As Novas Tecnologias

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Nessa última série de encontros, onde os assuntos e temas principais do início dessa nova era foram abordados, Vitor e seu avô, dessa vez, se encontraram no antigo Egito, que assim como a Grécia, ainda mantinha monumentos históricos do início da história humana na Terra. Os modernos recursos tecnológicos ajudavam, mas o Egito era um lugar que ainda mantinha muito encanto e despertava muita curiosidade, suas antigas construções já denotavam o domínio de uma grande tecnologia, numa época onde os recursos eram muito limitados.

– Vitor, estamos chegando ao último encontro desse ciclo, que será importante para esclarecer muitas coisas que ainda não foram ditas, pois é natural que a evolução de todas as outras áreas que tratamos até agora, também dependiam da evolução da tecnologia e, naturalmente, ela foi ocorrendo em paralelo, como veremos nesse encontro de hoje.

– Esse assunto muito me interessa, nonno, pois sou fascinado pela tecnologia, pela forma como ela facilita nossa vida, nos ajuda a realizar as tarefas rotineiras e os serviços mais cansativos, nos liberando para as coisas que realmente são importantes.

– Esse já é um ponto muito importante, Vitor, a tecnologia vista como uma ferramenta de auxílio, como uma forma de facilitar a vida das pessoas, como uma ferramenta que pode executar os trabalhos mais perigosos e proporcionar o bem estar da população, como você bem disse, mas nem sempre foi assim. A tecnologia, entre nossos ancestrais, era muito rudimentar e atrasada, não trazendo nem de longe todos os benefícios que temos hoje, além  do que, o seu mau uso causou muitos problemas e danos, talvez muito mais prejuízos do que benefícios.

– Desde a descoberta do fogo até o que temos hoje, muita evolução foi necessária, mas a ciência e a tecnologia somente tiveram uma evolução significativa já na Era da Luz, pois antes disso existiram muitos fatores limitantes do conhecimento humano e o progresso sempre acabava emperrado em algum ponto, por puro e simples desconhecimento do funcionamento de todos os materiais disponíveis, pela falta de incentivo à pesquisa, que ajudaria a desenvolver novos tipos de materiais e componentes e, também não podemos deixar de fora, os interesses políticos e econômicos da época, que limitavam muito a expansão do conhecimento e do desenvolvimento tecnológico.

– Um dos grandes receios que acompanhavam os homens era o de que as máquinas fossem acabar com o emprego humano, fato que traria desempregos em massa e geraria uma grande catástrofe mundial. Esse pensamento acompanhou o homem desde a Revolução Industrial          , passou pelo progresso tecnológico da Era da Informação e persistiu por alguns séculos ainda. O homem não estava totalmente errado nesse pensamento, pois o objetivo principal da tecnologia é o de realmente acabar com o trabalho mecanicista, com as funções sem relevância ao ser humano e deixa-lo livre para buscar outros caminhos e conhecimentos, mas o outro lado é que era o problema, pois o homem não poderia conceber uma sociedade onde o recurso financeiro não fosse o seu foco central, portanto, não era possível pensar na sociedade sem o emprego, sem as fontes de renda, motivo pelo qual o progresso tecnológico foi reprimido por séculos e séculos, pois o conhecimento para criar novas tecnologias, em partes, até já havia, mas economicamente falando, esse fato não era viável, por isso, muitos projetos revolucionários foram boicotados ou engavetados.

– Nonno, eu entendo que o progresso tecnológico realmente só poderia acontecer junto ao progresso pessoal, intelectual e também junto com a nova sociedade, livre do bem capital, que não dependia mais do dinheiro, portanto, estava livre para alçar novos horizontes  e descobrir coisas inimagináveis na época. Não havendo mais a propriedade privada, o conhecimento também tomava novos rumos, pois não estava mais restrito a grandes patentes e segredos industriais e esse era um fato muito importante, que abria a mente humana e propiciava uma expansão tecnológica muito grande.

– Vitor, os avanços tecnológicos em todas as áreas foram muito grandes e vamos falar de algumas, como por exemplo, a geração de energia, que se tornou um problema global no século XXII, levando o mundo a grandes blackouts e todos os problemas decorrentes da falta da energia. A fonte de energia mais usada na época era a hidrelétrica, que era uma das formas mais caras de produção desse bem e as opções não eram das melhores, pois ou eram as hidrelétricas ou as térmicas, que eram muito poluentes. A energia por fonte eólica ainda era muito tímida, mas era uma das melhores alternativas, por usar um recurso inesgotável ao planeta, até porque, caso ele se esgotasse, todos morreriam e não haveria mais necessidade de nada, mas essa hipótese é extrema e só serve para ilustrar o descaso para com um sistema infinitamente mais barato e mais seguro, não poluente e que produziria uma quantidade de energia muito maior do que as produzidas pelas hidrelétricas. Outra fonte inesgotável era o próprio sol, mas a utilização da energia solar se reduzia praticamente a utilização doméstica, nunca houve interesse em desenvolver tecnologias adequadas para a geração de energia solar em larga escala, fato perfeitamente possível, mas não utilizado.

– Outro ponto crítico era a água. Como pode um planeta apelidado de planeta azul, exatamente por mais de 70% da sua superfície ser coberta por água, sofrer com a falta desse recurso? Isso chega a ser impensável, mas novamente vem a falta de investimento em tecnologia, a falta de interesse político e a ganância pelo poder. Os Governos nunca deram a devida atenção a esse ponto, nunca investiram de forma adequada em equipamentos que pudessem fazer a dessalinização da água do mar. Alguns projetos foram desenvolvidos de forma tímida, mas nunca foram levados adiante e uma das principais alegações era o alto custo do processo.

– O lixo era outro ponto crítico, pois a sociedade vivia seu consumismo no auge e nunca tanto lixo foi produzido, fato que logo se transformou num problema gigantesco, pois não havia onde depositar de forma adequada as infindáveis toneladas de lixo produzidas diariamente. Esse logo passou a ser um problema crítico, pois o excesso de lixo contaminava lençóis freáticos, comprometendo cada vez mais a qualidade da vida humana, que passou a sofrer com infecções e tantas outras doenças, todas decorrentes da falta de estrutura sobre como lidar com o lixo produzido diariamente. Igualmente, nunca houve interesse  do poder público em promover uma forma de descarte mais consciente ou, melhor ainda, de reciclar todo o lixo, produzindo com ele, por exemplo, energia.

– E, é claro, não podemos deixar de falar na fome. Por mais absurdo que possa parecer, por mais desumano que seja, pessoas morriam de fome ao redor do mundo! Crianças, homens, mulheres, idosos, ninguém escapava. Vitor, o mais incômodo dessa situação é que toneladas e toneladas de alimentos eram jogadas nos lixos todos os dias, uma quantidade de alimento que seria suficiente para alimentar todos os famintos do mundo e ainda sobraria. Esse é um dos pontos mais tristes da história da humanidade, pessoas morrendo diariamente por fome e por sede. Claro que só há uma explicação para isso: descaso completo das autoridades governamentais e também da própria população, pois independente de governos, nada impediria ações populares para reunir e distribuir alimentos, ainda que fossem os que seriam descartados das casas de cada um, mas seja pelo egoísmo ou pelo comodismo, muitos preferiam colocar os alimentos no lixo a doar para algum faminto.

– Nonno, quantas coisas ruins! Só consigo sentir um profundo pesar por todas essas situações e lamentar o fato da humanidade ter se perdido tanto, ter demorado tanto para mudar.

– Vitor, como já falamos, a evolução segue seu rumo natural, por vezes, um tempo diferente da nossa vontade. É claro que sempre queremos que as coisas aconteçam de uma forma rápida, mas nem sempre esse é o melhor caminho, mas concordo que era degradante a condição humana.

– O desenvolvimento tecnológico também seguiu seu caminho, de forma gradativa, mas a medida que o homem evoluía intelectual e moralmente, os recursos também eram cada vez mais descobertos. Os primeiros avanços tecnológicos foram focados exatamente na utilização dos recursos naturais de forma mais consciente, pois devido ao longo período de guerras e catástrofes  que atingiram a humanidade, os alimentos e a água quase desapareceram. O homem voltou aos primórdios da humanidade, onde teve que aprender a cultivar os próprios alimentos e isso aconteceu novamente, uma vez que não havia mais supermercados para fazer suas compras e tudo o que era necessário à sua sobrevivência, por suas próprias mãos, tinha que ser cultivado. Ao se deparar com essa situação ele tomou consciência dos séculos e séculos de desgaste dos recursos naturais, da quantidade absurda de agrotóxico que eles utilizavam, dos danos causados aos lençóis freáticos e as inúmeras doenças que eram causadas por eles. Cultivando aquilo que iria comer o homem começou a perceber que os alimentos continham tudo o que era necessário não somente para manter seu corpo em pé, mas também para sua saúde, sendo a natureza a maior “farmácia” que ele poderia frequentar.

– O próximo ponto foi reestruturar as fontes de geração de energia e, por não possuir muitos recursos na época, ele acabou optando por utilizar a força do vento como fonte principal da geração de energia, dando mais valor a um conceito já bem antigo, mas nunca devidamente valorizado. Com isso ele aprendeu que essa era a forma mais limpa, segura e fácil de produzir toda a energia que ele precisava, sem grandes investimentos em usinas e sem causar impactos ambientais, fato inevitável em toda usina hidrelétrica. Sendo o ar e o vento um recurso disponível em todo canto do planeta, ele também percebeu que não precisava criar complexas e custosas linhas de transmissão de um lugar para outro, pelo menos não em grandes distâncias, pois era muito mais viável e fácil construir novos pontos de geração em todos os lugares a ficar enviando a energia de um lugar para outro.

– Outro grande cuidado tomado foi com o lixo produzido, pois o homem foi percebendo e voltando a um conhecimento muito antigo, dito por Lavoisier, em           1777, que disse que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Usando esse princípio, eles foram percebendo que todos os resíduos produzidos poderiam ser trabalhados e transformados em outras coisas, que todo lixo orgânico poderia virar o adubo da própria terra, dispensando qualquer tipo de agrotóxico e gerando produtos com altíssima qualidade. Isso também não era um conhecimento inédito, aliás, várias correntes tentaram mostrar isso ao mundo, mas também foram ignoradas.

– Racionalizando a produção de lixo e tratando esses resíduos, além de outras ações, como reflorestamentos de grandes áreas, o homem passou a ver novamente as vertentes de água ganhando vida, os rios renascendo e  toda a vida aquática se restabelecendo. Claro que isso foi um processo que durou séculos para se completar, da mesma forma que antes fora destruído por séculos.

– Nonno, quanto tempo mais ou menos foi necessário para que a natureza se restabelecesse?

– Vitor, podemos dizer que em aproximadamente 500 anos o planeta Terra já estava totalmente diferente. Se tomarmos por base a história humana, esses 500 anos nada significaram, mas foi o período necessário para que todos os rios, florestas e demais recursos estivessem completamente restabelecidos. O período mais crítico compreendeu os primeiros 150 anos, mas depois disso, gradativamente, as coisas foram melhorando significativamente. 

– Após esse período o planeta já voltou a ter um aspecto agradável e plenamente habitável, a camada de ozônio foi restaurada e a temperatura do planeta foi diminuindo a cada ano até atingir seu ponto de equilíbrio, chegando entre os 20º a 25º C, isso em todo o ano, sem grandes oscilações. Durante esse período de reconstrução, além da recuperação dos recursos, o planeta também sofreu um processo natural de realinhamento dos seus eixos, fato que possibilitou a extinção das temperaturas extremas e proporcionou o equilíbrio constante, tanto da temperatura, como dos períodos de chuva, que ocorriam de forma leve, no entanto, constantes, proporcionando uma qualidade atmosférica nunca antes vista, com campos sempre verdejantes e rios sempre cheios, e agora, além de cheios, também limpos, transparentes, pois não havia mais  poluição. O respeito pela natureza passou a ser muito forte, ensinado a todas as crianças, era praticamente algo sagrado, pois definitivamente eles haviam aprendido sobre os perigos de uma natureza em desequilíbrio.

– Uma vez que a humanidade retomava seu processo evolutivo e o planeta estava novamente organizado, era chegado o momento de alçar novos horizontes, buscar novos conhecimentos e desenvolver novas tecnologias, criações que ajudariam cada vez mais na manutenção da vida e no bem estar do homem. Foram cerca de mais 300 anos para que essas criações ocorressem e nesse período, várias mentes altamente evoluídas nasciam no planeta, trazendo conhecimentos que para a época eram impensáveis e, também gradativamente, foram reestruturando ainda mais a vida no planeta, trazendo máquinas e equipamentos que trabalhavam para o homem, eliminando as tarefas cotidianas e cansativas e isso já não era mais um problema, não havia mais qualquer temor sobre esse fato, ao contrário, buscava-se cada vez mais o desenvolvimento desses recursos, que expandiam os conhecimentos e libertavam o homem para novas conquistas. Esse período foi muito rico em conhecimento e praticamente onde tudo o que temos hoje foi desenvolvido, podemos dizer que de lá para cá as coisas foram somente se aperfeiçoando, mas esse foi o período das grandes criações, em meados do ano de 2800.

– Também foi nessa época que o meio de transporte foi reestruturado, a humanidade já estava novamente crescendo e a necessidade de locomoção crescia junto, tanto internamente quando para outros países, que não eram nada mais além do que espaços de terras, sem fronteiras e sem qualquer limitação, pois o direito de ir e vir agora era um bem comum e uma vez que as posses não mais existiam, isso não foi um problema. Havia necessidade de se pensar no coletivo, como em tudo e o transporte tinha que ser planejado de forma que pudesse levar muitas pessoas, fosse rápido e não poluente. Diante desses fatores, o transporte férreo era o mais indicado, pois transportava uma quantidade de pessoas muito grande, não era  poluente e relativamente rápido, portanto, tornou-se a principal aposta e alvo de estudos.

– Muitas pesquisas foram surgindo, os materiais evoluindo, assim como novas tecnologias que possibilitaram o desenvolvimento de outras formas de combustíveis e vias, pois um dos principais problemas dos trens antigos era a velocidade reduzida em face do atrito sofrido entre a composição e os trilhos. Após alguns anos de dedicação foi desenvolvido um motor movido a hidrogênio, que também já era alvo de pesquisa antigamente, mas foi só mais um dos projetos sufocados pela ambição humana, pois ele não seria uma fonte muito rentável tendo em vista que o hidrogênio era um elemento presente, de forma abundante, em quase todo o universo. Em relação à via, também se utilizando de um conceito já existente, mas que foi aprimorado, os trens não sofriam mais atrito, pois deslizavam sobre as vias através de um campo eletromagnético e, como não havia atrito, a velocidade foi aumentada em até 10 vezes em relação a anterior. Esse foi um grande avanço e esse modelo de transporte foi utilizado por muitos e muitos anos, praticamente até o ano 3000, quando então passaram por mais um período de evolução da tecnologia. Apesar de rápido e seguro, o fator limitante ainda era a via, pois como construir pontes que atravessassem oceanos? Para superar esse fator limitante o homem teve que estudar muito, fazer testes com novos materiais e remodelar antigos conceitos e ele o fez, incessantemente, até que conseguiu desenvolver o que temos hoje, que são as aerovias. O homem acabou juntando uma parte dos conceitos e ideias dos aviões e outra dos trens, formando uma mistura que deu certo.

– Dessa invenção surgiu o meio de transporte que temos até hoje, que é basicamente um “trem voador”, se fossemos traçar uma comparação ao que existia. Isso somente foi possível graças ao desenvolvimento de grandes propulsores que permitiam a locomoção do trem no espaço, de forma impressionantemente rápida e segura. Somente havia plataformas, assim como ainda é hoje, nas aeroestações, espaços onde embarcamos e desembarcamos e esse era o único lugar onde os trens ficavam apoiados em algo, pois todo o restante do trajeto ele simplesmente flutuava no ar. Todo o controle passou a ser feito por geolocalização e todo o equipamento era operado sem nenhuma intervenção humana, mas sim, por supercomputadores dotados de inteligência artificial.

– Seguindo o caminho da evolução tecnológica, foi também nesse período em que os robôs foram aprimorados, também dotados de inteligência artificial, passaram a executar as tarefas mecânicas que eram de responsabilidade dos seres humanos, mas que a partir desse momento se viam livres e desobrigados, pois as máquinas agora é que iriam realiza-las. Com isso, o ser humano passou a ter mais tempo para se dedicar a tarefas mais nobres, como a leitura, a busca pelo conhecimento, as atividades de integração social, passou a ter mais tempo para o próximo, pois todos os processos industriais agora eram totalmente mecânicos e sem qualquer intervenção humana. As plantações, da mesma forma, também se tornaram totalmente mecanizadas, desde o seu plantio até a distribuição, totalmente operadas por equipamentos e robôs.

– Nonno, como o senhor já falou em outro momento, em alguns aspectos os temores dos nossos ancestrais se realizaram, mas não de uma forma pesarosa, mas sim, muito bem vinda! O grande motivo que era a preocupação com a substituição do trabalho humano pelo trabalho da máquina, se tornou uma realidade e ao contrário de problemas, só trouxe melhoras na qualidade e expectativa de vida.

– Sem dúvidas, Vitor e agora você tocou em outro ponto, que era o aumento da qualidade e expectativa de vida, pois com uma vida mais serena e sem tantos desgastes, o homem passou a viver mais e já por volta do ano de 2900, a expectativa de vida já chegava aos 120 anos. A própria constituição do corpo físico foi se modificando aos poucos, também evoluindo lentamente, mas caminhando junto a restante do planeta para uma forma mais inteligente de vida.

– Foi também nesse momento em que todas as nossas informações passaram a ser armazenadas nesses nano chips, que ainda utilizamos. Não havia mais necessidade de documentos ou qualquer outro tipo de registro, tudo que estava relacionado à nossa vida ficava armazenado nesses chips, assim como o é ainda hoje. Aproveitando esse conceito de armazenamento de todas as informações pessoais é que mais uma criação foi desenvolvida, a nova moeda de troca.

– Eu já iria perguntar sobre isso, pois em nossas conversas anteriores falamos que o dinheiro, como moeda de troca e fonte de poder e riqueza, não existia mais, mas era natural que houvesse a necessidade de algo que estimulasse as pessoas e as impedisse de paralisar.

– Sim, isso é um fato, o maior problema do dinheiro foi o desvirtuamento da sua principal função, que era essa mesmo, ser um estímulo e um incentivo a busca de algo que pudesse recompensar o ser humano, mas o grande problema foi a forma como ele foi administrado, possibilitando grandes acúmulos, que geravam muitas recompensas, mas não a todos e sim somente aos que o detinham, muitas vezes, conquistado de formas escusas. Por esse motivo era necessário criar uma espécie de moeda de troca que não pudesse ser acumulada, que não pudesse ser transferida, mas que se revertesse em benefícios de alguma forma, sem estimular a ambição e a ganância, mas que proporcionasse uma conquista saudável e, além de tudo isso, que ninguém fosse prejudicado por essa conquista, fato bem diferente ao que acontecia com o dinheiro.

– Vitor, qual é o bem que temos e que quanto mais dividimos, mais ele se multiplica? Qual é o bem que quanto mais doamos, mais recebemos de volta? Esse bem nunca poderá ser retirado de nós, pois é uma conquista individual e, por ser um sentimento, não pode ser emprestado, doado ou roubado, mas sim, somente compartilhado.

– Nonno, pensei em dois: o conhecimento e o amor.

– Isso mesmo, Vitor, pois o amor também acaba sendo uma consequência do conhecimento. Amamos aquilo que conhecemos, amamos aquilo que acreditamos, amamos aquilo que transforma nossas vidas. A nova moeda institucionalizada foi a UCA, que é a Unidade de Conhecimento Adquirido. Essa foi a moeda adotada em todo o planeta, era válida em qualquer lugar e para todas as coisas, ainda hoje sendo utilizada.

– Nonno, sempre achei muito interessante esse sistema, mas não sabia como ele foi criado, mas agora entendi. Eu mesmo aprendi desde muito cedo sobre a importância dele e seu funcionamento, mas não conhecia sua origem.

– Foi assim, Vitor, que ela foi elaborada, como uma política pública, parte do novo modelo de gestão pública, mas só foi possível ser implantada graças a tecnologia, que permitia quantificar as ações de cada um de nós e esse acúmulo era automático. Todas as nossas ações geram créditos de UCA, a leitura de um livro, o estudo de algum assunto, o plantio de árvores, o cuidado com as plantas e animais, até os momentos que dispensamos aos amigos e familiares nos geram créditos, pois ela não é uma moeda de compra, mas de conhecimento, portanto, toda ação que nos traga qualquer tipo de conhecimento, qualquer tipo de melhoramento como pessoa, vai gerar alguns créditos. Como você bem sabe, nós só podemos fazer todas essas viagens graças aos nossos créditos, que ao contrário do dinheiro, não nos causam qualquer sofrimento para conseguirmos, ao contrário, nos dão prazer, pois tudo o que enaltece nossa alma, também nos gera crédito.  Com a UCA é que podemos viajar para todos os lugares, também é ela que nos permite manter o alimento, a moradia e todas as nossas demais necessidades, mas sem peso, sem sofrimento e sem ganância, pois não adianta acumular uma grande soma de UCA tendo em vista que ela não pode sequer ser transferida para outra pessoa, pois é fruto do esforço individual, do empenho de cada um.

– O avanço do conhecimento do corpo humano, da sua estrutura genética é que também possibilitou o desenvolvimento do Projetor Tridimensional de Memória Genética Acumulada, pois cada um de nós traz em nossa constituição, toda a história acumulada, desde os tempos mais primordiais, como uma memória genética e possível de ser lida. Podemos dizer que somos enciclopédias vivas e dai vem a nossa inteligência, pois mais uma vez, nada se perde, tudo se transforma e os conhecimentos de antes serão a base das novas descobertas do amanhã, incansavelmente, por toda a eternidade. Todas as respostas que buscamos estão em nosso interior e esse já era o conhecimento da psicologia da época, mas talvez eles não tivessem a noção de que esse conhecimento, todas essas respostas estavam armazenadas também fisicamente, em nossa estrutura genética. Esse aparelho, relativamente simples, como o próprio nome diz, é um projetor interligado as estruturas moleculares de cada, bastando para isso colocar um dedo no leitor, que irá captar a identificação da pessoa e buscar os registros históricos dela, através da leitura da estrutura genética.

– Esses foram alguns dos inventos da época, que até hoje são usados, alguns já aperfeiçoados e tantos outros que foram inventados posteriormente, assim como, muitos outros ainda chegarão, pois a evolução é contínua e nunca irá cessar.

– Nonno, estou aqui pensando que apesar de toda a evolução que já temos, dos avanços em muitas áreas, mas que tudo isso ainda é uma parcela tão pequena dentro da imensidão do que ainda temos pela frente, de todo o conhecimento e evolução que nos espera.

– Realmente, ainda estamos no início da jornada, já muito melhores do que outrora, mas ainda no início. O planeta Terra é só um dos mundos dessa imensidão, só uma forma de vida, dentre tantos outros que estão espalhados em outras galáxias, coisas que ainda não conseguimos vislumbrar, pois nossas limitações ainda nos impedem de ter essa visão mais ampla. O conhecimento desses novos mundos também foi uma conquista do avanço tecnológico, que possibilitou conhecer melhor a grandeza do Universo, e através desse conhecimento, compreendermos melhor a nossa vida e a imensidão ao nosso redor, ela serviu para expandir nosso campo de visão, antes muito limitado e restrito, tanto é que muitos sequer cogitavam a vida fora da Terra. Hoje isso é um senso comum, embora ainda não tenhamos condições de entender plenamente esse fato, mas pelo menos já não mais negamos aquilo que não compreendemos ou que nossas limitações não nos permitem sentir.

– Vitor, creio que com essa conversa também esclarecemos mais alguns pontos e começamos, com isso, a caminhar para as considerações finais dessa nossa jornada de conversas e discussões. Claro que o entendimento e conhecimento nunca vão terminar, mas agora você já pode compreender melhor essa parte importante da história. Faremos mais alguns encontros onde abordaremos algumas curiosidades ainda daquela época, assim como, falaremos um pouco dos nossos ascendentes diretos e creio que isso será também uma grande surpresa para você.

– Já fiquei curioso, nonno! Naturalmente todos esses encontros já me ajudaram muito e, daqui em diante, cada vez mais vou buscar o conhecimento, não somente daquela época, mas de tudo o que me cerca. Sou muito grato por tudo isso!

– Vamos agora dar um intervalo maior, pelo menos três dias, pois preciso terminar outros afazeres e nos vemos novamente após. Em nosso próximo encontro falaremos de um tema que era um tabu muito grande: a morte. É necessário que você também compreenda melhor esse aspecto da vida, mas isso é assunto para a próxima conversa.

Entre abraços e trocas afetuosas de carinhos, ambos despediram-se e foram para seus lares.

 Leia aqui sobre Uma Nova Visão sobre a Morte

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