A Morte – Uma Nova Visão

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Esse encontro entre Orlando e Vitor também aconteceu no antigo Egito, entre pirâmides, cercados por milênios de histórias e crenças que pairavam no ar. O povo do antigo Egito já acreditava na vida após a morte e, com base nisso, mumificavam seus faraós, pois acreditavam que eles continuariam a usar esse mesmo corpo após a morte. Mais uma vez utilizando crenças milenares e conhecimentos já adquiridos há muito tempo, ambos sentaram-se para conversar, dessa vez dentro de uma pirâmide, onde puderam conversar sobre um tema que trouxe muita controvérsia e dúvidas ao longo da história: a morte.

– Nonno, sei que o assunto morte foi um tabu por muitos e muitos séculos, atravessando gerações e, ao passo que algumas civilizações aceitavam o tema com mais naturalidade outras o evitavam ao máximo possível. Creio que a falta de entendimento sobre o assunto sempre foi a fonte desse tabu, do preconceito e do medo. Sempre existiu muito mistério acerca da morte, muito misticismo, mas poucas comprovações e que foram gerando muitas teorias e crendices. Somente com o avanço pessoal e também científico foi que o homem passou a entender melhor também esse tema e gostaria de ouvir mais sobre ele hoje.

– Vitor, a morte sempre trouxe muitas angústias, pois com ela normalmente estava associado o sentimento da perda, da incerteza e o medo do que realmente existiria após a morte do corpo, se é que realmente existia algo. A falta do conhecimento maior sobre si mesmo e sobre o universo, indubitavelmente, foram as principais causas dessas dúvidas. Uma vez que o homem ainda não tinha plena consciência nem do que ele era, não entendia sequer a vida que estava vivendo, era praticamente impossível entender e conceber uma vida que iria além da presente, se sequer essa ele ainda dominava, portanto, pensar que tudo acabaria poderia até mesmo dar certo alívio à mente confusa e envolta em tantas angústias e incertezas. O sentimento do nada absoluto poderia vir como um reconforto diante do sofrimento presente na época e se não fosse possível acreditar que algo existiria após a morte, acreditar que não existiria já trazia certo alívio.

– Por outro lado, esse alívio era efêmero, pois não era nem um pouco reconfortante pensar numa vida toda de sofrimentos, lutas, dores e muito trabalho para, em pouco tempo, tudo isso acabar. Esse era outro viés e que também trazia muita angústia a outra parte da população, que tentava acreditar que deveria existir algo mais, pois não fazia sentido tanto trabalho, tanta luta, para tudo terminar de uma hora para outras, às vezes muito cedo e pronto. Qual era o sentido de construir algo se tudo acabaria por completo em alguns anos?

– Nonno, foi com base nisso que muitas religiões se fundamentaram para criar seus ideais e suas formas de entender essa continuidade ou não da vida. Também foi ai que as teorias mais absurdas surgiram e que a manipulação de algumas extrapolou todo o limite da sensatez e da fé alheia. Algumas construíram seus próprios paraísos, tal qual fossem loteamentos, vendendo pedacinhos do paraíso aos seus fieis, algumas inclusive vendendo tijolos sagrados. É assustador pensar em como as pessoas eram tão facilmente manipuladas! Eu entendo que era muito fácil dominar uma mente que não buscava o conhecimento, não buscava uma mudança verdadeira, mas sim, somente uma solução mágica para seus problemas e angústias, transferindo a outrem a responsabilidade pela sua mudança e pelo seu bem estar. Era o preço que se pagava.

– Um preço bem alto, diga-se de passagem, Vitor. Mas deixando um pouco essas questões de lado, até porque já falamos muito sobre as Igrejas, vamos agora voltar ao ponto onde o homem começou a ver a morte com outros olhos. Quando o homem percebeu-se como um ser integral, parte viva de um todo maior, que era o próprio Universo, ele começou a perceber que suas convicções mais íntimas poderiam estar completamente equivocadas e foi isso que o levou a busca pelo pleno conhecimento, pelo estudo e por todo o progresso que temos hoje. Com o tema morte não foi diferente, pois se percebendo como parte do Universo e também ampliando sua percepção desse Universo, o homem começou a pensar que a morte não poderia ser o fim, não faria qualquer sentido se isso fosse verdadeiro, pois se nada na natureza acaba e tudo se transforma, porque logo a vida humana terminaria, acabaria de uma forma tão banal.? Isso tornaria sua existência muito superficial e sem sentido e, nessa nova fase, o homem não mais se via dessa forma, pelo contrário, tinha adquirido a consciência de que não existia nada superficial, tudo estava contido dentro de uma lógica muito maior à sua percepção.

– Como o homem também passou a buscar o conhecimento ao invés das hipóteses sem sentido, aplicou esse conceito também aqui e foi estudar melhor a vida, os planetas, as constituições físicas desses planetas e também a sua própria e chegou a algumas conclusões muito importantes. A ciência sempre relutou em aceitar a vida em outros planetas, pois, segundo elas, não existiam condições favoráveis à vida nesses lugares. Mas qual era a visão da ciência? Também era muito míope, pois só buscava vida semelhantes as que existiam no planeta Terra, mas e se a vida em outros planetas fosse diferente? E se as constituições físicas fossem outras? O próprio corpo poderia ser diferente e quando ele passou a admitir essas dúvidas, buscou outras respostas, buscou novas formas de olhar para o mesmo assunto e encontrar outros conhecimentos.

– A própria Bíblia, que era o guia base de praticamente todas as religiões, já trazia o relato do apóstolo João, que disse “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos  lugar”. A Bíblia, como você sabe, foi o Livro Sagrado, considerado como um compêndio de todos os ensinamentos de Jesus e tudo o que está escrito na Bíblia são os relatos dos apóstolos, fiéis seguidores de Jesus, que registraram seus ensinamentos uma vez que o próprio Jesus nunca escreveu nada. Mas voltando ao mesmo ponto, desde há muito já havia o conhecimento de que existiriam outros mundos, as “muitas moradas”, que foram interpretadas de muitas formas, mas que representavam exatamente esse conceito das várias possibilidades de vida, das outras dimensões, que a própria física quântica já estudava, não mais como misticismo, mas sim como ciência.  O estudo da física quântica foi a grande base para esse entendimento mais profundo das diversas dimensões que estavam contidas no Universo, através desse conhecimento o homem foi percebendo, assim como já era conhecido, que tudo que existia era energia, em diferentes níveis de condensação, mas tudo era energia. Esse conhecimento, quando bem compreendido, foi libertador e muito profundo, pois o homem se deu conta de que a energia não é a mesma em todas as situações, ela se transforma, se transmuta e assume muitos formatos e era exatamente isso o que acontecia com ele próprio. Ele percebeu que o seu corpo físico nada mais era do que uma condensação energética, adaptada ao mundo em que ele se encontrava, mas que a sua essência não era aquele corpo, ela estava naquele corpo, que uma vez destruído pelo esgotamento energético iria se transformar em outras coisas, em outras formas, mas a sua essência jamais deixaria de existir, pois era uma pequena parte do próprio Cosmo, uma chama, uma luz ou qualquer outra comparação que se queira dar, mas o fato inegável é que ele não tinha fim, como tudo a sua volta, apenas transformava-se.

– O ser humano se deu conta de que ele era imortal, nesse sentido mais amplo, ao contrário do que ele buscava anteriormente, que era a imortalidade do corpo, da forma que ele tinha e não do que ele era, percebeu que ele não precisava buscar essa imortalidade, pois ele já era imortal, só não tinha essa consciência ainda. Ele também percebeu, com isso, que a vida que ele buscava em outros planetas não deveria ser a mesma que ele conhecia, pois a forma, o modelo do seu verdadeiro ser se modificava e se adaptava ao planeta onde ele se encontrava, portanto, ao invés de buscar vida semelhante ele passou a estudar as constituições físicas desses planetas e, após isso, entender o tipo de vida que aquele lugar poderia conter. Finalmente ele entendeu que a imensidão do Universo não existia só para que o Planeta Terra fosse habitado, pois isso também era extremamente pretencioso e ilógico. O conhecimento do homem sobre as outras formas de vida, embora tivesse sofrido um grande salto, ainda era muito limitado e até hoje, de certa forma, ainda é. Não existe mais o misticismo, não existe mais a dúvida sobre a continuidade da vida, até mesmo porque os modernos equipamentos científicos permitiram comprovar a vida nesses outros mundos, através do estudo de ondes energéticas, mas entender exatamente como é essa vida, como é a constituição física e o que faremos quando lá estivermos ainda é um mistério. Temos algumas certezas, mas também temos a certeza maior de que existe ainda muito a ser aprendido!

– Essa visão realmente é muito libertadora, nonno. Estou lembrando aqui lá das nossas primeiras conversas, quando o senhor citou que hoje esse processo não é mais conhecido como morte, mas sim como transição e realmente faz todo o sentido, pois ao longo da nossa existência vamos transitando entre os mundos, adquirindo todo o conhecimento que é possível nele e, quando esgotamos as possibilidades de conhecimento em um, transitamos para outros mundos, para outras dimensões, mas sempre buscando o conhecimento, o entendimento maior da vida, que supomos, seja infinito.

– Hoje sabemos e entendemos que seres de outras dimensões transitam entre nós o tempo todo, mas isso deixou de ser motivo de preocupação, medo ou misticismo, pois sabemos que os que já se encontram num estágio maior de entendimento sempre tentam, de alguma forma, auxiliar os que ainda lutam para conseguir o conhecimento. Hoje também sabemos que os grandes avanços da ciência e da tecnologia se fizeram dessa forma. Claro que existe o mérito individual do cientista, do estudioso e isso é inegável, no entanto, ao se envolver em suas pesquisas, em seus estudos, estes entram numa faixa de vibração muito maior, entram em contato com outros tipos de energia e nesse campo energético conseguem receber as ondas vibratórias dos seres mais evoluídos. Esse processo ocorre no nível do pensamento, da energia criativa, portanto é um processo físico que ocorre através das vibrações mentais, sem com que sequer tenhamos consciência disso. Normalmente percebemos e recebemos isso como as intuições, aqueles pensamentos súbitos e brilhantes que temos de vez em quando, principalmente quando nos dedicamos com muito afinco a alguma tarefa. O que ocorre é que por estarmos vibrando numa faixa maior de pensamento, conseguimos captar o conhecimento de outros seres, o conhecimento que está contido na própria energia vital do Universo.

– Isso sempre existiu, não é algo que ocorre agora e a história da humanidade é repleta de situações que demonstram isso, como o advento das tecnologias e tantos outros equipamentos que sequer poderiam ser imaginados, mas que foram inventados. O que também existia era que devido a falta de uma compreensão maior sobre si mesmo, as pessoas se perdiam na vaidade e no egoísmo e acabavam indo de um extremo para o outro, pois sendo o pensamento uma energia vibratória, da mesma forma que podemos entrar em contato com seres mais evoluídos, também podemos entrar em contato com outros menos evoluídos ainda, podemos acreditar que existam outros mundos onde a vida ainda seja muito difícil e complicada, assim como a própria Terra já foi um dia.

– Nonno, hoje nós sabemos que devido a própria evolução da nossa constituição física, nossa estimativa de vida é muito mais alta, se comparada com as pessoas de antigamente. Sabemos que o período de vida que temos é o período necessário para aprendermos tudo o que pudermos aprender por aqui, que quando chegarmos a esse ponto vamos partir para outras experiências, novos conhecimentos e que esse é o caminho inevitável da evolução.

– Isso mesmo, Vitor. Esse momento já não é mais entendido como uma grande perda ou dor, mas sim, como uma mudança necessária e ficamos felizes por saber que nosso semelhante já conquistou um grau de evolução maior e que irá continuar sua jornada de conhecimento, aprendendo e evoluindo cada vez mais. Através desse entendimento outro comportamento também foi tomado em relação aos corpos daqueles que já fizeram a passagem para outra dimensão, pois na maior parte das culturas antigas eles eram enterrados e os locais onde eram enterrados viravam praticamente templos, locais onde se prestavam homenagens, mas com esse novo entendimento e com a plena convicção de que ninguém morre, os corpos passaram a ser cremados e as cinzas jogadas em campos ou jardins, como forma de fazer com que a vida continue seu ciclo, em todas as dimensões, a eterna lei da transformação.

– Vitor, creio que com isso terminamos também esse nosso encontro, esclarecendo um pouco mais sobre esse assunto, que está longe de ser esgotado. Também estamos nos aproximando do fim dessa nossa jornada de aprendizado, pois estamos começando a fechar os assuntos e creio que nossos objetivos estão sendo alcançados. Gostaria de combinar com você mais dois encontros onde abordaríamos algumas coisas do cotidiano, em como elas evoluíram até chegar a essa rotina que temos hoje, além de um último, onde voltaríamos um pouco na história e traçaríamos algumas últimas considerações sobre nossas raízes.

– Combinado, nonno. Nos vemos amanhã?

– Sim, amanhã nos encontramos no mesmo parque das nossas conversas anteriores, pois vamos falar do nosso dia a dia, portanto, é um excelente lugar para nossa conversa.

Como era de costume, despediram-se com um afetuoso abraço e foram para seus lares.

 

Leia aqui sobre Como é o Dia a Dia na Era da Luz

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