O Brasil mostra sua cara

O Brasil está mostrando sua cara, sem Photoshop, sem filtros, sem nada e vou te falar, não tem Yvo Pitanguy que resolva!

O momento que vivemos não tem precedentes e, ao dizer essa frase agora, tenho medo pois há alguns anos escrevi exatamente isso, achando que estava vivendo o pior momento que daria para se viver. Piorou!

Meu medo é daqui a alguns anos escrever esse mesmo parágrafo novamente e, quer saber, tenho certeza que isso vai acontecer, pois o fundo do poço parece um lugar que o Brasil não faz ideia de onde fique.

A fala de que “o Brasil não é para amadores” define muito bem nosso momento. Não é mesmo, o Brasil é um país difícil de se explicar, vivemos de extremos, de situações que fazem inveja a qualquer escritor de ficção. Aliás, competir com a realidade brasileira é para poucos.

Últimos exemplos: temos um diretor da CIRETRAN que tem a Carteira de Habilitação cassada, pois tem mais de 120 pontos e, para os que não sabem, 20 pontos são suficientes para você perder a sua. Isso mesmo, em tese, ele perdeu a CNH seis vezes.

Continuando, nossa indicada para Ministra do Trabalho poderia representar bem o Ministério do Trabalho Escravo, mas esqueci que no Brasil não temos mais trabalho escravo. Eu explico: não é que o trabalho escravo não exista, mas acabaram com a Lei que definia o que era trabalho escravo, então, ao menos em tese também, ele deixou de existir. Mas nossa aspirante a Ministra já foi condenada por não cumprir as leis trabalhistas, já foi julgada, condenada, mas não pagou.

Nosso Ministro da Secretaria do Governo é o verdadeiro capacho de mafioso, puxa-saco da pior espécie, um ser (não dá para usar humano, limito a denominação a um ser) que não sabe o que são valores éticos, que acha super normal o Governo usar a chantagem para conseguir o que quer. Claro que ele não usa a palavra chantagem.

Um dos nossos Ministros do Supremo resolveu escrever sua própria Constituição e Código Penal. O que existia não lhe agradava, então, ele resolveu que seguiria o que melhor lhe conviesse e assim o fez e ainda continuará fazendo. Seus critérios são mais duvidosos do que suas relações pessoais e profissionais, suas empresas são financiadas por investigados e condenados, mas isso não quer dizer nada e, segundo ele, não influencia o seu julgamento.

Vamos falar um pouco do nosso presidente. Mas vamos falar o quê? Um rato do Congresso, cobra criada ao longo de décadas de corrupção, que conhece todos os esgotos que levam ao trono. Sim, esse poderia ser seu resumo biográfico.

Só não concordo com a tese de que não foi eleito, porque foi, graças a ambição e sede de poder de um partido que traiu suas bases e raízes mais profundas, tudo isso movido pela ganância do sem limite. O preço foi caro, quem se alia com o diabo sabe bem que uma hora sua alma será levada. A conta chegou e o diabo levou.

Nada disso é novidade para nenhum brasileiro, pelo menos, não deveria ser. O Brasil está podre, em todas as esferas do poder. O Brasil já não é mais um paciente com câncer em metástase, o Brasil  já é um cadáver em decomposição.

O que está apodrecendo a céu aberto é a ética, a moral, os valores que regem uma sociedade justa. Apodrece o caráter, a índole!

Eu já não sei se a apatia em que o brasileiro se encontra é o resultado de um instinto de defesa, onde a pessoa se fecha à realidade para poder sobreviver ou se é conivência, aceitação. Ambas são preocupantes.

Assistimos, no reconforto do nosso lar, ao desmanche do país. Assistimos ao roubo não somente de bilhões e bilhões de dólares, mais que isso, assistimos ao roubo de várias gerações futuras, mas isso parece não nos importar.

Sabe o que importa? A bunda da Anitta no biquíni de fita isolante, a lacração da Pablo Vittar, a vitória do Corinthians, a falta de mundial do Palmeiras. No momento, o que importa já é o Carnaval, esquece o resto porque é festa!

Isso me dá uma raiva e chego a pensar que o brasileiro fez por merecer essa lama que temos até o pescoço! Como pode uma nação com mais de 200 milhões de pessoas ficar calada diante desse quadro surreal?

Discutir política por aqui se resume a trocar ofensas pelas redes sociais, principalmente entre as tribos dos coxinhas e mortadelas, da esquerda caviar e dos conservadores hipócritas.

Esse ano, para coroar a situação, temos eleições. Surgem os salvadores da pátria, que já foram de caçadores de marajás a pai dos pobres, mas que na minha opinião, nada mais são do que hipócritas e oportunistas, pois se houvesse interesse em fazer algo, já deveriam ter feito, afinal, alguns estão vivendo às custas do povo há décadas!

Mas o brasileiro, que adora ser enganado e iludido, fala em renovação! Como renovar, meu Deus?! Renovar elegendo merdas que já estão no poder há décadas? Não sei quem vive num universo paralelo: eu que não acredito em nada ou aquele que acredita em tudo, mas certamente, na mesma dimensão não estamos.

Minha visão é extremamente cética e ao melhor estilo Tomé, pago para ver! Pago com a certeza de que não tirarei um centavo do bolso, pois nada vai mudar. Aliás, pode até mudar sim, mas para a pior. A melhoria não depende só do Governo, depende de todos e pelos exemplos que vemos diariamente, sinto muito, mas não sou tão otimista.

Estamos no início do ano e já começamos a ver o bom e velho truque do mascaramento dos índices. Tática conhecida no meio político, principalmente em anos eleitorais. Quero ver esse discurso e essa estabilidade depois do dia 02 de outubro!

Ao longo desse ano evitarei ao máximo entrar em discussões políticas, até porque, não tenho mais a mínima paciência para manter uma discussão educada com pessoas desprovidas de bom senso e cegos defensores de ladrões. Bandido para mim é bandido, independente de sigla partidária e não tenho bandido de estimação!

O Brasil mostrou sua cara, que é a cara da corrupção, da falta de vergonha, da falta de caráter e de ética, a cara do jeitinho safo que só enterrou essa nação no esgoto. Não precisa vir com discursos, não estou generalizando, sei que existem boas pessoas, mas vamos ser racionais, se a grande maioria fosse ética ao invés de oportunista, o cenário global seria outro!

Continuar negando que precisamos de mudanças profundas, estruturais e culturais é um excelente caminho para continuarmos mergulhados nesse mar de dejetos. E aí, o que vai ser para hoje?

 

Prof. Belini – 11/01/2018

 




Educação como única solução possível

Que a situação atual está longe de ser boa, creio que não seja dúvida para ninguém, mas como mudar esse cenário nefasto? Como pensar num futuro menos sombrio? Será que tem jeito?

Tem sim, mas não é uma solução fácil, essa mudança não se dará por um decreto ou por uma medida provisória. A solução para esse caos é única e, embora seja uma medida a médio e longo prazo, é a única possível. Estou falando da Educação.

O que vou expor a seguir é tão somente o meu ponto de vista, que não é somente meu, é claro, mas é aquilo que acredito, é minha convicção.

Nossa Constituição, que em teoria é perfeita, diz no Artigo 205, que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. ”

Para mim toda a Constituição poderia ser resumida nesse artigo, pois se somente ele fosse aplicado plenamente, não teríamos praticamente nenhum dos estúpidos problemas que nos atingem, a começar pelo deplorável Congresso Nacional e o tacanho Chefe de Estado que nos dirige, muito menos nossa Suprema Corte, que é uma vergonha e uma afronta a própria Constituição.

Um povo educado é perigoso, pois segundo a definição da própria Constituição, toda pessoa educada é plenamente desenvolvida, preparada para exercer a cidadania e qualificada para o trabalho.

Vamos detalhar um pouco cada um desses pontos: um cidadão plenamente desenvolvido não aceitaria, de forma alguma, as condições sub-humanas a que milhares de brasileiros estão submetidos.

Esmiuçando esse conceito do ser humano plenamente desenvolvido, vou me amparar no psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow, que criou uma teoria amplamente estudada no mundo todo, chamada comumente de Pirâmide das Necessidades de Maslow. Nesse estudo, Maslow classifica as necessidades humanas em cinco categorias, sendo elas: as necessidades fisiológicas, necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidade de status ou estima e, por último, a necessidade de autorrealização.

Não vou me estender em cada uma das etapas, mas resumindo, elas vão das realizações das necessidades mais primitivas do ser humano, como as necessidades físicas, como fome, por exemplo, até o estágio pleno, onde o indivíduo tem o controle das suas ações, da sua independência e da sua capacidade de fazer aquilo que gosta e no qual se realiza.

Acho que essa breve explicação da teoria de Maslow é mais que suficiente para chegarmos à conclusão de que não atingimos o desenvolvimento pleno, aliás, estamos muito longe disso.

Indo para o segundo item, que é o preparo para o exercício da cidadania. Eu acredito que seria impossível e mesmo contraditório, afirmar que a pessoa está preparada para exercer sua cidadania se ele sequer conseguiu atingir as necessidades básicas.  O exercício da cidadania implica nos direitos e deveres civis, ou seja, aquilo que nos compete diretamente. São exemplos simples de cidadania: não jogar lixo na rua, respeitar as leis de trânsito, mas também o respeito aos direitos do outro, no zelo pelo bem comum, entre tantos outros. Creio que também seja desnecessário me alongar nesse item.

Falando do último item, que aborda a qualificação para o trabalho, vou apenas citar que o Brasil possui algo em torno de 14 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever. Esse número é superior a toda população de Portugal, por exemplo. A propósito, esse é o mesmo número que temos de desempregados. Não estou dizendo que todos os analfabetos estão desempregados, mas é óbvio que existe uma relação direta entre esses indicativos sociais.

Temos pessoas altamente qualificadas e desempregadas, mas é natural que para a população de baixa escolaridade, esse índice é muito mais cruel, pois para estes normalmente estão disponíveis os trabalhos mais simples e manuais, trabalhos estes que estão cada vez mais sendo executados por máquinas.

E não, a culpa não é das máquinas, mas da baixa qualificação das pessoas. Todo país desenvolvido investe maciçamente em educação, em qualificação, em pesquisa e na produção do conhecimento. O que vemos em nosso país? Escolas sucateadas, faculdades sem recursos para manter sequer as atividades básicas, corte de verbas em pesquisas e inovações e segue a lista sem fim do descaso do Estado para com o item que deveria ser a prioridade máxima desse país!

O governo promove o sucateamento descarado do ensino e, ao mesmo tempo, vemos redes de faculdades particulares promovendo a segunda graduação, na modalidade de licenciatura, como uma oportunidade de segunda renda, ou seja, a profissão de professor se transformou num bico! É assim que tratamos o que temos de mais importante, como um bico!

A realidade é bem essa mesmo e a coisa é tão crítica que os próprios alunos costumam fazer a clássica pergunta: “Professor, mas você só dá aula ou também trabalha? ”. Perdi as contas de quantas vezes ouvi isso. O problema também não é do aluno, mas sim, da nossa própria sociedade, que sequer mais considera a docência como uma profissão digna, uma profissão como qualquer outra.

Nossa realidade é triste, é crítica e, racionalmente falando, está longe de uma solução rápida, pois volto e insisto, a única solução concreta para mudar esse cenário é um investimento sério em Educação, começando pela valorização dos professores, resgatando o orgulho perdido pela atividade docente.

A Educação tem o poder de diminuir as desigualdades sociais, ao proporcionar condições de igualdade no mercado de trabalho. A Educação acaba com a dependência do Estado, pois dá a cada cidadão condições de buscar seu próprio meio de sobrevivência e de realização pessoal.

 Podemos traçar um paralelo até mesmo com um ensinamento bíblico, pois a Educação se assemelha da máxima de “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Não sou contra o assistencialismo, se a pessoa está passando fome, ela tem o direito de ter o que comer e, nesse aspecto, os programas sociais tem sua importância, mas não se pode criar uma nova modalidade de escravidão com os benefícios sociais, pois isso é muito mais cruel do que os antigos troncos!

A Lei Áurea libertou-nos da escravidão física, já a Educação vem nos libertar da escravidão moral e emocional, vem dar a cada cidadão o direito de fazer seu próprio caminho. A liberdade sem o conhecimento não é plena, pois você pode até cortar as correntes que prendem o corpo ao tronco, mas as amarras da alma ainda continuam lá.

Entendeu porque o Governo não tem interesse em investir em Educação? Ela é perigosa, porque ela liberta. Um povo pensante é a arma que nenhum Governo corrupto quer enfrentar!

Que País é Esse?- Legião Urbana




Brasil: ame-o E deixe-o

Não, eu não escrevi errado, quis dizer exatamente isso mesmo: Brasil: ame-o E deixe-o. 

Essa frase ficou famosa na época da ditadura militar brasileira e, originalmente, era escrita como “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Fiz uma pequena adaptação para o momento atual e sim, também estou ciente que vou gerar algumas polêmicas.

Cada um tem o direito de pensar da forma como quiser, ninguém é obrigado a concordar comigo, assim como, também posso não concordar com sua opinião, portanto, você fica com a sua e eu com a minha, mas hoje é exatamente isso o que penso: viver no Brasil está impossível!

O nível de deterioração ética e moral é insustentável, nossos REPRESENTANTES políticos são fétidos, seres que nem sei a forma possível de classificá-los. Nossa “Justiça” funciona de acordo com o saldo bancário do acusado, sendo esse o único requisito “legal” considerado nas sentenças.

Uma análise, ainda que superficial da nossa realidade, é capaz de deprimir até o maior dos otimistas. A sede pelo poder transformou-se num jogo mortal, sem regras, sem princípios, sem ética, sem qualquer moral e vale tudo para alcançar o objetivo maior, que é o poder a qualquer custo.

Não existe mais pudor, os bastidores sórdidos são escancarados de forma trivial, como se fossem normais e, talvez, realmente estejamos vivendo esse momento perverso, da aceitação e da naturalização do que é errado.

Ao que me parece, a sociedade brasileira está mudando seu conceito sobre o certo ou errado, pois assim como a “Justiça” subverteu o conceito do que é a própria justiça, mediante o saldo bancário do acusado, a sociedade passou a aceitar como o certo ou errado um ato, analisando simplesmente qual foi o partido político que praticou esse ato, pouco importando se o ato em si é correto ou não.

Falo isso há muito tempo, ao meu ver, o maior problema do país não são os políticos, mas sim, os próprios brasileiros, que estão corrompendo princípios de acordo com a satisfação do bem pessoal, em detrimento do bem coletivo, que é o princípio básico para uma sociedade justa e equilibrada.

Perdi a fé em ver esse país melhor não porque culpe os políticos, mas porque vejo o próprio povo defendendo o indefensável e não vou entrar no mérito de nenhum caso específico, pois não é meu objetivo aqui. Sei que existe uma parcela significativa de brasileiros que é honesta, que trabalha duro, mas infelizmente, essa parcela está sendo sufocada por uma onda de oportunistas!

A partir do momento em que a sociedade toma a defesa do seu algoz, o que podemos esperar dessa sociedade? Eu, particularmente, já não espero mais nada.

A sociedade não quer mudanças, longe disso e basta ver as perspectivas para as eleições do próximo ano. Discursos desprovidos de qualquer fundamentação, cegueira seletiva e todos os demais sinais de patologias sociais, é só o que podemos observar, em todos os níveis.

Daria para escrever um livro sobre todos os aspectos que me levaram a construir esse pensamento, mas é desnecessário, pois não quero convencer ninguém, até porque, ainda que quisesse, não conseguiria, então, é totalmente dispensável gastar palavras com isso.

O que penso hoje é exatamente isso: Brasil, ame-o sim, afinal é o país onde nascemos, um país rico e bonito por natureza, mas que está acometido por uma doença que ainda o fará sofrer muito, talvez, até causando a sua morte, uma morte lenta e agonizante! É impossível não amar o próprio lar, pensar em deixá-lo causa tristeza sim, mas hoje penso que isso tornou-se uma questão de sobrevivência!

Se você tem chances de se mudar, se mude. Sabe aquele ditado popular: “os incomodados que se retirem”. Pois é, aplica-se perfeitamente. Para muitos, essa situação vexatória é conveniente, portanto, fica fácil acusar quem pensa de forma diferente, mas não se importe com isso.

Deixar o seu país, o seu lar, está longe de ser um gesto de covardia, pelo contrário, exige muita coragem, pois é deixar para trás toda uma história, uma vida, mas é também seguir um sonho, um desejo de vida melhor. Antes de criticar, lembre-se que você mesmo pode ser descendente de imigrantes, que chegaram ao Brasil fugindo de situações difíceis mundo à fora.

Quando você se sente um estranho dentro da sua própria casa, esse é o maior sinal de que chegou a hora de se mudar. Pode ser um recuo estratégico ou uma mudança definitiva, mas pondere o que vale mais: sua vida ou a opinião dos outros?

Não é errado lutar pela felicidade, não é errado querer conquistar bens de forma lícita, não é errado querer ter paz! Dificuldades existirão em todos os lugares, basta você ponderar o que você pode suportar e o que não pode.

Mas isso não pode ser conquistado aqui? Você não pode lutar pelo seu país? Talvez essa seja sua pergunta e respondo que pode sim, mas é necessário que a maioria da sociedade queira isso e hoje essa maioria não quer. Dispenso os discursos patrióticos e, principalmente, os hipócritas, vamos ser objetivos: a sociedade brasileira, na sua grande maioria, não luta por justiça, luta pelo direito de se beneficiar!

Amo meu país, nunca deixarei de amá-lo, mas chegamos naquele ponto de cortar o cordão umbilical e cada um seguir seu caminho. A vida é feita de escolhas e cada um deve saber o que é melhor para si. Admiro os que ficam e continuam acreditando, admiro os que partem e vão buscar sua felicidade, só nunca admirarei a grande maioria que é indiferente, pois a indiferença é uma das coisas mais maléficas dessa vida!

A busca da felicidade sempre deve ser o Norte das nossas vidas, portanto, não tenha medo do que você tiver que fazer para conquistá-la, apenas veja se para conquistar a sua felicidade, você não está destruindo a felicidade de outros, como fazem os gananciosos pelo poder que hoje vemos aos montes, que não se importam em matar a própria sociedade para satisfazer sua sede pelo poder e pelo dinheiro.

Se a sua consciência está tranquila, faça o que tiver que ser feito e vá buscar sua felicidade e cada um que fale o que bem entender, muitos já falam mesmo, que ao menos tenham um motivo, ainda que seja a inveja da sua coragem.

 




O caos e a testa

O fato acontecido recentemente, quando um adolescente teve sua testa tatuada, literalmente, jogou na nossa cara, o caos que está instaurado na sociedade.

Atualmente, simplesmente tudo vira uma partida de futebol, com torcidas apaixonadas para os dois lados, ou seja, tanto faz o que o seu time faça, tudo é válido e, por outro lado, tanto faz o que o time adversário também faça, sempre estará errado. Vivemos a Era Futebolística, onde qualquer assunto se resolve da mesma maneira como se discute um jogo. Mas a vida não é um jogo…

Obviamente, o assunto em alta no momento é a testa do garoto e a torcida vibra, com faixas e cartazes, uns defendendo, outros amaldiçoando, mas é uma testa que está dando o tom das conversas dos últimos dias.

Particularmente, nunca pensei que escreveria sobre uma testa. Normalmente, escrevemos sobre o coração, representando os sentimentos, ou as mãos, representando as forças transformadoras, ou ainda os pés, mostrando exemplos de caminhos.

Uma testa, apesar de algo quase impensável, é o que nos faz refletir sobre o caráter e a hipocrisia, quem diria. Talvez por ser a testa o que está logo na cara, literalmente falando e, por ironia do destino, tenha sido ela a escolhida para essa árdua tarefa.

A testa escancara um Estado falido, que não tem competência e nem moral, para cuidar daquilo que é básico e sua obrigação primária. Nossos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, estão podres, falidos e o odor fétido dessa putrefação nos atinge em cheio.

O tempo todo escutamos, das bocas imundas dos nossos políticos e autoridades, que nossa democracia funciona, que todos os poderes estão funcionando. Estão mesmo? Estão funcionando para quem? Estão funcionando segundo os interesses de quem? Da sociedade é que não é!

Nesse ponto, faço um apelo, não me venha com discurso partidário, pois meu sonho é que todos esses vermes desaparecessem, tendo em vista que não existe um único que represente a vontade popular. Todos, indistintamente, só servem aos seus próprios interesses, talvez, uns manipulando o povo mais do que outros, isso é verdade, mas só muda o nível de manipulação!

A testa tatuada não refletiu uma frase preconceituosa e hipócrita, ela refletiu o Estado moral da nação, que está adoecida, que está envolta pela ânsia de uma Justiça que o Estado se nega a fazer, ou melhor, que até faz, desde que não seja contra nenhum dos membros da sua gangue. Sim, gangue mesmo, pois não temos políticos e autoridades legitimamente representadas, temos uma gangue perversa que nos corrói internamente!

Antes que já me venham com os discursos de ódio, já vou adiantando que não defendo a postura do adolescente, se ele errou, que pague, mas não pelas nossas mãos, pois se assim o fizermos, estamos declarando uma guerra civil, fato esse, que já falo há bastante tempo, vivemos de forma velada.

Eu sei que nosso Judiciário está longe de ser o ideal de Justiça, mas a nossa briga não deve ser a de tomar essa justiça para a nossa alçada, mas sim a de lutar para restabelecer a ética em nossas instituições!

Restabelecer a ética depende não somente dos políticos e já abordei esse assunto inúmeras vezes, a ética depende que cada um de nós deixe a hipocrisia de lado, ao julgar uma coisa, quando na verdade também estamos sentados em cima do próprio rabo para esconder um monte de imperfeições.

Você pode não ter roubado, mas não tem nenhum errinho para achar que pode sair tatuando o erro dos outros na testa? Caso a resposta seja não, que você não tem nada de errado, ótimo, parabéns para você, que aliás, nem mereceria os parabéns, pois, agir de forma correta é tão somente o dever de todos nós, mas enfim, parabéns. De qualquer forma, isso não te dá o direito de sair julgando e condenando. Por outro lado, se a moda pega, teria muita gente precisando implantar um outdoor na testa, para poder caber a lista das imperfeições!

O adolescente estava errado, é fato, mas nos tornamos iguais ou piores quando partimos para esse nível de entendimento e de ação. Estamos entrando num caminho sem volta, onde a justiça passa a ser praticada segundo a ótica de quem julga, segundo critérios extremamente subjetivos e passionais. Isso jamais garantirá a justiça, saciará a sede de sangue, mas não fará justiça e, talvez, você só perceba isso quando se tornar réu.

Hoje foi uma testa tatuada, mas e amanhã? Uma mão cortada? Um enforcamento público? Pense nisso, reflita se é essa marca que você quer carregar em sua alma.

Novamente, reforço, meu objetivo não é defender o que é errado, mas chamar para uma reflexão de que podemos estar caminhando para um erro maior ainda. O julgamento e a punição têm que existir, para todos, de forma imparcial. Pode ser utópico, mas esse é o ideal democrático!

Vamos usar a força que temos para pressionar e exigir de quem tem que ser exigido: o Estado, afinal, é para isso que ele existe! Esqueça suas paixões políticas, hoje o que existe é uma quadrilha organizada que coloca o Estado contra o povo e, o que é muito mais grave, o próprio povo contra si mesmo, dando início ao processo de implosão social e das garantias individuais. Tudo isso pode parecer mero discurso protecionista, mas não é, pelo contrário, é base da nossa sociedade!

Ou esquecemos que vivemos numa democracia e voltamos à Idade das Pedras ou teremos que lutar pela moralização do Estado Democrático de Direito, que é o caminho mais longo e penoso, mas é o que trará menos sangue e barbárie.

Estamos às portas de uma nova era, a mão já está na maçaneta. Vamos abrir essa porta? Pode ser que você venha citar o Antigo Testamento: “olho por olho, dente por dente”. É verdade, mas lembre-se: “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, tudo tem suas consequências, não vá reclamar depois, quando o ferro estiver espetando a sua carne.

 




Não existe almoço grátis

 

Os últimos fatos da política e cotidiano brasileiros tem sido tão surreais, que faz dias que estou pensando em escrever algo, mas não estava encontrando palavras que pudessem descrever o que estou sentindo e olhe que não sou de ficar sem palavras.

A Polícia Federal deflagrou mais uma operação, agora tendo como alvos: políticos, grandes frigoríficos, agentes públicos e órgãos de fiscalização. Os maiores frigoríficos do país, JBS e BRF, traduzindo nos nomes comerciais, a JBS é a proprietária da marca Friboi, aquela que é 100% confiável, além de também controlar a Seara e a Swift. Já a BRF é um conglomerado de empresas, entre elas: Sadia, Perdigão, Qualy, Paty, Dánica, Bocatti e Confidence. Recentemente, foi considerada a “Empresa do Ano” pela revista Época Negócios.

O que essas empresas fazem? Subornam agentes públicos, órgãos fiscalizadores e, naturalmente, partidos políticos, para burlarem as Leis de Vigilância Sanitária do País, que diga-se de passagem, é quase impossível de ser colocada em prática, tamanha as exigências, que praticamente inviabilizam pequenos negócios. Já volto ao assunto principal, mas preciso fazer um parêntese. Sabe porque tantas Leis assim? Minha opinião? Exatamente para facilitar a formação de cartéis e monopólios das grandes indústrias! Um belo exemplo, a JBS e a BRF, não porque elas consigam atender a todas as exigências, mas porque elas têm dinheiro para subornar a tudo e a todos e, por tabela, ainda engolem os pequenos concorrentes.

Entre os produtos 100% confiáveis que consumimos, estão: carnes vencidas e em processo de putrefação, mas que são ignoradas pelos agentes de fiscalização. Devido ao aspecto e odor nem um pouco atraentes, recebem altas doses de produtos químicos, que dão uma cara boa, saudável e altamente cancerígena! Aquele molho à bolonhesa suculento vem acompanhado das últimas notícias, afinal, tem papelão, jornal, revistas e outros congêneres, tudo misturado cuidadosamente e com uma boa pitada de câncer também.  A linguiça na brasa é motivo para um papo cabeça, nesse caso, literalmente falando, tendo em vista que cabeças de porcos são moídas junto.

Deixando um pouco a alta gastronomia de lado, vamos para outra coisa que faz parte do nosso dia a dia: combustíveis. Também, ainda essa semana, a PF desmantelou outra quadrilha que furtava petróleo das refinarias. Um esquema fraudulento de fazer inveja, dada a engenharia utilizada. Profissionais altamente qualificados, como engenheiros, entre outros, faziam perfurações, não para achar petróleo, mas sim, os dutos da Petrobras e de lá tiravam milhões de litros de combustível, que eram processados em refinarias clandestinas e distribuídos pelo país. Um esquema milionário! Já sabe quem paga por isso, certo? A mesma lógica pode ser aplicada para os gatos de energia elétrica, água, TV a cabo, etc.

Voltando um pouco no tempo, bem pouco mesmo, porque foi na semana passada, a PF e o MPF também descobriram um esquema que envolvia médicos e enfermeiros, dessa vez, no reaproveitamento de materiais cirúrgicos e hospitalares e isso num dos maiores hospitais do Estado de São Paulo, quiçá do País, o Hospital das Clínicas. Além do risco à saúde, temos aqui mais um prejuízo de alguns milhões aos cofres públicos, pois é claro, os materiais eram comprados, só não eram usados, ao menos, não no hospital público.

Todas essas fraudes e tantas outras são frutos da ganância humana, da tal mania de levar vantagem em tudo e, por que não, do famoso jeitinho brasileiro, que é esperto, se orgulha das pequenas mutretas do dia a dia.

Mudando para a diversão, até nos jogos de futebol é fácil observar essa esperteza, esse jeito malandro de ser. Essa semana, no jogo entre Palmeiras e Jorge Wilstermann, o zagueiro do time boliviano, que é brasileiro, rasgou a própria camisa para tentar arrancar uma penalidade contra o adversário. Ao ser entrevistado, justificou, entre um belo sorriso, que “isso é jogo de Libertadores….rasguei minha própria camisa para não ser expulso (risos)”.

O título desse meu textão é: “não existe almoço grátis”, tradução de uma expressão popular americana, mas que vou emprestar dentro desse contexto, pois aplica-se também a nossa realidade, além do que, almoço está totalmente alinhado com o escândalo do dia.

Você acha mesmo que esses fatos não fazem parte da sua rotina? Isso está distante da sua realidade? Pois não está! Vivemos um momento de completa inversão de valores e quando alguém é honesto e sincero, isso vira motivo de admiração. Ser honesto e ser sincero é nossa obrigação enquanto cidadãos! Você não tem que ser elogiado porque é honesto, isso é o mínimo que se espera de um ser humano decente!

Muito se critica na classe política, com total razão, mas volto ao ponto de sempre: se a maioria dos políticos é desonesta e corrupta, precisamos repensar a sociedade como um todo, pois o político é um representante do povo, ou seja, ele representa a podridão do próprio povo! Você pode dizer que ele não o representa e eu acredito nisso, mas ele representa a maioria de nós, uma maioria igualmente corrupta, desonesta, que assim como o político, só pensou na possível vantagem momentânea que recebeu para vender seu voto, na vantagem que ele teria se aquele político fosse eleito.

Toda vez que volto minhas críticas para o povo, sou detonado, mas é exatamente o que penso. O problema desse país, de longe, são os políticos, mas sim o próprio povo! No dia em que passarmos a não mais aceitar como normal ultrapassar um sinal vermelho, estacionar numa vaga preferencial ou usar uma fila preferencial sem ter esse direito, a não ficar com o troco a maior, afinal, a culpa foi do caixa que não prestou atenção, entre tantos outros exemplos de desonestidades e corrupções cotidianas, não iremos também tolerar políticos corruptos, simplesmente porque eles vão deixar de nos representar!

Dói admitir isso, muitos não vão concordar, mas acredite, enquanto não passarmos a encarar esse fato de frente, enquanto continuarmos a colocar a culpa no outro, nunca sairemos desse lamaçal que mergulhamos. Não estou acusando ninguém, cada um que coloque a mão na consciência e pense no que já fez, mas pense, por favor!

Toda sociedade que evoluiu, só evoluiu porque passou a se preocupar com o bem comum, porque deixou de pensar somente em si e passou a pensar no bem coletivo, porque deixou de ser “esperto” e a ver que, de tudo aquilo que ele se apropriou indevidamente, alguém ficou sem. Isso não é mero discurso socialista, isso é o princípio básico do respeito, da ética, do convívio social.

A mudança é lenta, se ela começar hoje, de forma séria, talvez em duas ou três gerações os reflexos positivos comecem a aparecer, ou seja, nós não veremos os frutos dessa melhora, pode esquecer, mas fica uma questão para reflexão: que mundo queremos deixar aos nossos descendentes? Que marca faremos na história? Como a geração que acabou com um país, talvez até com o planeta ou como aquela que começou uma mudança?

Lembre-se sempre, não existe almoço grátis! Se o seu foi, alguém pagou por você, se você pegou mais do que consegue comer, alguém vai passar fome, a lógica é simples!