O Quinto Encontro – O Fim do Antigo Sistema Político

Facebooktwitter
image_pdfimage_print

Após o descanso necessário, Vitor e Orlando novamente se encontraram no parque para mais uma conversa, que seria a última sobre o tema política, onde eles falariam sobre as situações extremas e que levaram ao ápice de uma revolução, que começou no Brasil, mas que gerou reflexos por todo o mundo. Essa seria uma conversa bastante extensa, mas necessária, pois com o desfecho dessa já seria possível começar a trilhar e  a entender o processo de mudança que se instaurou após esses longos anos na escuridão.

– Vitor, preparado para mais esse encontro?

– Sim, nonno, preparado e bastante ansioso, pois pela nossa última conversa, pude perceber que as coisas foram piorando cada vez mais e fiquei imaginado onde isso tudo foi parar.

– É isso mesmo, meu neto, realmente as coisas se complicaram muito. Como falei, embora superficialmente, em nossa última conversa, foi por volta do ano de 2250 que a crise política chegou a um ponto insustentável.

– O Brasil já vinha sofrendo desde há muito com a corrupção, com a roubalheira, com a impunidade, que era comum e aceita por boa parte da população, que também não se importava com nada, pois viviam sempre alheios ao que acontecia, se davam por satisfeitos com muito pouco, com as esmolas que o governo jogava aqui e acolá, sem nunca pararem para fazer uma análise mais crítica e séria da situação. Nessa época o país era governado por um partido que sempre teve como bandeira a não corrupção, a garantia dos direitos dos trabalhadores, um partido, até então, tido como socialista, ideológico, que pregava o fim dos abusos do governo, que sempre foi muito ativo em protestos contra a corrupção, que participava da luta pelos direitos dos trabalhadores, que criticava veementemente a política populista e que sempre lutou pela transparência e honestidade. Pena que tudo não passava de mero discurso hipócrita e de uma demagogia sem tamanho, pois bastou que eles tivessem o poder para que uma das maiores redes de corrupção e crime organizado se instalasse no governo. Tudo aquilo que eles sempre foram contra, eles faziam muito pior, armaram esquemas gigantes de corrupção e enriquecimento ilícito, entre tantas outras falcatruas, sempre buscando o dinheiro e o poder acima de tudo.

– Na época, um grande esquema de corrupção foi descoberto e esse esquema envolvia todos os escalões do governo, no entanto, seu chefe maior, simplesmente deu declarações alegando que nada sabia e, pior, nada realmente foi comprovado contra ele, que se intitulou traído por seus companheiros partidários e saiu impune e ileso, como era o costume na época. Após seu segundo mandato, uma sucessora sua foi indicada e, naturalmente ganhou as eleições, estendendo o poder por mais alguns anos e tudo seguia conforme já arquitetado, maquiavelicamente arquitetado há anos. O povo, que na grande maioria vivia na miséria, mas era convencido de que não, se iludia com programas populistas, com bolsas  sociais que eram verdadeiras esmolas e migalhas sociais e, nem de longe, traziam dignidade a quem as recebia, mas esse era o principal argumento do governo e, também, sua maior arma de compra de votos. Chega a ser curioso o fato desse mesmo governante ter criticado severamente seus antecessores por programas do mesmo teor, alegando que essas bolsas eram populistas, que acomodavam o povo, que serviam apenas para a compra de votos, mas funcionou tão bem que o seu próprio governo foi, sem dúvidas, o que mais deu bolsas e criou incentivos de todos os tipos para que o pobre continuasse cada vez mais pobre e ignorante, portanto, muito mais facilmente manipulável. A ideia central era exatamente trazer acomodação para as pessoas, fazer com que elas não pensassem, não buscassem melhorar suas condições sociais e, com isso, ficassem quietas, pois eram mantidas com  migalhas do governo federal, que roubava e desviava bilhões e mais bilhões e, num gesto de extrema hipocrisia, jogava algumas migalhas ao povo faminto, que se saciava com praticamente nada.

– Nessa época, Vitor, a humanidade, principalmente o Brasil, viveu um período de torpor intelectual, cultural e social muito grande. A manipulação maciça da mídia, as notícias falsas que eram veiculadas todos os dias, os programas alienadores de televisão, como novelas, seriados, telejornais, entre outros, ao longo do tempo conseguiram a façanha de fazer com que as pessoas não pensassem mais, aceitando a tudo sem questionar. “O gigante acordou”, foi uma expressão muito utilizada nessa época, em relação a uma onda de manifestos que existiu no país, mas mal sabiam as pessoas que o gigante continuava dormindo em berço esplêndido, nunca sequer se mexeu em seu sono e aqueles movimentos, toscos, foram arquitetados pelo próprio governo e, assim como o início foi controlado, o fim também e ele foi facilmente arrancado das ruas, pois tudo já estava muito bem programado.

– A podridão não parava de emanar, em todos os cantos, roubos e mais roubos eram desmascarados, mas ficavam nisso, pois não havia investigação séria, não havia punição séria, eram apenas uma forma, ao que me parece, de provocar e zombar com o próprio povo, pois no fundo, os governantes sabiam que poderiam divulgar um pouco das suas falcatruas, pois nada seria feito mesmo e isso serviria para inflamar algumas opiniões, que não teriam forças para muita coisa, pois todo o sistema estava comprometido e preso a máquina estatal, desde empresas “privadas” até os meios de comunicação em massa, tudo passava pela censura desvelada do Governo, que permitia a publicação e veiculação do que era conveniente. Algumas vezes, jornalistas sérios se arriscavam e tentavam jogar um pouco de luz na escuridão, dando depoimentos reveladores do sórdido esquema de manipulação da grande mídia, do jogo de interesses que envolviam os meios de comunicação e o governo, mas esses gritos ficavam abafados entre tantas outras vozes, pois a mídia, naturalmente, não dava espaço para eles, que tinham que recorrer a meios alternativos, como a Internet, por exemplo, que num dado momento, também passou a ser censurada e controlada pela ditadura governista, que começou de uma forma bem sutil, com um discurso tranquilo, mas que no fundo tinha por objetivo único permitir que só fosse publicado o que eles queriam. A mídia independente passou a sofrer fortes sanções, sites eram banidos do espaço cibernético sem nenhuma explicação coerente, pessoas formadoras de opinião eram assassinadas descaradamente, aos olhos de toda a sociedade e da justiça, que nada fazia.

– Nessa época, Vitor, nenhuma cidade do país escapava da podridão dos seus governantes, pois o partido político ao qual pertenciam já não fazia a menor diferença, a política que imperava era a do caos, a do roubo e a da impunidade. Lembra quando te falei sobre a copa do mundo, que foi trazida ao país no ano de 2050? Pois bem, ela foi um dos fatores desencadeantes desse processo, pois para a sua realização o desvio de verbas públicas foi o maior da história do país, bilhões e mais bilhões de recursos públicos foram jogados fora, ou melhor, dentro, dentro das contas de poucos políticos, construtoras e pessoas ligadas às quadrilhas que comandavam o esquema.

– Enquanto pessoas morriam na fila dos hospitais, por falta de atendimento, pessoas essas chefes de família, que trabalharam uma vida toda e, de repente, quando doentes, se viam jogados feito brinquedos quebrados, abandonados e jogados a própria sorte, morriam por falta de cuidados básicos, por um simples exame que era feito tarde demais, por cirurgias que eram marcadas quando o paciente já havia morrido, milhões e milhões eram colocados para construir estádios de futebol, mas a verba para a saúde não existia. Ao mesmo tempo em que estádios suntuosos eram erguidos em meio ao nada, escolas públicas sequer tinham carteiras, merendas e condições mínimas para que os alunos aprendessem algo, mas claro, isso não era importante e muito menos conveniente, pois um povo que pensa não é manipulado facilmente, portanto, quanto mais alienados, melhor e o governo exercia bem esse papel, embora houvesse todo um discurso demagógico e patético que dizia o contrário.

– Todos os dias eram descobertos novos esquemas de corrupções, os jornais divulgavam valores estratosféricos desviados diariamente, como se estivessem falando de algumas moedas, as obras para a copa do mundo, quase em sua totalidade nunca foram concluídas, a infraestrutura dos aeroportos foi pífia, não garantindo o mínimo necessário ao funcionamento, os estádios, logo após os jogos, se transformaram em obras abandonadas, caracterizando o completo descaso do governo com o dinheiro público. Nessa época, como em muitas outras, a mídia e algumas pessoas que tinham influência popular lançaram campanhas no sentido de continuar o processo de alienação coletiva, dizendo para a população que não protestassem, ou que deixassem os protestos para depois. Depois quando? Quando não houvesse mais o que ser feito? Alguns estúpidos e grotescos chegaram a insanidade de afirmar que não se fazia copa do mundo com hospitais. Nisso ele estava certo, de fato, não se fazia, aliás, quem foi que pediu a copa do mundo? Quem se importava com estádios quando muitos morriam por falta de cuidados básicos? Você se pergunta isso, caro Vitor?

– Sim, nonno, estava pensando quem é que se importava com isso?

– Pois aí é que está o problema, grande parte da população apoiava, achava que os jogos eram importantes, viviam no mundo da insanidade e acreditavam no que a mídia e o governo divulgavam, que uma coisa não iria interferir em outra, que a população precisava também de diversão, ou seja, a velha política do pão e circo. Muitos que se diziam contra já estavam com seus ingressos comprados, muitos que protestavam pela educação nunca se importaram com as verbas desviadas, muitos que perderam entes queridos por falta de atendimento médico estavam nas filas para comprar ingressos, pois esse era o povo da época, um povo sem cultura, sem conhecimento, alienado, hipócrita e que vivia apenas o momento e, se esse lhe trouxesse algum benefício, melhor ainda.

– Lembra de quando lhe falei que o governo era o reflexo do povo? Pois bem, eis um belo exemplo e podemos dizer que  talvez a única diferença entre o governo e o povo fosse a falta da função pública, pois não podemos generalizar, é óbvio, mas grande parte da população tinha como objetivo chegar a carreira política para roubar, muitos se empenhavam em passar num concurso e ter um cargo público para não precisar mais trabalhar! Isso, meu neto, só demonstra a falta de caráter do povo, que era oportunista e, em várias situações, tirava proveito da desgraça do seu semelhante, como em catástrofes naturais, onde haviam mortes e situações difíceis, mas que outros enxergavam como oportunidades para tirar proveito da situação, mesmo que fosse para lesar ainda mais aquele que já estava em situação difícil. O oportunismo das pessoas estava presente em todos os níveis e situações, a falta de educação era generalizada, não havia generosidade e altruísmo, sendo que imperava o bem estar pessoal, a qualquer custo. O brasileiro, em dado momento, inventou uma tal de “Lei de Gerson” que, basicamente, era resumida pela máxima de “levar vantagem em tudo o que faço”. Diante disso, o que esperar?

– É muito fácil também falar que a culpa era somente do governo, dos políticos corruptos, da impunidade, mas o cidadão, quando pego em alguma infração pela polícia, também oferecia propina para não ser multado, não tinha pudor em pegar algo que não lhe pertencia, não devolvia troco errado, furava fila, estacionava em local destinado a deficientes físicos e isso era feito de forma generalizada, sendo assim, como culpar somente o governo? Aliás, como falei, quem é o governo senão alguém que saiu do próprio povo? Se a quase totalidade dos políticos era desonesta, isso era preocupante, mas poucos viam dessa forma, pois esse fato espelhava a quase totalidade da população, que também era desonesta, que também era corrupta, você consegue ver isso, Vitor?

– Consigo sim, nonno, é apenas uma projeção e reflexo mesmo. A sociedade escolhia entre seus pares, mas parecia que não haviam muitas opções e, nonno, fico tentando entender como isso poderia ser mudado? Penso que as coisas entraram num ciclo que, ao que me parece, não tinha fim!

– Vitor, você tem razão, o sociedade brasileira entrou num ciclo altamente destrutivo e, diante de situações extremas, atitudes extremas também são requeridas. Eles tinham um ditado que dizia que o melhor remédio é o remédio amargo, ou seja, aquele que gera um desconforto inicial para, posteriormente, poder trazer o bem estar e não poderiam estar mais certos sobre isso, só não faziam ideia de que provariam desse remédio amargo, que foi muito ruim num primeiro momento, mas que trouxe a mudança e a cura, mas o tratamento foi longo e houveram muitas reações ao medicamento, mas o que importa é que ao final, a doença foi vencida.

– O governo foi apertando o cerco cada vez, começou a controlar os meios de comunicação de tal forma, que qualquer coisa dita contra o governo era punida com rigor, a Polícia Federal foi instruída para investigar todos aqueles que publicassem o que eles chamavam de críticas caluniosas contra o governo e, dessa forma, uma nova ditadura foi se instaurando no país, mas nem mesmo assim, as pessoas se davam conta do que estava acontecendo, pois como de costume, estavam preocupadas com amenidades e coisas sem qualquer importância, mas que eram ótimas para manter o povo alienado, como futebol, novelas e outros programas, que sempre se encarregavam de servir ao Estado, cumprindo o papel de fazer com que as pessoas nunca pensassem. Com o passar do tempo, as coisas foram ficando cada vez piores até que algumas pessoas começaram a misteriosamente desaparecer, fato muito próximo ao que já havia ocorrido na primeira fase da ditadura que o país viveu, onde muitos foram mortos e seus corpos nunca foram achados. O povo achava que isso jamais aconteceria novamente, mas mal sabiam que o novo processo ditatorial já estava instaurado, apenas disfarçado de uma forma mais sutil, mas com um poder de destruição muito superior ao primeiro período da ditadura do país.

– Como as coisas começaram a acontecer de forma muito sutil, boa parte das pessoas nem sequer se deu conta desse processo, mas começaram a perceber que alguma coisa de errado havia, pois aos poucos, nada mais contra o governo era publicado, as manifestações públicas, de qualquer forma, foram coibidas violentamente, sendo que esse processo começou com a justificativa de manter a segurança para a Copa do Mundo, mas que continuou cada vez pior, mesmo após o término do evento, fato que provava que era apenas um pretexto, pois o verdadeiro objetivo era calar o povo e impedir que a massa demonstrasse sua insatisfação. Esse trabalho foi feito de forma bastante organizada, pois não eram muitas as pessoas que percebiam essas manobras e o que o Governo queria impedir era exatamente que a grande massa adormecida acabasse acordando, portanto, a todo custo, sufocava as poucas vozes que se levantavam, na tentativa desenfreada de impedir, a qualquer custo, que esse barulho promovido pelos poucos que tinham essa lucidez, acabasse influenciando os demais.

– Com essa situação toda, o Governo pútrido foi se mantendo no poder e o Estado foi subjugado à vontade de um grupo fascista que se instaurou e se apossou do país. Foram anos difíceis, pois qualquer tentativa de resistência era sufocada, pessoas sumiam e, nesse movimento, muitos começaram a deixar o país e buscar refúgio em outros países. O governo passou a explorar cada vez mais as fraquezas da população da época, como a educação precária, para não dizer, praticamente inexistente, a saúde que andava de mal a pior e a segurança pública, que a essa altura, servia apenas aos interesses escusos do Governo. Programas assistencialistas se tornaram cada vez mais frequentes, pois é óbvio, o povo não tinha o mínimo necessário para viver e, alimentá-los com esmolas, sob a bandeira de programas sociais, era uma forma de mantê-los calados, pois quem iria se rebelar contra quem lhes dava garantia de comida e outros benefícios, sem exigir nada em troca.

– Nonno, permita-me uma intromissão, mas o senhor falou que o Governo não exigia nada em troca, certo? Mas as crianças não eram obrigadas a pelo menos frequentar a escola? Lembro que já li sobre isso em algum lugar.

– Sim, Vitor, exigiam sim, mas vamos concluir que mandar as crianças para a escola não era uma exigência que ajudasse a deixar o povo mais consciente e independente, pelo contrário, fazia parte também dos planos do próprio governo, plano esse de exatamente manter o povo num nível muito baixo, cultural e intelectualmente falando, pois a escola não cumpria, nem de longe, aos propósitos do seu ideal e, nesse caso, creio que você se recordará sobre o que já conversamos sobre a Educação. Ir para a escola era uma forma de garantir que as pessoas continuariam a não pensar, ou melhor, pensariam dentro do padrão que eles gostariam que se fosse pensado, sem contestar, sem criticar, apenas passivamente aceitando a tudo o que vinha do Estado.

– Nonno, mas isso é desumano, não davam chance alguma para as pessoas? Tudo era manipulado de forma repulsiva? Isso realmente não poderia acabar bem…

– Vitor, nós estamos focando um pouco mais no Brasil, mas também não podemos nos esquecer que no restante do planeta as coisas não eram muito diferentes. A violência, a corrupção, as falcatruas eram constantes em praticamente todos os países, sentimentos negativos, atitudes que feriam e degradavam cada vez mais a espécie humana eram cada vez mais comuns e, o que era pior, parece que passaram a ser aceitos com uma boa dose de naturalidade entre as pessoas. Grupos terroristas cada vez mais ganhavam forças, matavam pessoas inocentes em nome de uma causa ideológica, mas que no fundo não passavam de grupos terroristas, gananciosos e que somente lutavam pelo poder. Os Estados Unidos da América eram considerados os grandes vilões nesse contexto e, portanto, alvo de constantes ataques, que geravam retaliações, que geravam novos ataques e, dessa forma, o processo entrou num ciclo sem fim.  Nessa época surgiu um grupo extremamente perigoso,  que se intitulava Estado Islâmico, que começou  como um braço de outro grande grupo terrorista, a Al Qaeda, mas acabou se separando e tomando vida própria, tornando-se um dos mais cruéis e sanguinários grupos terroristas que o mundo já conheceu. Os constantes conflitos desse grupo com os EUA e outros países Europeus, acabaram por culminar numa grande guerra, que teve proporções devastadoras para toda a humanidade.

– Outro ponto de tensão sempre foi a então Coréia do Norte e seus exercícios e testes com armas nucleares, principalmente contra a Coréia do Sul e Estados Unidos da América. Eles não eram levados à sério por muitos especialistas da época, que achavam que os exercícios não passavam de meras provocações, mas esse fato foi desmistificado e duramente comprovado, posteriormente.

– Além de tudo isso, ainda havia também a ameaça de outras guerras nucleares, por exemplo, entre Rússia e Estados Unidos, além da China, que também tinha armas nucleares. Como você pode observar, o planeta Terra era uma verdadeira bomba relógio, que poderia ser detonada a qualquer instante apesar de todos os esforços para se manter a paz e o equilíbrio entre as nações. Havia uma forte tensão entre vários países e os Estados Unidos, tensões essas que poderiam se transformar em confrontos a qualquer momento e que poderiam tomar dimensões catastróficas. Poucos eram os países que viviam isolados dessas tensões e livres de fortes esquemas de corrupções e inimagináveis esquemas para desvios de verbas públicas.

– Por sua vez, também não podemos deixar de lado a extrema miséria em que viviam a maioria dos habitantes dos países africanos, onde sofrimentos de diversas formas assolavam a população, que sofria com epidemias, desnutrição, possuindo uma das maiores taxas de mortalidade infantil do mundo devido a fome. Esse continente, em especial, era o que mais sofria com a miséria e, por ser um povo sofrido e esquecido por muitos, foram alvos das manobras mais sórdidas por parte de governos, indústrias bélicas e farmacêuticas.

– Nonno, isso é mesmo verdade? A população era realmente tomada como cobaias humanos?

– Infelizmente era, meu neto. Se você fizer uma rápida pesquisa sobre epidemias e doenças que causaram a morte de milhares de pessoas você vai observar que o continente africano sempre foi o palco central. A indústria farmacêutica tinha desculpas perfeitas para justificar essas epidemias, como por exemplo, a miséria, a própria desnutrição, a falta de higiene, entre outros subterfúgios que eram utilizados e aceitos por todos. No entanto, uma pergunta que poucos faziam era o porque essas epidemias sempre surgiam lá. Os fatores alegados até poderiam justificar a rápida proliferação desses agentes patogênicos, mas dificilmente explicariam o surgimento lá.  As manobras das indústrias farmacêuticas sempre renderam muitas especulações, mas é fato, que as pessoas não sabiam uma pequena parcela do que acontecia, não podiam supor o tamanho das atrocidades que eram cometidas em nome dos lucros multibilionários desse segmento e, portanto, na quantidade de doenças e vírus que eram criados nos laboratórios dessas próprias indústrias.

– A lógica era muito simples e capitalista, se haviam infectados e essa infecção atingisse uma grande quantidade de pessoas, os governos seriam obrigados a investir grandiosas somas em dinheiro para ajudar a criar antídotos a esses males, portanto, de tempos em tempos, agentes altamente patogênicos eram difundidos entre a população, em especial, no continente africano e, com isso, havia sempre a morte de muitas das pessoas dessa população e consequente contaminação, por disseminação, a outros povos e continentes e esse era o ponto que interessava aos gigantes farmacêuticos, pois quando a coisa chegasse a esse ponto, o lucro era líquido e certo. Obviamente o antídoto já estava pronto, apenas era feito um teatro para justificar os altíssimos investimentos e, após algum tempo, a epidemia era logo controlada e erradicada, até que novos lucros fossem necessários.

– Algumas doenças nunca tiveram sua cura divulgada, pois isso não era interessante à indústria, que lucrava muito com drogas paliativas, que prolongavam um pouco a vida, mas também o sofrimento de quem era acometido pela doença. Um exemplo disso era o câncer, que teve sua cura descoberta mas nunca divulgada, pois era uma doença que acometia cada vez mais pessoas, portanto, o lucro resultante dos remédios utilizados para tratamento eram muito altos, inviabilizando a divulgação do remédio que realmente traria a cura.

– Mesmo os profissionais da saúde se viam presos a essa trama, não entendiam como a cura ainda não era alcançada apesar de todo o avanço da ciência, mas mal sabiam que a lógica era outra. Alguns pesquisadores até tentavam entender e desenvolviam estudos, mas sempre acabavam esbarrando na gigante, pois o financiamento das pesquisas e o desenvolvimento de novas drogas tinha um custo muito alto, portanto, infelizmente, sempre acabavam reféns da indústria farmacêutica, que lucrou quantidades absurdas de dinheiro com a dor e sofrimento alheios.

– Nonno, é difícil aceitar que as coisas eram feitas dessa forma, que somente o dinheiro era valorizado, que o sofrimento humano nada representava perto dos lucros, que a vida humana pudesse ter tão pouco valor e ser trocada por bens materiais.

– Mas infelizmente era o que acontecia, meu neto. Analisando tudo isso não fica tão difícil entender porque a humanidade chegou ao ponto que chegou e porque ela foi praticamente extinta, até porque, no ritmo que as coisas estavam, poucas alternativas restavam a não ser um acontecimento de proporções gigantescas e catastróficas, que pudesse realmente mexer com as pessoas, com o padrão de comportamento, com a forma como tudo era manipulado.

– Por hoje vamos parar, sei que os fatos expostos podem ser perturbadores, portanto, vamos respeitar os limites e dar um tempo de descanso  para que possamos nos recompor. Continuaremos nossa conversa em outra oportunidade

 

 Leia aqui Como foi que Tudo Terminou

clube_autores_compre

Se você gostou da história e quiser contribuir com o autor, faça sua doação pelo botão do PagSeguro, logo abaixo.

Toda doação é bem vinda e agradeço de coração!


Comente com o Facebook
Facebooktwitter

One comment

Leave a Reply