O Primeiro Encontro – Religião

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Vitor decidiu aproveitar o período de viagem dos seus pais para ter uma série de conversas com seu avô. Não que seus pais não fossem pessoas abertas ao diálogo, longe disso, mas Vitor sentia a necessidade de estar mais próximo do avô, gostava muito dele e viu, nessa viagem, a oportunidade perfeita para esses encontros. Os pais estavam numa viagem interplanetária, que duraria dois meses, portanto, tempo eles teriam de sobra para colocar as conversas em dia e, principalmente, para que Vitor tivesse a oportunidade de esclarecer muitos pontos que ainda estavam confusos em sua mente.

Após o término da sua aula, Vitor combinou de se encontrar com o avô numa praça que ficava bem no centro da cidade. Essa praça, assim como muitas outras, era equipada com locais apropriados para o encontro das pessoas, com quiosques de vidro, que também serviam como telas de projeções. Todos os quiosques tinham confortáveis poltronas, uma temperatura bastante agradável e música ambiente, de acordo com o gosto dos seus ocupantes. Tudo isso era automaticamente controlado pelo pensamento, sem necessidade de qualquer outro tipo de controle. Robôs cuidavam da alimentação e orientação das pessoas que transitavam por essas praças. Eram exatamente nessas praças que as pessoas se encontravam para estudar, conversar e praticar atividades de convívio social. Vitor tinha escolhido essa praça central, pois sabia que foi onde seu avô passou boa parte da sua infância e adolescência, portanto, era-lhe um ambiente repleto de boas recordações e ele também queria proporcionar bons e alegres momentos ao seu avô.

Eles se encontraram por volta das 19 horas, escolheram um dos muitos quiosques disponíveis e se acomodaram. Foi o avô quem começou a conversa.

– Vitor, meu neto, primeiramente, gostaria de te dizer que estou muito feliz com esse nosso primeiro encontro, que será o primeiro de muitos. Espero poder te ajudar nessas dúvidas, que estão lhe causando muitas intrigas e dúvidas. Vamos lá, fique à vontade, pergunte o que quiser, comece por onde quiser.

– Nonno (era como Vitor chamava, carinhosamente, seu avô), uma parte da história da humanidade, principalmente seu início, para mim está clara, pois seguiu um padrão de evolução natural. Creio que, desde os coacervados até os primeiros seres humanos que habitaram o planeta, não há muita dúvida, mas é exatamente depois disso que meus questionamentos começam, pois percebo que foi nesse ponto em que o homem começou a se perder. Alguns conceitos ou preconceitos, como eram chamados na época, começaram a surgir e eu não entendo o que deu errado nesse processo, que até então, caminhava de uma forma tão tranquila e natural.

– Muito bem, meu neto, vamos lá, o que você quer saber? Talvez eu possa te ajudar.

– Nonno, quero começar a falar sobre um assunto que há muito me intriga, que nossos ancestrais chamavam de religião, pois pelo que estudei, pude perceber que foi através dela que algumas confusões começaram a acontecer. Não consigo entender muito bem o que significava essa tal religião e qual foi o papel dela, de verdade, na história humana. Podemos começar nossa série de conversas com ela?

– Claro, meu neto. Esse também é um assunto que me fascina, um assunto que demorei muitos anos para entender, pois em minha juventude, assim como hoje você o faz, também questionei muito, não entendia, mas hoje consigo ver com uma clareza maior o papel da religião na história da humanidade. Se é isso que você quer, vamos começar a falar sobre ela.

O senhor Orlando fez uma breve pausa, respirou fundo e buscou em seu arquivo mental todas as informações que já tinha adquirido sobre o assunto, que era bastante complexo e, somente essa conversa, iria render boas horas.

– Vitor, a religião sempre foi uma forma que o ser humano buscou para explicar algo que ele também não entendia. No início da raça humana, o ser humano em nada se parecia com aquilo que somos hoje, o homem primitivo sempre foi muito instintivo, não raciocinava claramente, podemos dizer que sua vida era puro instinto: instinto de sobrevivência, instinto sexual, instinto assassino, entre muitos outros. Creio que podemos dizer que o homem vivia para satisfazer as suas necessidades mais básicas e primitivas, não tendo muita consciência de nada além do puramente instintivo. Nossos ancestrais sabiam, também por instinto, que deveria existir algo além da vida que eles tinham, mas não faziam ideia do que era e, numa tentativa de começar a trilhar o caminho da evolução, que é intrínseca ao ser humano, ou seja, ainda nos primórdios, por mais primitivo que fossem os homens, a essência da evolução já fazia parte da sua composição, porém ele não tinha como trabalhar isso e, nessa tentativa de entender, o homem criou o que chamou de religião. A esse instinto de um algo maior, o homem primitivo deu muitos nomes, como Deus, Jeová, entre outros. Em nome desse Ser maior, que eles não entendiam, muita maldade foi feita, muitas guerras foram declaradas e muitas atrocidades foram cometidas em torno de algo que ninguém entendia. O homem criou um ser superior, mas baseado na sua imagem e semelhança, ou seja, feito basicamente com as mesmas imperfeições que norteavam os humanos da época, embora, no que eles chamavam de escrituras sagradas, houvessem registros de que o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus, mas, de qualquer forma, ambos representavam a imperfeição, pois o homem não tinha consciência de nada além do que pudesse sentir com seus sentidos primitivos, que eram basicamente a audição, visão, tato,  olfato e paladar e, como você já deve ter estudado, esses eram sentidos muito rudimentares e muito limitadores, portanto, não davam aos homens da época qualquer noção da percepção que temos hoje.

Orlando, percebendo que seu neto estava atento a sua fala, continuou seu raciocínio.

– Seguindo essa linha, vamos começar a traçar e vislumbrar o raciocínio dos nossos ancestrais: o homem sabia que precisava evoluir, por puro instinto, como já disse e, sabendo disso, também por instinto sabia que precisava superar algumas das suas imperfeições. Com base no que eles chamavam de religião, eles começaram a criar códigos de conduta, que eram chamados de mandamentos, que serviam, basicamente, para impedir que os homens cometessem barbáries, como não roubar, não matar, não adulterar, entre outras coisas inimagináveis em nossos dias.

Orlando, percebendo a dificuldade do neto, pensou em lançar mão de alguns recursos disponíveis, como por exemplo, a leitura tridimensional da memória genética, pois tudo, simplesmente tudo o que já se passou na longa história da humanidade, está registrada em nosso código genético e esse código, com a ajuda de toda a tecnologia atualmente existente, pode se transformar numa reprodução tridimensional da realidade, onde são projetados, em detalhes, como num filme, toda a nossa memória residual de cenas já vividas, de resgatar os registros de informações, acumulados em nosso código genético, ao longo dos séculos.

– Meu neto, para facilitar nossa conversa, vamos ligar o Projetor Tridimensional de Memória Genética Acumulada, pois ele vai facilitar a você entender um pouco de tudo isso que estou falando, através da visão desses fatos, pode ser?

– Claro nonno, estou curioso para entender essa parte da história cada vez mais.

Vitor então pegou um micro transmissor  e o colocou na região frontal da sua cabeça. Esse transmissor, instantaneamente se ativou e coletou o material genético do Vitor e, logo em seguida, começou a emitir ondas de radiofrequência para o Projetor Tridimensional, que por sua vez, começou a gerar imagens num dos vidros do quiosque, que assumiu uma cor opaca, facilitando a projeção e visualização das imagens geradas.

– Vitor, agora preste bastante atenção, pois além das imagens, vou ligar o sincronizador temporal, que vai começar a recriar as imagens em sintonia com o que estou falando. Como eu estava dizendo, o ser humano tinha hábitos muito primitivos, como roubar, que nada mais era do que se apropriar de algo que não lhe era de direito, subtrair um bem de outra pessoa para benefício próprio, demonstrando com isso, um gesto de extremo egoísmo. Em alguns casos, para que o ato de roubar desse certo, nossos ancestrais também matavam e, na época, a morte era algo terrível. As pessoas, pelo menos algumas, tinham um prazer sórdido em provocar dor nos seus pares, em lhes subtrair o pouco que tinham, deixando com que seu semelhante passasse fome e sede, que sem dúvida, foi uma das maiores degradações a que nossos antepassados foram submetidos.

– Nossa, nonno, nem consigo pensar nisso. Como o homem primitivo era cruel!

– Sim, meu neto, eram muito cruéis e esse comportamento perdurou por vários séculos e foi um dos estopins da Guerra Nuclear que praticamente devastou a antiga civilização.

Diante disso, continuou Orlando, é que as religiões foram criadas, primeiramente por homens que tinham boas intenções e, desesperados com o que viam, tentaram de todas as formas, colocar um freio às insanidades primitivas. Eles criaram regras e colocaram isso como Leis Divinas, ou seja, apelaram para algo que ninguém entendia, pois se ninguém entendia, também não poderiam questionar e, sem questionar, o homem foi levado a admitir algumas restrições impostas por Deus, pois se ele não fizesse, seria castigado com o que eles chamavam de inferno.

Nesse momento, Vitor já começou a  ter a visão do que era o Inferno, segundo as crenças da época, e o projetor buscou um quadro que ficou famoso e foi pintado baseado na Divina Comédia, de Dante Alighieri.

– Esse inferno, Vitor, era o local onde, segundo os homens da época, eram levadas as almas dos homens que não seguiam os preceitos divinos, um local onde havia muito sofrimento, sofrimentos indescritíveis, pois uma das únicas formas de frear os instintos animalescos da época era o medo, principalmente o medo de algo que eles não poderiam comprovar, portanto, na dúvida, eles temiam.

– Nonno, mas então, pelo que estou percebendo, a religião não foi totalmente ruim? Ela teve sua importância?

– Sim, meu querido, claro que teve. Foi ela que durante muitos anos, bem ou mal, conseguiu frear a insanidade humana. Mas o problema é que o próprio homem primitivo achou um jeito de deturpar esse conceito em prol de benefícios próprios.

– Como assim, nonno?

– Vitor, veja esse trecho do nosso arquivo genético, ele vai ajudar você a entender as coisas que as pessoas eram capazes de fazer.

Nesse momento, começaram a ser projetadas cenas das “guerras santas”, da “santa inquisição” e dos horrores que se seguiram a esses fatos.

– Nossa, como pode?! – Exclamou Vitor

– Meu neto, esses bárbaros são nossos antepassados. Em nome do que chamavam Deus, criaram as mais cruéis formas de torturas, os sofrimentos mais agudos que se pode causar a alguém, mas não parou por ai não, eles conseguiram piorar ainda mais, pois a maldade também era intrínseca ao ser humano e ele sempre achava um jeito de coloca-la em prática. Ao longo dos séculos que se sucederam, algumas dessas atrocidades foram abolidas, mas outras surgiram e esse período ficou registrado como a “indústria da fé”.

– Nonno, o que são esses templos gigantes? O que são esses homens de terno e com um comportamento tão estranho? Por que eles gritam tanto? E todo esse ouro e riqueza?

– Esses templos gigantes – explicou Orlando – são o que eles chamavam de Igrejas, que eram locais onde os seguidores de uma determinada linha de pensamento se reuniam para orar ao Deus que eles não entendiam. Muitos tinham boas intenções, eram pessoas do bem e, realmente, queriam mudar, mas o problema maior nem eram as pessoas que seguiam e sim, as que influenciavam as multidões, pois esses sim, na grande maioria, só estavam preocupados com uma única coisa: a riqueza que você também está vendo ai. Essas pessoas eram chamadas de padres, bispos, pastores, entre algumas outras denominações e eram, em alguns casos, mentes completamente desequilibradas e exploravam o sofrimento e a fragilidade dos outros. Naturalmente, nem todos eram assim, como falei, existiam boas almas em meio a toda essa podridão, mas infelizmente, boa parte deles eram mentes corruptas, sombrias, que só vislumbravam uma forma rápida e tranquila de ganhar dinheiro, de construir riquezas. Pobres coitados, não tinham noção de quão rápida era a vida humana na época, não tinham a menor noção do que é, realmente, a felicidade, que é um estado de espírito e não um amontoado de bens materiais. Enfim, eram pobres coitados.

– A religião, meu neto, também foi usada para justificar todo tipo de preconceito e discriminação, pois com a justificativa de que era contra os princípios divinos, homossexuais eram discriminados, prostitutas eram julgadas e condenadas, embora, logo no início da era cristã, um espírito muito nobre que habitou o planeta, que eles chamaram de Jesus, já havia dito algo muito importante, mas que não foi levado à sério, que foi, segundo as palavras dele: “que atire a primeira pedra quem não tiver pecado”, mas isso não resolveu, eles atiraram pedras, queimaram em fogueiras e cometeram todo tipo de atrocidade com aqueles que eles classificavam como “diferentes” ou, segundo alguns mais extremistas, como “aberrações”. O homem da época não entendia o significado do sexo, taxava-o como algo sujo, pernicioso e, diante disso, criou-se toda uma problemática, pois aqueles que não seguissem os preceitos ditados pelos próprios homens, eram castigados em nome de Deus. A cor da pele, o quanto se tinha de dinheiro, tudo era motivo para se julgar e castigar e, infelizmente, a religião sempre esteve muito próxima a todos esses fatos tristes,  dá para entender isso?

– Não, nonno, não dá, estou aqui tentando imaginar como essas pessoas sofriam. Quanta ignorância! Como puderam julgar as pessoas pela sua opção por um sexo ou outro? Pela cor da sua pele? Pela sua classe social? Isso tudo para mim ainda é complicado, pois não consigo entender nada disso.

– Nonno, nessa época, como as pessoas eram classificadas pelo dinheiro que tinham? Como isso funcionava.

– Vitor, essa época da humanidade foi um período muito triste, pois era dado muito mais valor ao que as pessoas possuíam em detrimento do que elas eram. Pessoas boas, de coração puro eram discriminadas e julgadas, pois não tinham o que eles chamavam de dinheiro, não tinham tradição. Mas que tradição é essa? Tradição de maltratar e julgar os outros?  A igreja sempre esteve ao lado dos que defendiam o dinheiro e a posse, tanto é que foi considerada uma das instituições mais ricas da história dos nossos ancestrais. Eles chegaram a criar regras próprias, como o celibato, alegando que os sacerdotes só poderiam se “casar” com Deus, quando na verdade, foi só uma forma de controlar a partilha de bens materiais da igreja.

Outras religiões surgiram, via de regra, sempre por desentendimentos e interesses financeiros e políticos, pois um queria mais acúmulo de bens materiais que o outro. Eles criaram o chamado “dízimo”, que, segundo eles, era uma forma da pessoa garantir seu lugar no céu.

– Nonno, espera ai, acho que você agora está me contando uma piada, certo? Isso não pode ser verdade.

– Infelizmente é, por mais absurdo que possa parecer, com promessas de uma vida futura melhor, de garantir um bom lugar após a morte, eles praticamente vendiam pedaços do céu, alguns até vendiam pedaços da madeira da cruz de Jesus! Esses mercenários religiosos, aproveitando-se da fé cega das pessoas, diziam vender lascas da cruz onde Jesus foi morto. Mas não é só isso, eles vendiam “tijolos abençoados” para que os fiéis construíssem suas casas, entre tantas outras formas de explorar a fé como um negócio muito lucrativo.

– Nonno, como pode a humanidade chegar a um nível tão baixo de moral e ética?

– Vitor, agora você começa a entender o motivo da humanidade ter sido praticamente dizimada da Terra. As coisas chegaram a um ponto que não havia mais o que fazer, as pessoas estavam completamente perdidas e alucinadas, destruíam tudo, seus pares, a natureza e tudo o que vinha pela frente. A ganância humana era tamanha que os homens não se importavam com mais nada e a religião não conseguiu nunca cumprir seu papel primário, ou seja, o de tentar controlar as insanidades humanas.

– Mas, nonno, como isso acabou?

– Meu neto, essa parte da história é bastante complexa e envolve outras áreas, como por exemplo, a política e a ciência. Essa religião, como estamos vendo, ainda perdurou até por volta do ano de 2300 e, infelizmente, foi piorando cada vez mais até chegar a um ponto insustentável. Por volta do ano de 2200, um então líder religioso de um dos segmentos mais tradicionais da igreja, a chamada igreja católica, acabou renunciando ao seu posto, que era o mais alto dentro da hierarquia da igreja, pois ele era o “Papa”, ou, como eles diziam, o representante de Deus na Terra. Esse papa era tido como um profundo teólogo e foi um dos poucos na história que chegaram a renunciar. Na época, isso causou um alvoroço e muitas teorias sobre sua saída foram elaboradas, mas nada ficou comprovado. Posteriormente a ele, assumiu um novo papa, que foi eleito por seus pares e, foi ele quem começou uma revolução dentro da igreja, mas isso vamos continuar num outro dia, certo? Não parece, mas já se vão cinco horas que estamos conversando. Como temos tempo, amanhã voltamos ao assunto, tudo bem?

– Claro, nonno, se bem que não queria parar, mas entendo. Não vejo a hora que chegue amanhã para continuarmos essa conversa, pois percebo que agora vamos chegar ao ponto que sempre busquei: qual foi o desfecho dessa parte da história da humanidade.

Vitor e seu nonno Orlando se despediram com um afetuoso abraço e cada um foi para seus afazeres. Orlando foi para casa, queria relaxar um pouco, ouvir uma boa música e estudar ainda mais os pontos que ainda iria conversar com seu neto.

Assim que chegou a porta da sua casa, o ambiente da primeira sala, que era bastante amplo, se iluminou automaticamente, com uma luz verde clara, que deixou o ambiente bastante aconchegante e, ao mesmo tempo, estimulante para a leitura. Assim como a iluminação, o sistema de som já havia identificado nas ondas cerebrais de Orlando, a sua vontade de ouvir música e, sem qualquer tipo de outro controle necessário, o ambiente foi invadido pela melodia de Beethoven. Orlando sentou-se numa poltrona, que imediatamente começou a estimular seu sistema circulatório e muscular, provocando uma sensação de bem estar e completo relaxamento. Um robô, também controlado pelas suas ondas cerebrais, igualmente já havia identificado o que ele gostaria de ler e providenciou vários títulos para que ele pudesse escolher.

Fazendo mais uma breve explicação, a música clássica foi uma das poucas melodias que resistiu aos séculos e milênios, sendo ainda hoje muito apreciada e cada vez mais admirada. Hoje, sabe-se que os seres enviados para compor essas músicas estavam muito à frente do seu tempo, eram seres já muito evoluídos e que habitavam outros planetas e, num gesto de extrema grandeza, aceitaram passar um período no planeta Terra, para tentar, de alguma forma, produzir sons que ajudassem a elevar a alma humana. Foram poucos, mas a grandiosidade dos gestos dessas pessoas foi tão nobre, que as suas obras atravessaram as gerações e hoje, eles e muitos outros, continuam compondo melodias que, cada vez mais, ajudam os seres a se elevarem.

Vitor, por sua vez, já havia marcado com seus amigos outro encontro, onde conversariam coisas do cotidiano escolar, além de assuntos típicos dos jovens, que ainda continuavam a falar muito, sobre todos os assuntos, mas já não reclamavam mais dos pais e, nem tão pouco, tinham crises existenciais. A amizade  era um dos sentimentos nobres que poucas pessoas da antiguidade souberam aproveitar e desfrutar e, normalmente, o confundiam com interesses, entre outros sentimentos mesquinhos, e com isso, perdiam a oportunidade de desfrutar de um sentimento extremamente edificante e que ajuda a elevação do ser humano, em todas as esferas.

Após cada um ter terminado seus afazeres, dirigiram-se aos seus quartos, para as horas de descanso que precisavam. O sono era o momento em que eles poderiam se encontrar com seres ainda mais evoluídos, pois a partir do momento em que dormiam, as atividades cerebrais se intensificavam e adquiriam um nível de lucidez muito superior ao que se tem quando em estado de vigília. Por muito tempo, principalmente na antiguidade, acreditava-se que o sono servia para que o cérebro descansasse, mas com a evolução tecnológica e dos equipamentos médicos, constatou-se que acontecia exatamente o oposto e isso, atualmente, é muito fácil de se identificar, bastando observar os relatos de alguns dos nossos ancestrais, de que, em sono, tinham grandes revelações ou ideias. Essas revelações, nada mais eram do que um fenômeno estritamente físico, onde o cérebro, que ainda nem era tão evoluído, mas já entrava em contrato com os mundos superiores. Tudo isso, há muitos séculos, foi visto como misticismo e a ciência que mais se aproximou desse conhecimento, embora ainda muito limitada também, foi a física quântica.

Apesar de todas as limitações intelectuais, nossos ancestrais tinham alguns ditos que eram verdadeiros, pois eles costumavam dizer que, todos os dias, ao dormirem, morriam um pouco. O conceito que eles tinham da morte era completamente errado, mas que, de fato, eles conseguiam, nesses momentos de sono, se conectar com outros mundos, isso era verdadeiro. Hoje entendemos que durante o estado do sono, apenas nos desligamos de um mundo e nos conectamos a outro, um mundo em que somente habitaremos definitivamente quando fizermos a transição, mas que, desde já, podemos entrar em contato diário. Esse foi o motivo, pelo qual, no início dessa narrativa, abordamos que o conceito de morte se modificou totalmente.

Leia aqui o Segundo Encontro – Religião 

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