Defesa do Deputado Eduardo Cunha esbarra na PSI do Senado Federal

Um fato interessante me chamou  a atenção nessa semana, pois verifiquei pela mídia que a defesa do ex-presidente da Câmara e, espero, em breve ex-deputado, Eduardo Cunha, que o mesmo alega, em sua defesa, que sua senha foi usada pelo seu ex-assessor, que elaborou requerimentos em seu nome.

Como o assunto diz respeito diretamente a uma disciplina que estou trabalhando nesse semestre, que é a Segurança da Informação, vamos abordar aqui esse tema em detalhes.

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, tem como órgão responsável pela elaboração das Normas e Políticas de Segurança da Informação, o INTERLEGIS (http://www.interlegis.leg.br/) , que é um órgão que existe desde 1997 e que regulamente, entre outras coisas, tudo o que diz respeito a utilização de recursos tecnológicos e a modernização do Legislativo Brasileiro.


Uma cópia dessa Política de Segurança da Informação (PSI), está disponível no formato online, podendo ser acessado por qualquer cidadão e vale aqui uma ressalva ao capítulo 8.7, que trata da Responsabilidade dos Usuários (parlamentares também são usuários), alínea c, que reproduzo na íntegra: “Assegurar-se que as senhas para acesso aos ativos de processamento e de informações estejam de acordo com os procedimentos estabelecidos e que as mesmas sejam protegidas e confidenciais, não devendo ser compartilhada”.

Diante desse fato e, contra fatos, não há argumentos, fica nítido que essa é tão somente mais uma manobra política, mas deixando a política e nos atendo aos fatos, o nobre deputado cometeu uma falha sim, pois ao compartilhar sua senha com seu ex-assessor, o nobre deputado violou uma das regras da Política de Segurança de Informação, que está sujeito a punições. Se ele não passou essa senha, então, que abra processo administrativo contra o ex-assessor e que prove como ele conseguiu roubar sua senha, vai que o ex-assessor tenha a capacidade de ler a mente, nunca se sabe…

Voltando a questão acadêmica, percebam a importância de uma Política de Segurança da Informação (PSI), vejam o quanto ela pode ser decisiva e importantíssima em casos de repercussão nacional, como esse, por exemplo.

Para ler a cópia na íntegra, da Política de Segurança de Informação, clique aqui.




Desafios da Educação no Brasil

Agora ela volta para a modinha, todo candidato que se preza adora falar em Educação e ela é sempre uma das principais bandeiras defendidas, apontada como salvação, eleita como prioridade absoluta, pena que tudo isso só dure até o resultado das urnas.

Quais são os principais desafios da Educação no Brasil? São muitos, em vários aspectos, mas acredito que o principal deles é acabar com esse “pacto da mediocridade”. Sim, ele existe, de forma velada, praticamente um tabu, mas ele é uma realidade e qualquer professor sabe disso, basta ter atuado em qualquer segmento de ensino, principalmente no privado, para ver que isso não é uma lenda, mas sim a dura e intragável “política” que rege a grande maioria das Instituições.

Mas o que é, afinal, esse pacto? É muito simples, basta olhar para todo nosso sistema de ensino para compreendê-lo. Nossos jovens saem das salas de aula com um despreparo gigantesco, novamente, salvo raríssimas exceções, mas a grande maioria é exatamente isso. Formamos, todos os anos, incontáveis analfabetos funcionais e falamos que isso é Educação. Perante aos órgãos de controle, melhoramos, pois demos oportunidades a todos, o acesso à Educação está mais democrático, o que é fato, mas a qual preço?

De que adianta um diploma sem conhecimento? Nada. Já ouvi, ao longo da minha carreira, colocações absurdas, do tipo “os alunos estão aqui para comprar o diploma, nós estamos aqui para vender e espero que os professores não atrapalhem essa negociação”. É triste, é duro ler algo do tipo, mas pior ainda é saber que essa é uma prática comum, a prática da indústria da educação, que produz mão de obra em série para o mercado, mão de obra essa, por sua vez, muito mal qualificada.

Precisamos de um maciço investimento em Educação, mas um investimento real e não somente em alguns equipamentos que ficarão defasados em pouco tempo, precisamos da qualificação humana, da formação profissional e também da tecnologia, pois quando esses dois fatores se juntam, é inevitável uma situação: o país se desenvolve! É praticamente impossível pensar no desenvolvimento de um país sem pensar no seu desenvolvimento tecnológico, pois a alta tecnologia demanda mão de obra altamente qualificada, que por sua vez, demanda um ensino de muita qualidade que, como resultado óbvio, irá produzir mais tecnologia e, dessa forma, entramos num círculo virtuoso e a consequência natural será o progresso.

E se você é daqueles que pensa que a tecnologia vai acabar com o emprego, melhor repensar seus conceitos também, pois esse é um temor que existe há séculos. O que aconteceu na Revolução Industrial, senão exatamente isso? Qual era o temor da época? O de que as máquinas iriam substituir a mão de obra e o desemprego seria gigantesco. Vamos partir da lógica inversa, ainda sequer temos toda essa tecnologia, ao menos em nosso país, e nosso índice de desemprego é um dos maiores da história. Culpa da tecnologia? Não, culpa da baixa e precária qualidade de Ensino, culpa desse pacto da mediocridade.

Quais notícias vemos constantemente? A de que faltam profissionais qualificados! Se formamos tantas pessoas por ano e se esse sistema de ensino funcionasse, concordam que não teríamos tanta falta de qualificação? Algo está errado, algo não funciona nisso tudo e todos nós estamos pagando um preço muito alto para sustentar essa farsa gigantesca. Quase 12 milhões de desempregados sentem na pele o reflexo dessa farsa.

É óbvio que existem muitos fatores que contribuem para a atual situação calamitosa, que existe sim e pare com esse mantra de que não tem crise, pois isso não vai resolver o problema dos 12 milhões de desempregados. Outro grande problema nosso, sempre negar fatos! Como ignorar uma cifra dessa magnitude? Delírio? Enfim, uma área que não nos interessa nesse texto.

O fato público e notório: nosso sistema de Ensino é falido e não funciona! Assim como segurança, saúde, mas hoje estamos falando do Ensino. Enquanto a Educação for pauta somente de campanhas políticas, nunca sairemos do lamaçal que nos encontramos, continuaremos afogados em nossa própria incompetência e omissão. Começamos e entrar em colapso quando começamos a dizer aos nossos alunos que eles não poderiam ser traumatizados com correções, quando começamos a tirar do professor a autonomia e a autoridade em sala de aula, quando começamos a vitimizar os coitadinhos que são perseguidos por professores cruéis. Uma situação curiosa: quando um técnico esportivo cobra pesado do seu atleta e ele somente está preparando a pessoa para ser um atleta de alto rendimento, um campeão, mas ai do professor se ousar cobrar alguma coisa na sala de aula, é carrasco, não tem metodologia, não sabe ensinar e blá, blá, blá.

Lembra do pacto da mediocridade? Fizeram você praticá-lo, talvez até sem perceber, mas o trabalho foi bem feito. Sabe aquele papo de que o professor não pode corrigir o aluno porque isso pode gerar traumas? Só uma pergunta, como você está vivo até hoje? Todo ser humano saudável deve saber lidar com frustrações, elas fazem parte da nossa vida, você nunca vai conseguir não passar por nenhuma, a menos que nasça e morra dentro de uma bolha de vidro.  Nos frustramos na vida pessoal, profissional, mas sobrevivemos, pois é isso que acontece com qualquer pessoa mentalmente saudável! Acredite, as correções dos professores são as que menos trauma causam numa pessoa, quem dera todos os problemas da humanidade fossem esses.

A falta de habilidade em lidar com situações frustrantes marcou uma geração e sei que serei criticado aqui novamente, mas a tão famosa geração Y faz parte dessa geração que não sabe ouvir um NÃO, não consegue lidar com uma contrariedade, não entende questões simples de hierarquia, pois acha que tudo pode, que tudo lhe é permitido e devido e que ela não deve explicações a ninguém, pelo contrário, que o mundo lhe deve reverências e desculpas. Pobres mortais…

A geração Y tem qualidades sim, mas também precisa baixar um pouco a bola! É fato que possuem uma habilidade natural para lidar com o novo e a criatividade, mas respeito é algo que não sai de moda nunca. As empresas têm regras, a sociedade tem regras e acredite, essa não é uma geração iluminada e que está isenta e imune a tudo isso, essa foi uma grande mentira que contaram e que, na minha opinião, vai causar um trauma muito maior do que a correção do professor, do que uma chamadinha de atenção de vez em quando.

Como usar todo o potencial dessa geração? Fazendo-os acreditar que eles têm sim um poder nas mãos, mas não o poder de fazer todos se curvarem em reverência, mas sim o poder de uma transformação criativa, pois isso a geração Y tem muito, mas é pouco explorada. Fazendo agora uma ponte entre educação e a nova geração, vejo que estamos trabalhando com abismos, muitos professores e instituições ainda ensinando da forma como se fazia há séculos e pessoas com um alto rendimento e uma criatividade muito grande, mas que naturalmente, não se encaixam no mesmo lugar.

Repensando a Educação e suas metodologias, já passou da hora do sistema de ensino se preocupar somente em formar mão de obra, pois isso é linha de produção e tudo o que é feito em linha de produção, pode ser feito e substituído por máquinas. Talvez isso justifique o medo de muitos, de ser substituídos por máquinas e, sem dúvidas, acabarão sendo mesmo, caso não mudem a forma de agir. Ao menos por enquanto, o que nenhuma máquina consegue substituir é capacidade criativa e é nesse ponto que temos que agir. Ao invés de formar linha de produção, vamos investir no novo, na criação, na alta capacidade que está nas mãos dessa geração que tem tamanha facilidade.

Como fazer isso? Bom seria se houvessem respostas simples e fáceis, tudo isso faz parte de uma reestruturação de base, mas um bom começo seria todo aluno ser estimulado, desde muito cedo, a ser empreendedor. A geração Y e as que virão terão cada vez mais dificuldades de se adaptar a esse modelo, talvez porque realmente elas não sejam feitas para esse modelo, mas se não soubermos direcionar essa energia criativa, teremos somente cada vez mais conflitos. Projetos de Empresa Jr, na minha opinião, deveriam fazer parte dos Projetos Pedagógicos de toda Instituição de Ensino Técnico, Tecnológico e Superior, além de ser matéria obrigatória no ensino fundamental e médio, pois essa é a maneira de começarmos a reescrever a forma de ensinar e aprender, que não será mais a linha de produção, mas a da criação de ideias, das inovações e é somente com isso que sairemos do atual estado letárgico, pois fazendo sempre as mesmas coisas, teremos sempre os mesmos resultados e isso já sabemos que não funciona.

A tarefa não é simples, não é rápida, mas precisa ser iniciada em algum momento. O sistema não funciona? Concordo, mas podemos nos rebelar e começar a estudar em grupos organizados, em organizações sociais, religiosas, pois o conhecimento está aí, vivemos a Era da Informação, temos praticamente tudo ao nosso alcance, basta buscarmos, portanto, ao invés de se lamentar, revolte-se contra o sistema falido e estude, estude cada vez mais e mais. Cartazes, faixas, panelinhas batendo, passeatas, tudo isso fica bonitinho para a mídia, mas a verdadeira revolução é silenciosa, ocorre entre você e um livro e, nesse caso, ninguém tem como te impedir.

 

Créditos da imagem do cabeçalho: http://aspireblog.org/higher-ed/will-innovation-shake-higher-education/