Últimos Esclarecimentos e Último Encontro

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Esse último encontro também aconteceu na mesma praça central, local de várias conversas e também o local onde o Sr. Orlando havia passado boa parte da sua infância e também da vida adulta. Como era um local muito bonito, que trazia muita paz, foi o local escolhido por ele para suas meditações e momentos de relaxamento junto à natureza. Essa conversa aconteceu no início de uma tarde e se prolongou por parte da noite quando as luzes, alimentadas por geradores solares, davam um charme todo especial ao lugar, que era simplesmente encantador. Eles sentaram-se num banco em frente à fonte principal, onde uma música muito serena também podia ser ouvida e, nesse clima de paz e tranquilidade, iniciaram a última conversa dessa série de encontros.

– Vitor, chegamos ao término desse ciclo, em alguns dias seus pais estarão retornando da viagem que fizeram, onde creio, além de se divertirem, também puderam aprender muito sobre os outros planetas do nosso sistema, compondo parte importante do entendimento sobre nosso mundo. Hoje quero apenas esclarecer um pouco com você sobre a nossa origem familiar, os laços que nos unem, além de algumas outras considerações que irão surgir, mas será uma conversa bem tranquila e nem tão extensa, pois gostaria de aproveitar mais desse ambiente com você, caminharmos um pouco juntos, quem sabe.

– Claro, nonno, tempo para isso temos e sua companhia me é muito aprazível.

– Vitor, como você sabe, nossa ascendência direta é italiana, mas você também sabe da nossa ligação maior com o Brasil, fato que já falamos muito em outros encontros e, até por isso, sempre focamos mais os problemas e situações desse país em relação aos outros, por fazer parte direta da nossa história. Você está lembrado do Giuseppe e da Francisca, certo?

– Sim, como haveria de me esquecer!

– Pois bem, nossos laços diretos iniciaram-se nessa época, fazemos parte da descendência direta dos dois, motivo pelo qual temos essa ligação muito forte com os dois países, suas culturas e costumes. Como falamos, os dois tiveram cinco filhos e estes, outros tantos, que tiveram os seus e, assim sucessivamente, foram dando sequência a esse importante ciclo de vida. Nós fazemos parte dos descendentes da família do Enzo, que foi um dos cinco filhos da união do Giuseppe e da Francisca.

– Nonno, embora nunca tenhamos conversado sobre isso, confesso que eu já imaginava que teríamos alguma ligação com eles, pois me identifiquei tanto com a história deles, é engraçado como o sentimento era diferente, os laços afetivos, realmente eu os imaginava como pessoas que me eram muito especiais.

– Foram muitas gerações, lutas, conquistas, dores e sofrimentos até chegarmos aos dias de hoje. Uma parte muito importante da nossa história devemos a eles, nossos ancestrais, que em nome de um futuro melhor, movidos pelo sonho e pelo ideal de um mundo sem violência e sem dor, sofreram muito, abriram mão, em algumas vezes, das próprias satisfações pessoais, sempre tendo em mente o processo de construção de um mundo melhor, portanto, a eles devemos uma parte importante daquilo que hoje somos e conquistamos. Entre o início dessa história e hoje, temos aproximadamente doze gerações, cada uma delas escrevendo um capítulo desse livro, cada uma delas dando importantes e relevantes contribuições ao progresso, não somente nosso, claro, mas de toda a humanidade.

– Nossa família, em especial, sempre esteve envolvida com a Educação, isso desde a época do Enzo, que já se dedicou muito a essa tarefa e isso foi passando, de geração para geração, até os dias atuais, pois acreditamos, do fundo das nossas almas, que a Educação é o único caminho para o desenvolvimento da humanidade. Educar é muito mais que ensinar, aliás, ensinar qualquer um pode ensinar, mas educar vai muito além disso, pois além do discurso se faz necessária a vivência daquilo que se ensina, do exemplo, que educa muito mais do que algumas centenas de livros e textos, educar é um ato contínuo de vivência em sociedade, da busca pelo autoconhecimento, do auxílio ao próximo, da busca por tecnologias que possam cada vez mais melhorar a qualidade de vida de todos, educar é, antes de tudo, muito amor, muito desejo de ver o outro bem, prosperando, seguindo seu caminho rumo a sua própria luz, educar é um ato de desprendimento dos próprios desejos em detrimento de um bem coletivo, enfim, podemos dizer que educar é dar subsídios para que o outro possa viver, aprendendo com seus erros e acertos e buscando, todos os dias, o caminho da sua felicidade. Feliz do educador que consegue alcançar esses objetivos, pois esse sim é um verdadeiro educador!

– Nonno, muito emocionante isso. Espero ser digno de continuar essa profissão, uma vez que o ensino também me atrai muito, mas sei que minha jornada ainda é longa, tenho muito a aprender e a progredir, mas tenho essa convicção e esse desejo também em minha alma.

– Fico muito feliz ao ouvir isso, sei que será um excelente educador.

De repente, ambos ficaram em silêncio, sem nada combinar, mas ambos ficaram mudos e reflexivos, cada um pensando nos ensinamentos dos últimos dias. Orlando pensando no quanto poderia ter ajudado seu neto e, Vitor, por sua vez, agradecendo pelos momentos em que tinha passado ao lado do avô, que era uma pessoa muito especial em sua vida e para o qual ele tinha um enorme carinho.

A ligação entre ambos sempre foi muito forte, eles sentiam que algo muito especial os unia, uma união espiritual, que não poderia ser descrita através de palavras, era puro sentimento. Orlando tinha algumas suspeitas dessa ligação, mas nunca conseguiu comprovar nada, fato que também pouco importava, pois o que poderia ser mais verdadeiro do que o sentimento que os unia?

Ainda nesse estado contemplativo, Vitor fez uma viagem no tempo, seu pensamento voou para longe, há milênios, quando ele foi vislumbrando, numa fração de segundos tudo aquilo que ele e seu avô haviam conversado, a impressão que ele tinha era de que estava revivendo tudo aquilo, pois de alguma forma ele já havia experimentado todas aquelas sensações em outros tempos. Esses sentimentos e emoções foram tomando conta do seu pensamento e ele assim ficou, completamente parado, por cerca de uma hora, fazendo uma viagem no tempo.

Orlando, quieto, a tudo observava, sabia o que seu neto estava fazendo, sentia as sensações que ele experimentava e permaneceu em silêncio, meditando profundamente em tudo aquilo. Também foi tomado por um sentimento nostálgico, até mesmo um pouco triste, fato que ele não conseguiu entender, mas logo tratou de superar. Aproveitou o silêncio do seu neto para também silenciar sua própria alma e agradeceu pela sua vida, que sempre fora muito boa, pelos ensinamentos que havia acumulado e por tudo aquilo que ele já havia conseguido compartilhar. Ficou imaginando o resultado das suas conversas na vida das outras pessoas, dos alunos que passaram em sua vida, dos amigos que tinha, dos que já haviam partido para outras jornadas e acabou se emocionando. As lágrimas que rolaram seu rosto não eram lágrimas de tristeza, pelo contrário, expressavam toda a sua gratidão e alegria que acabaram se rompendo na forma de lágrimas, e nesse momento, sentiu uma paz muito grande e recobrou a lucidez.

Quase ao mesmo tempo, avô e neto voltaram das suas viagens em pensamento, se olharam, sem trocar uma única palavra e se abraçaram como nunca antes. Dessa vez a emoção tomou conta dos dois e mais lágrimas rolaram, exteriorizando o profundo sentimento que os unia, sentimento de ternura, de amor e de gratidão, que lhes envolvia. Também sem falar mais nada, ambos entenderam que a conversa havia terminado, que todos os ensinamentos possíveis de serem passados, pelo menos naquele momento, haviam sido passados e que agora, dependeria de cada um a continuidade das suas jornadas, do processo de autoconhecimento e aprendizado, que não cessaria nunca.

– Nonno, do fundo do meu coração, te agradeço. Te amo muito!

– Vitor, também te amo muito e também te agradeço pela oportunidade que me concedeu, em mais uma vez ser útil e poder contribuir para deixar o mundo um pouquinho melhor.

Dessa vez, na despedida, pela primeira vez em todos esses encontros, Vitor teve um sentimento diferente, que não conseguiu compreender, mas que o tocou profundamente. Como esse era o último encontro, não deixaram mais nada combinado, apenas disseram que se encontrariam em breve para mais algum bate papo, mas sem nada combinado.

Orlando dessa vez não foi direto para casa, antes passou na casa de alguns amigos, para conversar um pouco e poder confraternizar com aqueles que também lhe eram estimados, sua família maior.

Vitor também foi para a casa de um amigo, onde acabou passando a noite, empolgado, contando sua experiência com seu avô.

A vida continuou seu ritmo e, dois dias após a última conversa com seu avô, os pais do Vitor retornaram da sua viagem, cheios de novas experiências e conhecimentos.

Leia aqui o capítulo final: Os Novos Cursos da Vida

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