descontraída. Não há motivo nenhum para esse orgulho tolo de achar que Deus é brasileiro, afinal, é exatamente esse jeitinho brasileiro  que acaba com o país. Se você já acha que está ruim, pense que se Deus fosse brasileiro, poderia estar bem pior! 

mimimi




Eleições – A grande transferência de responsabilidades

Para começo de conversa, embora o assunto seja política, não vou aqui discutir sobre um candidato ou outro, mas sim, sobre a transferência de responsabilidades que esse evento está proporcionando. Ainda nessa linha, também não vou falar das responsabilidades partidárias, mas sim, das suas, das minhas, das nossas responsabilidades, que estão cada vez mais relegadas a nada!

Não sou o único a dizer e também a observar, principalmente nas redes sociais, que as eleições se tornaram um grande confronto épico, com ataques brutais de todos os lados, mas algumas coisas chamam a atenção: bombardeio em fogo cruzado, pois o que vemos, como regra, é o PT atacando o PSDB e o PSDB atacando o PT, ambos recorrem ao passado, numa tentativa emotiva de conquistar ou se manter no poder, citam problemas históricos, promessas nunca cumpridas e, diante disso, ambos possuem um discurso vazio e sensacionalista.  Nesse ponto, tenho plena convicção de que comprei algumas inimizades e críticas, pois é claro, a turma do PT vai ter mil argumentos e a turma do PSDB, idem. O que observo é que ambos têm coisas boas e coisas muito ruins e ponto final.

Mas como falei no inicio desse texto, não vou discutir partidos ou candidatos, mas sim, discutir a postura dos eleitores, dos brasileiros, do qual faço parte. Observo muito as pessoas colocando num ou outro candidato, toda a responsabilidade de um país, pois um representa uma mudança, já o outro, a continuidade do que estamos vivendo. Uns pregam que a atual forma é a melhor, outros, que uma mudança é essencial. Concluo que todos e, ao mesmo tempo, ninguém te razão.

O que vejo é que a quase totalidade das pessoas joga nas mãos de um ou outro candidato a responsabilidade que lhe compete. Dilma não vai fazer nada sozinha, Aécio idem, pois, ao contrário do que alguns pensam, eles não têm superpoderes e raios mágicos, que num estalar de uma varinha mágica, iriam consertar o Brasil, que vem sendo explorado e sucateado desde o seu “descobrimento”. Ambos os partidos possuem problemas, ambos possuem qualidades, ambos possuem passados duvidosos e ambos podem não fazer nada daquilo que prometem. Diante disso, o que fazer? Minha modesta opinião é simples: ao invés de jogar para eles a responsabilidade, assuma você essa responsabilidade e faça a mudança que tanto deseja.

Novamente você pode me criticar, achando que você não pode mudar nada, mas pode, só falta você acreditar nisso. Os eleitores, ao contrário do que uns 99% acham, não são eleitores somente no dia das eleições, pois as nossas responsabilidades são muito maiores do que as de qualquer candidato. A fala não é inédita, mas é verdadeira: votou num candidato, acompanhe sua vida pública depois, cobre, fiscalize e não fique fazendo de conta que não é com você, que você não tem nada a ver com isso, pois tem sim! Uma pergunta simples aos eleitores do Tiririca, vocês sabem o que ele fez no último mandato? Além disso, o que ele pretende fazer nesse próximo? Utilizei o Tiririca como exemplo, mas serve a qualquer um, pois o grande problema é esse, damos um poder enorme nas mãos de uma pessoa e deixamos essa pessoa livre por quatro anos, sem cobrar, sem analisar, sem fiscalizar. Quando é que vamos entender que os políticos, como o nome já o diz, são servidores públicos, ou seja, trabalham para nós?! Você deixaria um funcionário seu fazer o que quer?

Hoje pela manhã, assistindo ao noticiário, me deparei com uma matéria estarrecedora: algumas famílias de ladrões, ou seja, pais que estavam estimulando e incentivando seus filhos a roubarem, formando uma quadrilha. A organização era simples,  a família toda entrava numa loja e, enquanto o pai e a mãe distraiam os vendedores, os filhos, orientados pelos seus pais, retiravam objetos da loja e levavam para o carro da família. Diante disso,  questiono, que diferença vai fazer a Dilma ou o Aécio? Nenhuma, absolutamente nenhuma, pois nossos problemas vão muito além de uma urna, nossos problemas são de caráter, são de formação de base, são de família, que inverteu totalmente seus valores e, quem quer que seja o eleito, não vai fazer diferença nenhuma, pois nada será fiscalizado, talvez por falta de autoridade moral para isso, pois uma família que fez o que fez, vai poder exigir o que dos outros?

Eu sei, você vai dizer que você não faz isso e eu acredito, mas em menores escalas, você nunca tirou proveito de uma situação ilícita? Nunca deu uma de espertinho no trânsito? Nunca andou acima da velocidade e, quando chega perto do radar, diminui? Nunca teve uma justificativa ridícula para estacionar em local proibido ou em vagas especiais? São pequenos gestos que fazem o caráter de uma pessoa e, me desculpem, mas ando muito pessimista em relação ao caráter dos brasileiros, que tem se mostrado mais fraco a cada dia!

O dia em que a grande massa despertar, independente do político que ocupar o cargo de presidente, o governo será sério, pois haverá cobrança, haverá fiscalização e, como já é dito há muito tempo, nada assusta mais um governo do que pessoas conscientes, mas nós não somos, motivo pelo qual a política é o que é. Agora, no calor da discussão, todo mundo é consciente, todo mundo é politizado, mas isso dura até o dia da eleição, porque depois só vamos voltar a falar disso daqui a quatro anos, novamente criticando as falhas da gestão, como se fossemos uma entidade a parte e não um elo fundamental em todo o processo. Acredito que o dia em que a massa mudar, naturalmente a política vai mudar, pois essa mudança não estará mais nas mãos desse ou daquele candidato, ela estará fundamentada no caráter do povo, que naturalmente irá se refletir na política, pois essa podridão que hoje vemos na política, nada mais é do que a podridão social refletida no poder legislativo e executivo. Enquanto tivermos pessoas que acham normal tirar vantagem dos outros, nada vai mudar, enquanto você continuar estacionando numa vaga reservada, nada vai acontecer, enquanto você, discretamente, abrir o vidro do seu carro e jogar sujeira na rua, nada vai acontecer, enquanto você ultrapassar os limites de velocidade, colocando a vida de outras pessoas em risco, por um mero capricho seu, nada vai acontecer, enquanto você furar filas, nada vai acontecer, portanto, pare com esse discurso patético de mudança se você não muda nada na sua postura, não transfira para o candidato a responsabilidade que lhe cabe, não espere que ele, por decretos ou leis, vá mudar o caráter das pessoas.  Vote em quem quiser, pois isso é democracia, mas independente da escolha pelo seu candidato, escolha uma mudança de postura sua, escolha uma vida pautada pela ética, que nunca vai depender dos outros e sim, tão somente, dos seus valores e práticas pessoais. Caráter é aquilo que você faz enquanto ninguém vê, o resto é mero jogo de interesse e hipocrisia, pense nisso no dia 26 de outubro, vote em você e mude o Brasil.

Para refletir mais pouco, mais uma das fantásticas letras do grande Raul Seixas

 




A culpa é sua!

Venho relutando há algum tempo ao expor alguns pontos de vista, pois sei que são polêmicos, mas por outro lado, chega de hipocrisia e penso que está na hora de começar a tirar um pouco desse fantástico mundo do faz de conta, onde eu não tenho, nunca, nenhuma relação com a podridão que está instaurada nesse país. Pois eu lhe afirmo: A CULPA É SUA! A CULPA É MINHA! A CULPA É DE TODA A NAÇÃO!

Confesso que já estou cansado desse discurso medíocre e esfarrapado, onde só se joga a culpa de todas as mazelas que vivemos no GOVERNO. Ele é culpado? Não tenho dúvidas sobre isso e, nem de longe o estou defendendo, mas saiba que você ai, que fica atacando, gritando e replicando coisas da qual nem conhece, mas como agora é moda criticar tudo, você também vai no embalo, pois bem, a CULPA É SUA TAMBÉM.

E vou enumerar aqui uma série de motivos para sustentar minha opinião, concorde você ou não:

1) O brasileiro é um povo oportunista! É isso mesmo que penso e, infelizmente, nasci nesse país e vou ter que carregar esse carma pelo resto da vida, mas é isso, o brasileiro é oportunista e sem vergonha. Exemplos? Tenho vários: ainda essa semana ouvi num noticiário, que nem me lembro qual foi, pois são tantas as desgraças que fica difícil guardar tudo, mas o resumo é que alguns belos exemplares de cânceres sociais estavam usando uma campanha séria, feita pela família de uma menina que precisa de um transplante que só pode ser feito nos EUA, transplante esse para o qual eles não tem recursos e, naturalmente o Estado, omisso e negligente como sempre, não vai custear, ainda que isso represente 0,1% da verba destinada a um único estádio da Copa. Mas a discussão é outra, voltando à escória humana, algumas pessoas se aproveitaram da situação, da campanha de arrecadação que vem sendo feita e lançaram uma campanha com os dados da conta falsos, ou seja, você acha que está doando sua contribuição para a menina fazer o transplante, quando na verdade está doando para algum ser não qualificável, pelo menos em termos educados, pois se eu escrevesse o que estou pensando e sentindo, esse texto ficaria um pouco mais ofensivo. Esses vermes estão se aproveitando de uma garotinha que está morrendo para ganhar dinheiro fácil! Outro exemplo? Tenho! Há uns quinze dias, com a greve do transporte público no Rio de Janeiro, outra notícia, as Vans estavam cobrando por um transporte que num dia custava R$ 3,00 e, de uma noite para outra passou para R$ 20,00 ou R$ 30,00. Ai você pode ter a infeliz ideia de dizer que isso é a lei da oferta e procura, mas eu te digo, isso é a lei da pilantragem, da falta de vergonha na cara, do oportunismo simples e descarado que impera nesse país e, caso você tenha pensado na tal da lei da oferta e procura, procure vergonha nessa sua cara, pois você é igual ou pior aquelas pessoas e só não fez a mesma coisa porque ainda não teve oportunidade. Poderia ficar escrevendo páginas e páginas exemplificando, mas creio que já alcancei meus objetivos com esses exemplos.

2) Brasileiro é folgado e mal educado! Sim, é isso mesmo, é um povo absurdamente folgado, que só pensa no próprio umbigo, no seu próprio bem estar! Quer exemplos também? Simples, vá ao supermercado e deixe seu carro estacionado e quando você voltar vai achar uma frota de carrinhos “estacionados” atrás do seu carro, pois o folgado, oportunista e mal educado do povo brasileiro é incapaz de dar alguns passos para depositar o carrinho no local correto. Sabe as vagas para deficientes? Outro bom exemplo! Mas é só um pouquinho, dizem muitos flagrados nessa situação. Pois bem, ampute uma perna, um braço por vontade própria e ai você pode parar à vontade, pois já que vergonha na cara não tem mesmo, que falta vai fazer uma perna ou um braço?! Tenho também muitos outros exemplos, como não respeitar a faixa de pedestres, mesmo quando há sinalização eletrônica para isso. Se nem na faixa respeitam, dispensa dizer nos demais lugares, pois os poços de arrogância, do alto da sua bestialidade, em frente a um volante se acham os donos do mundo, da rua e que todos devem abrir passagem para a sua ignorância sem fim. Pegue uma pista e ande na velocidade máxima permitida, não dou dois minutos até que mais uma célula cancerígena apareça dando sinal de luz, buzinando e fazendo gestos para que você o deixe passar, não importa se você está na velocidade permitida ou não, ele, do alto da sua bestialidade, precisa passar, mas depois, quando morre num acidente, vira vítima do Estado omisso que não fez campanhas educativas! Poupem-me de tamanha hipocrisia. Mas não são somente os motoristas, pois os pedestres também não cumprem as leis e utilizam as passarelas para fazer sombra na hora de atravessar uma via rápida, normalmente, bem embaixo da passarela, no entanto, quando atropelados, também viram pobres vítimas, queimam pneus, ônibus, protestam, só se esqueceram de usar a educação.

3) Brasileiro não tem caráter! Adora ficar dando lição de moral, mas quando recebe um troco errado (maior, naturalmente), não devolve, mesmo sabendo que o funcionário que devolveu errado terá o valor descontado do seu salário, mas azar o dela né, afinal, o mundo é dos espertos! Espertos onde, criatura? Você acha que isso é ser esperto? Para mim tem outro nome bem menos educado, você é um tremendo sem caráter e, para mim, se tem coragem de pegar troco errado, tem coragem para pegar qualquer coisa, portanto, você, meu caro, é um LADRÃO!

4) Brasileiro sempre tem uma justificativa para não assumir nada! Creio que dispense maiores comentários, mesmo porque, tenho certeza de que muitos, nesse momento, se chegaram até aqui, já estão montando desculpas para justificar o injustificável. A culpa sempre é do político, do Estado, de alguém que nunca é você, mas reforço: A CULPA É SUA, a culpa é todo brasileiro que não respeita leis, que só pensa em benefício próprio, que se aproveita de pessoas que estão morrendo para ganhar um dinheirinho fácil, que se encostam e se contentam com programas sociais que distribuem esmolas ao invés de lutar por algo justo e digno, que troca seu voto por uma cesta básica, que se vende por um churrasco, que acredita em tudo o que o Governo diz e que nunca pensa no coletivo, você, seu câncer social, também é culpado pela desgraça que está instaurada nesse país e que não vai mudar porque vai sair um partido e vai entrar outro, vai mudar quando você tomar vergonha na cara e mudar.

Mas eu não faço nada disso, portanto, sou uma vítima somente! Não é não! Pois ainda que não faça, o que você também tem feito para mudar o mundo a sua volta? Ficar com o velho discurso comodista de que “ não vai adiantar, foi sempre assim” também não resolve, pois se você se omite, também é culpado, portanto, movimente-se, brigue pelos seus direitos, cobre, mas cobre com moral, cobre com razão, pois somente assim teremos o direito moral de cobrar dos nossos governantes uma atitude melhor.

Não vamos nos esquecer que políticos não são seres a parte, são provenientes do nosso próprio meio e, como dizemos, se nenhum tem caráter, isso nos faz pensar que boa parcela da população brasileira também não o tem!

Você faz sua parte? Ótimo, continue fazendo, pois é disso que esse país precisa, não importa se somos minoria, importa é que o movimento comece e ganhe a cada dia mais força, pois só assim vamos mudar algo de verdade, chega de pacto da mediocridade, onde todos possuem aquela cumplicidade velada para justificar coisas injustificáveis, seja em casa, no ambiente de trabalho ou no convívio social, CHEGA DE HIPOCRISIA, DE MEDIOCRIDADE, CHEGA DE OPORTUNISMO, CHEGA DE FALTA DE VERGONHA NA CARA!

 




Vamos devolver o Brasil para os índios e pedir desculpas!

É isso sim, você leu isso mesmo, penso exatamente assim, creio que está na hora de devolver o Brasil aos índios e nos desculparmos pelo estrago feito.
Li um texto do Noam Chomsky, estadunidense, que é um linguista, filósofo e ativista político e professor de linguística do MIT, onde ele, com a eloquência e clareza características de uma pessoa inteligente, listou uma série de dez estratégias de manipulação da mídia, que os governos utilizam para manipular a massa e, com isso, fazer o que bem entenderem. Certamente o Brasil não é o único país onde isso ocorre, mas como sou brasileiro e vivo aqui, vou falar daqui, com conhecimento de causa.


Impressiona-me o nível de alienação da grande parte dos brasileiros e, quando falo em grande parte, é grande mesmo. Segundo Chomsky, uma das estratégias é a da distração, ou seja, manter o povo distante dos grandes problemas, impedindo-os de pensar e ocupar seu pensamento com coisas que não são relevantes. Nesse ponto, creio que temos bons exemplos, como novelas, Big Brothers, programinhas de auditórios que chegam a ser um insulto ao bom senso e, claro, não poderia deixar fora a Copa do Mundo e, num futuro breve, as Olimpíadas.
Outro ponto que me chamou a atenção, pois ainda essa semana ouvi essa estratégia do governo, é a questão que Chomsky chama de “A estratégia do deferido”, ou seja, apresentar um fato como “doloroso e necessário” , porém, com uma aplicação futura. Essa estratégia faz com o que povo vá se acostumando com a ideia, e, quando de fato ela acontecer, ninguém se surpreenderá, pois já se estava interiorizando a questão há tempo. Essa semana ouvi a notícia de que, graças a falta de chuva nesse ano, um aumento nas tarifas energéticas será feito, mas só no próximo ano. Alguém ai está preocupado com isso? Você só vai pagar no próximo ano, mas vai pagar! Mas tudo bem, afinal, o que é que podemos fazer, é a falta de chuva e, fazendo uma ponte entre outra situação, também proposta por Chomsky, que é a “reforçar a revolta pela auto culpabilidade”, ou seja, nos fazer acreditar que a culpa por tudo de ruim que nos acontece é de inteira responsabilidade nossa mesmo. Nesse ponto, vamos dar crédito a algumas religiões, que são ótimas para disseminar esse sentimento, levando seus seguidores a um nível de alienação próximo a insanidade.
Sou uma pessoa bastante observadora, em todos os lugares fico observando as pessoas, seus comportamentos e, infelizmente, observo que temos um monte de zumbis pelas ruas, talvez, dai o sucesso que os seriados e filmes que abordam esse tema façam tanto sucesso, pois é a identificação. The Walk Dead poderia ser gravado em qualquer rua de qualquer cidade brasileira, dispensando os atores e utilizando as pessoas reais, pois a grande maioria das pessoas não passa de zumbis que andam por ai reproduzindo coisas que não fazem sentido, comentando assuntos fúteis que ouviram no programa x ou y, mas que nada, absolutamente nada acrescentam ao crescimento e a evolução de cada um de nós.
Angustia-me ver como a massa é manipulada tão facilmente e vou falar de alguns fatos que aconteceram há menos de um ano, que foram os protestos, que num espasmo de consciência (ou manipulação deliberada), aconteceram pelo país. Na época, nossa presidente (sim, é presidente, pois presidenta não existe e não é só porque ela quer que as normas gramaticas vão ser alteradas) foi para as mídias, fez discursos de que iria fazer plebiscito, referendo e mais uma série de outros fatos, mas o que, de fato aconteceu? Nada, absolutamente nada, pois bastou a visita do papa ao Brasil para que os conflitos saíssem de cena e o povo se esquecesse de tudo. A política voltou ao normal, o governo continua fazendo o que quer, os acusados do mensalão estão tirando umas férias, pois não se pode dizer que estão presos ou que foram punidos, o combustível voltou a subir, os impostos subiram e ninguém faz mais nada, afinal, era carnaval, tempo de festa, agora é preparação para copa e, segundo um figurão nacional, o “Rei” Pelé, “vamos protestar só depois da copa”, ou, segundo um outro ídolo brasileiro, o “Ronaldo Fenômeno”, “não se faz copa do mundo com hospitais”. E quem foi que falou que precisamos de Copa do Mundo? Fácil falar isso para uma pessoa que quando tem um problema de saúde vai para o Sírio Libanês! Dá próxima vez que tiver qualquer problema de saúde, vá para um hospital público!
O povo brasileiro, pelo menos a grande massa, não tem o mínimo de princípios cívicos, de educação de base, só sabe reclamar, mas não cumpre suas obrigações para ter moral para cobrar seus direitos. E esse discurso de que a culpa é só do Estado também já cansou, a culpa é sua que não se importa com nada, que diz que política não te interessa, que vende seu voto por uma cesta básica ou pela promessa de políticas assistenciais, que são esmolas eleitoreiras, a culpa é sua que não estuda e não pensa, pelo contrário, engole qualquer porcaria que uma mídia manipuladora coloca no conforto do seu lar e você, um zumbi, sai replicando, sem sequer saber do que fala, a culpa é sua que vai reclamar que a escola não educa seu filho e não educa mesmo, pois isso é tarefa sua, afinal, quando resolver ser pai e mãe você publicou um edital e pediu ajuda? Então, assuma o papel que lhe cabe e ensine seu filho a pensar, a ter respeito e pare de achar que ele não se adapta as regras, ou que a escola não entende o alcance da inteligência dele, pois acredite, essa pode ser só mais uma estratégia que estão colocando na sua cabeça vazia, pois seu filho pode, simplesmente, ser um mal educado por você mesmo, que não sabe respeitar hierarquia, pois você também não ensinou isso a ele dentro do seu próprio lar. Se tivéssemos tantos Einstein por ai, como se quer fazer crer que temos, será que nosso país estaria do jeito que está? Pense um pouco sobre isso também.
Sei que esse meu texto não vai ser lido por muitas pessoas, pois é extenso e, esses dias, vi um movimento por uma rede social, onde as pessoas acham lindo falar que não leem textos com mais de 10 linhas. Continue pensando assim, é isso mesmo que esperam de você, que continue um completo alienado, um zumbi e não falo isso pelo meu texto não, falo isso por todos os livros que são deixado de lado, e ai não vale 50 Tons de Cinza, ou então, posar na foto com livro do Paulo Coelho e, ainda por cima, de ponta cabeça, como o fez nosso ilustre ex-presidente, que acha “que ler é chato”. Acredite, existe vida além da revista Caras, da Contigo, da Veja ou qualquer outra publicação massificadora e alienadora.
Diante disso tudo, volto ao título do meu texto, é melhor devolver o Brasil aos índios e pedir desculpas, pois não somos capazes de fazer nada de melhor por esse país, aliás, temos muito a aprender com os índios, que hoje tem que lutar para se manter em suas “reservas”, quando deveríamos ter deixado para eles tomarem conta. Um país que tem como Reis e Rainhas, pessoas que fazem esse tipo de comentário, um país que gira em torno do carnaval e do futebol, não pode ser levado à sério, devolve e pede desculpas, é a minha opinião.

Cena bastante apropriada do filme Matrix – Pense sobre isso!